Projeto que oferece aulas de stand-up paddle para autistas retoma atividades presenciais

As atividades que aconteciam quinzenalmente, nessa retomada, passam a acontecer pelo menos três sábados por mês.

Legenda: A turma de 40 participantes foi dividida em quatro turmas de dez, com intervalos de 15 minutos na troca, para evitar aglomerações em razão da pandemia
Foto: Camila Lima

Após um longo período de aulas suspensas em decorrência da pandemia de Covid-19, o projeto de inclusão TEA(AMAR) ofereceu, na manhã deste sábado (24), atividades presenciais de stand-up paddle para autistas na Praia do Mucuripe, em Fortaleza. Para a retomada das atividades, além de receber o participantes animados para as atividades, os protocolos de segurança sanitária foram seguidos e os segmentos das aulas foram reformulados em razão da pandemia. 

A iniciativa, que tem como objetivo proporcionar inclusão social e esportiva para pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a partir dos quatro anos de idade, teve que reorganizar seus ações e formas de dar aula. Uma dessas mudanças foi estabelecer grupos de dez para os 40 participantes.

“Reformulamos o projeto com um intervalo maior entre uma turma e outra, agora são 15 minutos na troca de turmas, antes não tinha esse intervalo. Isso foi pensado com o intuito dos participantes não aglomerarem durante essa troca. A gente também está fazendo a limpeza das pranchas e coletes com álcool, antes das atividades”, aponta Renata Fernandes, diretora administrativa do TEA(MAR).

Além disso, os instrutores passaram a utilizar máscaras inclusive na água, o que também é recomendado aos acompanhantes. Porém, “os autistas não são obrigados a usar máscaras, eles só usam se realmente eles aceitarem, e nem todos aceitam”, explica Renata.

Veja abaixo imagens dessa manhã de atividades presenciais

    

Desafio da "não-quebra" de rotina

O projeto TEA(MAR), por lidar com um público muito particular, que são pessoas dentro do TEA, viu na pandemia e na quebra de rotina desses autistas o seu maior desafio. “Para construir o projeto a gente começou construindo essa rotina, de ir para praia, quinzenalmente. [Durante a pandemia] as mães mandavam fotos das crianças vestidas com a roupa do projeto querendo ir para praia, e com o isolamento social, a gente ficou com medo dessa desorganização da rotina deles. E sabíamos que esse retorno seria difícil porque teríamos que fazer uma nova construção de rotina”, explica Renata Fernandes, diretora administrativa do TEA(MAR).

Para tentar diminuir os impactos negativos na rotina dessas pessoas, a iniciativa continuou desenvolvendo atividades remotas, por meio de vídeos que ensinavam brincadeiras educativas e jogos lúdicos, para que os participantes continuassem sendo estimulados no período do isolamento social mais rígido. Porém, mesmo com todo o receio por parte da equipe do TEA(AMAR), os alunos surpreenderam positivamente nessa volta às atividades presenciais.

“Eles nos surpreenderam, e é lindo de ver. Porque todo o projeto de construção do reconhecimento do espaço por eles, foi quebrado em março, mas quando a gente voltou, acho que o projeto é tão prazeroso tanto para os filhos quanto para os pais, que não se perdeu nada. Eles estão cada vez mais engajados”, pontua a diretora. 

O encontro dos participantes com o mar, que acontecia quinzenalmente desde novembro de 2019, passou a acontecer três sábados por mês, desde a segunda quinzena de setembro. A iniciativa foi adotada para compensar o tempo em que o projeto esteve paralisado e para cumprir o calendário do projeto, que tem a duração de um ano.

“São só ganhos, e isso é gratificante”

Márcia Fonseca, mãe de Ícaro, autista de 13 anos, tem o sentimento de gratidão pelo TEA(MAR). Engajados na iniciativa desde a primeira reunião, ela conta que foram observados muitos ganhos nesse período, inclusive na segurança que o filho adquiriu com o esporte. 

“Durante esse tempo eu observei muitos ganhos. Primeiro trabalhou a paciência dele, porque quando a gente chega ele tem que esperar o instrutor para pegar ele e ir para o mar. E quando ele vai para água, tem a troca de olhar com o instrutor, a atenção direcionada, porque ele fica observando e prestando muita atenção nos comandos que o instrutor passa pra ele”, relata. Além disso, também tiveram ganhos no desenvolvimento motor e sensorial em razão do desenvolvimento da atividade.

Mas a mãe também teve ganhos com essa iniciativa, já que é uma distração até mesmo para ela. “Você vem para praia, tem interação com outras pessoas que estão fazendo, com instrutores, com a equipe e com aquela outra mãe que está na mesma situação que você, então acaba tendo ganhos e sendo uma diversão para a família”, enfatiza Márcia.     

De acordo com a matriarca, Ícaro sai das aulas de “alma lavada”, e isso traduz a importância da existência desses projetos direcionados a autistas. “Quando chega um projeto assim, para agregar, eu só tenho que agradecer. Porque você ver o desenvolvimento dele, a segurança que ele adquiriu. São só ganhos e isso para gente é gratificante”, conclui.

 

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