"Prova de redação deixará regionalismo bem evidente", avalia especialista

Na análise de professores, o tema da Redação do Enem 2019 surpreende os docentes, mas está no repertório dos estudantes

Legenda: Candidatos entram na UECE para fazer a prova do Enem 2019
Foto: Foto: José Leomar

Dissertar sobre a "Democratização do acesso ao cinema no Brasil" é a tarefa dos milhões de candidatos que fazem neste domingo (3) a primeita etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Na avaliação da consultora pedagógica do Sistema Ari de Sá (SAS), Giovana Costa, especialista em redação, o tema surpreende os professores, mas "está no repertório dos estudantes".

De acordo com ela, um dos diferenciais do assunto é que ele "deixará o regionalismo bem evidente" já que as condições de acesso ao cinema no Brasil são bastante distintas no território nacional. A redação do Enem é do tipo dissertativa-argumentativa, com até 30 linhas. Ela é desenvolvida a partir da situação-problema proposta e de subsídios oferecidos por textos motivadores.

A especialista ouvida pelo Diário do Nordeste, Giovana Costa, explica que "se fizer uma análise de forma geral (dos temas da redações), eles invocam o participante a exercer a cidadania. A cartilha (do Enem) deixa claro que vai incluir pautas do cenário cultural, social e político. Trazer um tema cultural, que faz com que esse participante desenvolva esse exercício de cidadania, para nós, enquanto professores é surpreendente. Os estudantes vão ter muita habilidade para argumentar e convencer a banca avaliadora".  

Na avaliação da consultora pedagógica do SAS, Giovana Costa, o tema da edição 2019, "envolve os estudantes e faz com eles tragam os próprios repertórios". 

"Conseguimos ver os regionalismos presentes. Porque se a gente olhar o cenário do cinema no Brasil ele é muito polarizado. Existem lugares com amplo acesso e outros com baixo. Vamos ver uma variedade de argumentação nessa prova".

Para ter um bom desempenho

De acordo com ela, o que se espera para um bom desempenho na redação é que o candidato tenha uma leitura crítica do cenário de democratização, conheça como se dá o acesso ao cinema no país e por extensão à cultura e que saiba argumentar de modo a deixar essas informações claras no texto. Na escrita, ressalta ela, o estudante precisa definir e evidenciar se há ou não essa democratização. 

"O candidato precisa entender o que ele quer defender. Argumentar se existe democratização ou se ainda não é democrático. E precisa, por fim, construir uma proposta de intervenção concreta. Dar caminhos para resolver esse problema".

Ela também acredita que o tema, embora não estive em foco, tem uma boa base de discussões recentes, já que em 2019, por exemplo, o corte valores de projetos da Lei Rouanet esteve em evidência e gerou muito debate público. 

Redação zerada

Conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), redações com menos de 7 linhas recebem nota 0, assim como as que reproduzem integralmente trechos dos textos motivadores e de itens do Caderno de Questões. Na redação, a opinião do autor deve estar fundamentada com explicações e argumentos.