Pesquisa permite uso de pele de tilápia no tratamento de úlceras varicosas no Ceará

O estudo acompanha a evolução de 72 pacientes divididos em três grupos, conforme o tipo de tratamento – com pele de tilápia, óleo de AGE (ácidos graxos essenciais) e espuma de poliuretano

Legenda: A doméstica Maria Madalena Nascimento, de 63 anos, foi a primeira paciente com úlcera varicosa submetida ao tratamento com a pele de tilápia
Foto: FOTO: Divulgação HUWC

A pele de tilápia ganha mais uma atribuição no Ceará. A partir de um estudo inédito realizado pelo Universitário Walter Cantídio (HUWC), o material está sendo utilizado para o tramento de úlceras varicosas, ou seja, feridas profundas na pele causadas por varizes.

Os testes começaram em novembro de 2019 e, segundo aponta o cirurgião vascular da Rede Ebserh e pesquisador à frente do estudo, Fred Linhares, uma das vantagens do uso da pele do peixe em relação aos curativos convencionais é que é possível mantê-la sobre o ferimento por até sete dias, diminuindo, assim, o custo com os insumos.

Outro benefício é a redução da dor do paciente e o risco de infecção, já que a ferida é menos manipulada por haver menos troca de curativos. A cicatrização deve ser mais rápida, segundo estima o especialista, uma vez que pele de tilápia estimula a formação de colágeno, ajudando no fechamento da ferida. 

O estudo acompanha a evolução de 72 pacientes divididos em três grupos, conforme o tipo de tratamento – com pele de tilápia, óleo de AGE (ácidos graxos essenciais) e espuma de poliuretano. Os dois últimos são convencionais e com trocas de curativos diárias e a cada cinco dias, respectivamente. Os resultados serão comparados no fim da pesquisa para definir qual dos métodos melhor se aplica, segundo Fred Linhares. 

Resultados

A doméstica Maria Madalena Nascimento, de 63 anos, foi a primeira paciente com úlcera varicosa submetida ao tratamento com a pele de tilápia. Sofrendo com o problema há pelo menos quatro anos, ela diz que, após as primeiras semanas participando do método, sente menos dor e inchaço nas pernas. 

A pele de tilápia vem sendo utilizada de forma exitosa no tratamento de queimados, realizado no Ceará desde 2015. Em 2017, duas pacientes do Ambulatório de Adolescente da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC) obtiveram resultados positivos com cirurgia minimamente invasiva feita com pele de tilápia para a construção do canal vaginal. Elas são portadoras da síndrome de Rokitansky.
 

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza


Redação 26 de Novembro de 2020