Prevenção nos primeiros 60 dias de vida de cães e gatos evita medo de fogos de artifício

Contato com som alto e tranquilizantes receitados por veterinários são algumas medidas indicadas por especialistas

Legenda: Ficar em contato com o animal de estimação é fundamental no momento do medo
Foto: Fabiane de Paula

Em todos os anos, a época que precede o Réveillon traz à tona um debate comum: o que fazer para evitar o medo de fogos de artifício por parte dos animais de estimação? Dar remédios calmantes e amarrar panos na cabeça deles são práticas comuns, mas não as mais eficientes. 

Átila Rodrigues é adestrador de animais e possui três cachorros em casa. Segundo ele, as ações para diminuir o medo só são eficazes se forem feitas no início da vida do animal. "Nós pregamos que o treinamento deve começar no periodo de 60 dias de vida. Depois disso, ele vai ser resistente com todas as informações que você inserir. Por isso que pegar um cão que tem medo de fogos há um ano var dar muito trabalho ao dono para mudar", afirma.

Segundo o adestrador, os proprietários do animal devem acostumá-lo com barulhos altos. A dica é associar a prática com momentos positivos para o bichinho de estimação. "Quando o cãozinho vai passear ou comer, é positivo colocar música alta, barulho de fogos na internet, para que o animal associe à lembrança boa e note que não representa ameaça", completa. 

Práticas para remediar

A advogada Ingrid Thayná, 24, é dona do Luty, um cachorro de 9 anos da raça yorkshire. Ela conta que o cachorro costuma ficar assustado com qualquer barulho, o que se intensifica em casos de fogos de artifícios. "Ele se treme todo e corre logo para quem está perto dele. Só se acalma quando vai para o braço. Toda vez é uma pequena crise".

Para diminuir a aflição, Ingrid afirma que levou Luty para a médica veterinária buscando uma solução, quando ele ainda era pequeno. "Ela (veterinária) passou um remédio tranquilizante. É bem fraquinho, ele nem chega a dormir e, às vezes, ainda fica meio nervoso. A gente sempre dá quando sabe que vão soltar fogos de artifício por perto", completa. 

De acordo com o adestrador Átila Rodrigues, práticas como a medicação podem ser feitas, desde que não afetem a saúde do animal. Apesar disso, ele aponta para as falhas das ações. "Se não gerar nenhum outro dano ao cachorro, não tem problema. As pessoas estão querendo resolver de uma hora para outra, mas não vão conseguir, pois essas medidas não funcionam com todos."

Cães e gatos

O medo por parte dos cães são os mais lembrados quando se fala em fogos de artifício. Segundo a veterinária e professora de zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Carla Renata, isso acontece porque os animais costumam ter reações mais alarmantes quanto ao barulho. "Os cachorros costumam latir muito e ficar agressivos. É uma ação mais vocativa. Já os gatos se escondem, ficam mais quietos, mas ainda assim assustados", afirma a especialista. 

Exemplo disso são os animais de estimação da estudante Jéssica Queiroz, 22. Ela cuida de uma cadela de 7 anos, a Tapioca; e dois gatos de 3 anos, Killua e Lionel. A jovem conta que, em época de Réveillon, também já procurou ajuda clínica para medicar a cachorra, que, segundo ela, é a mais afetada com os barulhos. "Ela fica muito agressiva, nem deixa a gente tocar nela. Antes, a gente tinha duas cadelas que ficavam muito exaltadas, então a gente deu um calmante natural que a veterinária passou, por medo de que elas brigassem", diz.

Carla Renata completa que o medo pode ser ocasionado pela audição mais apurada dos animais, em relação aos seres humanos. "A gente escuta o barulho, eles escutam bem mais. Os animais normalmente não sabem o que está acontecendo. Eles ouvem o barulho, mas não sabem de onde vem".

Dicas para acalmar os animais

- Colocar som alto de músicas ou fogos enquanto os animais comem ou passeiam para que eles não associem o barulho à ameaça. De preferência nos primeiros dias de vida.
- Medicá-los com tranquilizantes leves, desde que tenham prescrição de um médico veterinário.
- Cobrir o animal com um pano e ficar em contato com ele, para que ele se sinta protegido.
- Tentar criar um ambiente fechado favorável, se possível com o ar-condicionado e TV ligados para acomodar o animal.
- Ir acostumando o animal com sons altos aos poucos, caso ele já seja mais velho. A dica é ir aumentando o volume aos poucos, até chegar no máximo possível, para gerar costume.

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza

Assuntos Relacionados


Redação 11 de Outubro de 2020