Pequenas empresas na crise: iniciativas estimulam o consumo de comércios locais

Responsáveis por 54% dos empregos formais, os pequenos negócios tentam sobreviver à pandemia através de iniciativas que incentivam o consumo local

Escrito por Agência de Conteúdo DN,

Metro
Legenda: A empresária Talita Oliveira precisou se adaptar ao e-commerce para se aproximar dos clientes
Foto: Acervo pessoal

O ano de 2020 chegou como um balde de água fria no processo de retomada econômica que estava sendo desenhado. A pandemia e seus desdobramentos acabaram por atrasar a iminente recuperação. Grandes empresas vieram a público dividir o abalo provocado pelas restrições impostas à atividade econômica, pela queda na renda das famílias e pelos adiamentos de investimentos. Para os pequenos empreendedores, a situação ficou ainda mais difícil. 

A micro empresária Gabriele Alves viu a sorveteria da família, no Centro de Fortaleza, sofrer com os impactos do fechamento do comércio e somar às estatísticas de empresas que fecharam as portas em 2020. Para driblar a crise, o jeito foi partir para um novo ramo de negócio. Assim surgiu a Happy Day Confeitaria. "Mãe de filho pequeno e com dificuldade para arranjar trabalho, me vi sem oportunidade. Gostava de fazer bolos, mas não tinha experiência. Consegui um dinheiro e investi em dois cursos presenciais e mais três online", destaca.

Com sede no Conjunto Nova Metrópole, em Caucaia, a Happy Day Confeitaria trouxe como diferencial kits festa com bolo, docinhos e cupcakes com um preço acessível para um número reduzido de pessoas. "Sabemos que esse não é um momento fácil, mas eu queria poder levar um pouco de alegria para pessoas que estão isoladas na mesma casa e não abrem mão de comemorar datas importantes. Apesar de tudo, a vida ainda merece ser celebrada", explica. 

Legenda: Gabriele Alves fundou a Happy Day Confeitaria em 2020
Foto: Acervo pessoal

Necessário para conter a disseminação do novo coronavírus no Estado, o isolamento social mudou o comportamento de compras dos clientes. Para amenizar os impactos negativos da falta de circulação de gente para essas empresas, entidades como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) têm atuado para que as pessoas consumam produtos e serviços de micros e pequenos empreendedores locais. Exemplo disso é o movimento "Compre do Pequeno", iniciativa que tem como objetivo fortalecer a economia e incentivar o mercado dos pequenos negócios. 

De acordo com a Assessora Executiva do Sebrae, Alice Mesquita, a ideia é estimular a sociedade, de uma forma geral, a consumir produtos e serviços oferecidos por micro e pequenas empresas. "O movimento Compre do Pequeno foi intensificado durante a pandemia, período em que micro e pequenos empreendedores tiveram queda nas vendas e nos faturamentos”, afirma.

Por meio de consultorias gratuitas e palestras coletivas, o Sebrae coloca ao alcance dos donos de pequenos negócios um catálogo de conteúdos sobre acesso a crédito, controle da movimentação financeira, marketing digital, fluxo de caixa e diversos outros assuntos. "O Sebrae tem como característica preparar o empreendedor visando a melhoria da gestão de empresas. Queremos fazer com que as pessoas percebam que incentivando os pequenos negócios, elas melhoram o comércio local, gerando empregos e contribuindo para a economia”, reforça.

Adaptação

A pandemia acabou gerando novas oportunidades de inovação. Os consumidores em casa adotaram o e-commerce como forma de compra segura, seja com recebimento em casa ou optando por retirar o produto na loja. Passou então a ser necessária uma resposta mais rápida e uma logística eficiente para a entrega dos pedidos.

E se o comportamento do consumidor está mudando, os varejistas estão trabalhando rápido para se adaptar e reagir, criando novas estratégias para acompanhar o ritmo. A adoção do e-commerce foi uma das alternativas encontradas pela jovem Talita Oliveira para manter as vendas da sua marca de biquínis, Florescer Moda Praia. "Cerca de 80% do nosso faturamento era fruto do atendimento presencial na nossa loja do Centro Fashion. Já vínhamos trabalhando no meio digital, mas nada muito expressivo. Com o fechamento do comércio, fortalecemos a venda online com o objetivo de nos aproximar dos nossos clientes e garantir os empregos da equipe", explica.

Apesar de já estarem presentes no meio online, o casal de empreendedores Mayara Souza e Werley Fernandes também precisou repensar a forma de atender os clientes da Maju Ótica. “Antes, o cliente entrava em contato conosco através das nossas redes sociais e agendava um dia para levarmos a maleta com as armações para concretizar a venda. Hoje, não temos mais esse contato presencial. Nosso motoboy leva a maleta totalmente higienizada até a casa do cliente para que ele faça a escolha do produto. É uma nova forma de atender”, finaliza. 

Legenda: Mayara Souza, proprietária da Maju Ótica
Foto: Acervo pessoal

Indicadores

Dados do Sebrae apontam que, só em 2020, no Estado, foram mais de 93 mil novas empresas abertas, enquanto 29 mil fecharam as portas, gerando um saldo positivo de quase 64 mil novos empreendimentos. Desse total 90,7% são pequenos negócios, num avanço de quase 58 mil novas empresas geradas em plena pandemia.

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