Postos de saúde da Capital farão 'busca ativa' de pacientes com Covid-19 a partir de outubro

Rastreio e monitoramento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus ajudam a conter o avanço da doença no Estado

Foto mostra profissional da saúde realizando testagem para coronavírus
Legenda: Profissionais da saúde passam por treinamentos para a realização de testagem
Foto: Camila Lima

Os contatos de pacientes infectados pelo novo coronavírus serão monitorados por meio de visitas domiciliares ou de ligações, com o suporte dos 116 postos de saúde e de 469 equipes, em Fortaleza, a partir de outubro. As ações fazem parte do programa do Ministério da Saúde (MS), com repasse de R$ 16,6 milhões, e disponibilização de 2.776 profissionais ao todo para os municípios do Estado.

“Fortaleza já estava atuando no rastreamento e no monitoramento. Desde o início da pandemia, a gente vinha fazendo testagem rápida nos pacientes suspeitos de Covid e com cartão que a gente acompanhava os pacientes nos dias ímpares até o 10º dia”, explica Erlemus Soares, gerente da célula de atenção primária à saúde pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

No fim de agosto e início de setembro, como detalha o gerente, as unidades básicas de saúde começaram a realizar o teste RT-PCR, que indica a presença do vírus no organismo do paciente. “O que a gente quer com isso é quebrar a cadeia de transmissão e no caso de um paciente que seja confirmado em uma unidade básica de saúde, os seus contactantes e familiares são rastreados e feitos exames desses pacientes”, acrescenta Erlemus Soares.

O programa foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia 4 de setembro e traz o detalhamento dos recursos financeiros e dos agentes, como médicos clínicos e enfermeiros. Com isso, pretende-se conter a propagação da doença pelo rastreio dos contatos de pacientes infectados.

De acordo com a presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), Sayonara Cidade, o rastreio e o monitoramento de pacientes Covid-19, no Estado, já estava sendo feito desde o início da pandemia, mas agora terá incentivo financeiro.

“Na prática, isso funciona através de uma ligação três vezes ao dia, onde a gente busca conversar com pessoas que têm comorbidades, que estão acometidas em um leito com Covid, ou seja, pessoas que têm suscetibilidade e que são vulneráveis a Covid-19”

Segundo a presidente do Cosems, o impacto desse monitoramento já é evidente pela redução do número de óbitos e de agravamento da doença. “Quando você monitora, você faz um trabalho de prevenção. Você vai antes de se agravar. Então ali você pode trabalhar o protocolo de manejo do paciente, que nós temos, e que vai desde o domicílio até a unidade terciária, a UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, aponta Sayonara Cidade.

Estratégia

Esse trabalho será feito, como indica a portaria do MS, de três formas: ações que visem a redução da circulação de pessoas com sintomas leves aos serviços de urgências ou hospitais, rastreamento e monitoramento dos contatos de casos de Covid-19 e a identificação de casos graves para encaminhamento aos serviços de urgência e emergência. Dessa forma, os equipamentos de Atenção Primária à Saúde (APS), como os postos de saúde, são considerados capazes de auxiliar na contenção da Covid-19.

Essa medida considera a necessidade de ampliar a identificação e monitoramento, tanto de pessoas infectadas pelo novo coronavírus como dos seus contatos, por meio de ações integradas da APS e da Vigilância em Saúde (VS). Tal acompanhamento pode auxiliar na tomada de decisões dos municípios conforme a velocidade da propagação da doença. São considerados os seguintes objetivos:

  • Integração das ações da Vigilância em Saúde e Atenção Primária à Saúde de cada município para identificar rapidamente os casos de Covid-19 e seus contatos;
  • Promoção de ações locais para identificação precoce e assistência adequada aos contatos de casos de Covid-19, detectando oportunamente os indivíduos infectados com objetivo de reduzir a taxa de contágio;
  • Ampliação da notificação e investigação dos casos de Covid-19 e do rastreamento e monitoramento de seus contatos, conforme as orientações do Ministério da Saúde;
  • Avaliação regular da situação epidemiológica local relacionada à Covid-19 e disponibilização das informações para gestores, profissionais de saúde e população em geral;
  • Incremento da utilização de dados epidemiológicos locais para a tomada de decisão e aprimoramento do planejamento assistencial e sanitário para garantir a efetividade das ações;
  • Os profissionais do programa do Governo Federal devem registrar as ações de acompanhamento no sistema de informação do Ministério da Saúde, o e-SUS Notifica, e podem se orientar pelo Guia de Vigilância Epidemiológica.

Em Fortaleza, o sistema já é utilizado e deve servir para os três meses em que o programa do MS incentiva o monitoramento. “Hoje, nós temos seis unidades de saúde que a gente chama 'unidades sentinelas'. Elas são referência para receber esses pacientes. Caso eles sejam confirmados, as 469 equipes de estratégia da família fazem a busca ativa no território e, sendo necessário, fazem a testagem desses pacientes”, afirma Erlemus Soares.

Foto mostra profissionais da saúde
Legenda: Em visitas domiciliares também pode ser feito teste caso haja suspeita de infecção pelo novo coronavírus
Foto: Camila Lima

Participam especialistas como médicos clínicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, agentes de combate às endemias, sanitaristas, biólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, por exemplo. Por cada profissional foi considerado o valor de R$ 6 mil para as ações de rastreio e monitoramento. Eles devem cumprir, no mínimo, 20 horas semanais.

O custeio do Programa será transferido do Fundo Nacional de Saúde aos Fundos Municipais e Distrital de Saúde de forma automática e em parcela única, na competência financeira de outubro. A Portaria do DOU está válida desde sua publicação.

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