Passageiros ainda encontram dificuldades no transporte coletivo

Mesmo com a diminuição dos ataques criminosos em Fortaleza, usuários de ônibus revelam que as linhas tiveram alterações nas rotas, e o tempo de espera nas paradas ainda é longo

Apesar do recuo das ações criminosas no Ceará, os usuários do transporte público ainda sentem os efeitos da violência. Ônibus com trajeto alterado, demora na chegada do veículo e passageiro deixado no meio do percurso, antes mesmo de chegar ao destino. A reclamação vem do próprio usuário, que mesmo tendo o direito de ir e vir garantido na Constituição Federal, enfrenta diariamente o drama de um serviço incerto.

O problema fica ainda mais acentuado na periferia de Fortaleza, principal alvo de ataques no mês de janeiro e onde foi registrado o último incêndio a coletivo na Capital. No dia 29 de janeiro, o ônibus da linha 626 Sítio São João/Parque Santa Maria foi tomado por fogo, no Jangurussu. Como consequência, bairros vizinhos tiveram frota reduzida e trajeto alterado.

A poucos metros dali, no Conjunto Palmeiras, moradores denunciam que as linhas 660 Sítio São João/Palmeiras/Centro e 629 Centro/Palmeiras cortam caminho, não cumprindo todo o itinerário e o intervalo entre um ônibus é ainda mais longo. 

Se pegar a condução já demandava a professora Angeline Freire, 42, “coragem por conta da insegurança”, agora, que o coletivo não passa em frente à sua residência a sensação de medo se juntou a indignação de ter que andar cerca de dez quadras para conseguir fazer o embarque e ainda ter os pertences roubados enquanto fazia o percurso.

“Eu tive que me deslocar da minha casa em plena cinco e meia da manhã, mais cedo do que eu costumo sair para ir atrás do ônibus, já que ele não está entrando na minha rua. Acabei sendo assaltada e levaram tudo que tinha na minha bolsa, documentos, material de trabalho e celular. É muito ruim viver a mercê dos bandidos sem nenhuma segurança”, opina.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras, Benevaldo Vieira, com a mudança da rota, que contempla somente as ruas mais movimentadas da área, os ônibus se distanciam “cerca de um quilômetro de algumas casas”, o que para ele é um desrespeito aos usuários.

“Como eles não estão autorizados a circular dentro do bairro como um todo, quem paga o prejuízo somos nós que precisamos de ônibus manhã, tarde e noite. Um bairro desse com mais de 40 mil habitantes que estudam e trabalham em outros lugares fica difícil ou quase impossível o deslocamento dessa gente. Precisamos de respeito”, clama Benevaldo Vieira.

Manifestação

Na tarde de ontem (6), moradores do bairro reuniram-se em frente à Escola Municipal Marieta Cals, na Avenida Val Paraíso, para reivindicar a normalização do transporte coletivo. O ato reuniu cerca de trinta manifestantes, entre moradores e pessoas que trabalham na área, como a cuidadora do lar, Rachel Roza, de 23 anos. De domingo a domingo,ela precisa estar no serviço.

Além dos moradores do Conjunto Palmeiras, usuários do transporte público dos bairros Ancuri, Sítio São José, Vila Velha, Parque Santa Maria, Parque Elizabete e até o Dendê e Meireles reclamam das alterações de rota e dos transtornos causados pelas incertezas do serviço .

Em nota, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) esclarece que apenas cinco linhas de ônibus realizam o itinerário com desvios na rota em “área de risco potencial de incêndio, mas não identificou quais estão incluídas na mudança temporária. 

Sobre o intervalo de espera dos ônibus, o órgão informou que a operação já “está normalizada”, versão bem diferente da contada pela cozinheira Lucilene da Silva, 49. “Graças a Deus, eu uso pouco ônibus, mas minha filha precisa ir para a faculdade que é bem longe daqui. Tem dias que ela passa mais de meia hora esperando e chega bastante atrasada em alguns compromissos. Não está fácil para as pessoas daqui”, revela. 


 


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