PV: Vitória agora é salvar vidas

Legenda: Dos jogos amistosos até os clássicos do futebol, o PV guarda histórias memoráveis do Ceará
Foto: Foto: Paulo Alberto

Sempre subi as escadas do Presidente Vargas com o coração cheio de emoção. Há nove anos é assim. Foi no aconchegante estádio do bairro Benfica que fiz meu primeiro jogo como repórter de esportes. Lembro de ter ligado para o meu editor para agradecer pela oportunidade. E, desde então, coleciono jogos memoráveis naquela praça esportiva. De finais do Cearense a treino de eliminatórias da Copa do Mundo e até o amistoso rememorando 1994 entre Brasil x Itália, quando vi bem de perto Mauro Galvão, ex-zagueiro do Vasco, um dos meus ídolos.

Aliás, gosto do PV justamente por isso: pela proximidade. A primeira, da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde estudei. Também, de casa. E, mais do que isso, do torcedor. Se em alguns momentos tive um pouco de medo - principalmente nos Clássicos-Rei com duas torcidas, quando o Castelão estava fechado para obras da Copa das Confederações e Copa do Mundo -, em muitos outros vivi momentos arrepiantes em comemorações de gols, títulos e glórias. Vi frustrações, perda de acesso, quebra-quebra de cadeiras, coisas que servem para a gente contar por anos?

Ainda não sei definir qual o sentimento de ver o PV sendo transformado em hospital com mais de 200 leitos para enfrentar o novo coronavírus. É preciso ressignificar o olhar, às vezes. Dá saudade do calor da multidão cantando os hinos de Ceará, Fortaleza, Ferroviário? Tristeza pela nossa nova rotina devido ao Covid-19, da falta de contato, de abraço, dos afagos, que agora se transformaram em virtuais. E dá esperança, de que no PV muita gente se recupere dessa doença e possa voltar para o convívio das famílias.

O jornalista de esporte não está só em estádio. É um caminhante pelas cidades, está sempre observando as praias, com surfe, kitesurfe, windsurfe; as quadras, com basquete, vôlei; os ginásios, com futsal, por exemplo. Está sempre contando histórias de superação, não só de meninos e meninas humildes que conquistaram os gramados, mas que buscaram por meio das mais diversas modalidades a ascensão própria e de familiares. Para isso, é preciso que nós, jornalistas, olhemos para o outro com afeto.

Nestes nove anos de jornalismo, desbravar Fortaleza sempre foi uma das melhores coisas do meu ofício. Dos meninos do triatlo no Poço da Draga às meninas do surfe no Titanzinho. Dos apaixonados pelo basquete na pracinha da Heráclito Graça aos garotos da Copa do Mundo de Crianças de Rua que conheci no centro da cidade e que depois foram para o Rio de Janeiro. Dos que fazem stand up paddle na Beira Mar aos que jogam rugby nas areias da Praia de Iracema. O esporte foi abrindo caminhos para que eu conhecesse bairros, endereços próximos e distantes do Dionísio Torres, onde habito. Aliás, diferente de onde nasci, Nova Russas.

O nome da nossa capital traduz o que a gente precisa ser desse momento: fortaleza na luta contra o Covid-19. Não sair de casa, cumprir todas as prevenções do novo coronavírus, tudo é muito diferente da vida livre que tínhamos. A todo momento me pego refletindo sobre o que fiz e o que ainda vou fazer após a pandemia. São tantos planos. Uma coisa é certa, voltarei ao PV, que já não terá mais concreto no chão e sim gramado. O coração vai ficar em festa de reencontrar tanta gente boa que sinto falta. Até lá, fiquemos em casa. Porque esse jogo contra a Covid-19 unidos venceremos.

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