“O medo era minha maior companhia”, diz jovem sobre a avó de 92 anos curada dos sintomas da Covid-19

A senhora de 92 anos foi internada após apresentar febre, tosse e dor de garganta

A comemoração no corredor do hospital em que estava internada marcou a alta médica de Djanira Vieira do Nascimento, de 92 anos. A idosa, que deu entrada na unidade de saúde localizada em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), para tratar os sintomas da Covid-19, voltou para casa recuperada na última sexta-feira (29), com a alegria e força que a ajudaram a ser curada, como afirma a neta Eduarda Santos Vieira do Nascimento, 19.

Idosa deixa UPA e segue para casa
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Foto: Reprodução de vídeo


 
Foram dias turbulentos na família da jovem que se encerraram com a alta  também de seu pai, Ednaldo Vieira do Nascimento, 54, neste domingo (31) após contrair o novo coronavírus, informou Eduarda. Agora, com todos em casa, junto ao irmão, a estudante de direito relata os dias difíceis de enfrentamento da doença. Ednaldo chegou a ficar internado em Maranguape, mas depois foi transferido para o Hospital Leonardo da Vinci.
 
“Meu pai era responsável pela higienização da minha avó e também pelas compras semanais. No Dia das Mães, ele começou a apresentar os sintomas e, partir daí, ele se isolou de nós. Mas, já dois dias depois ela,  começou também  a apresentar os sintomas e ficou debilitada. No outro dia, ela já estava pior, desidratada e não estava mais respondendo aos estímulos”, disse a estudante.
 
Eduarda Nascimento decidiu, então, levar a avó ao hospital. Após receber o atendimento da equipe médica, Djanira foi constatada com os  sintomas da Covid-19. Entre idas e vindas à unidade de saúde, em um intervalo de mais de 10 dias,  a idosa foi finalmente internada. 


 
“Levamos ela à unidade hospitalar. Lá, nossa avó foi medicada e atendida. Voltamos para casa e ela passou três dias tomando antibióticos, mas foi piorando novamente. Aí levamos novamente ao hospital. Ela voltava bem, mas depois piorava. Até que na sexta-feira (22), conseguimos o leito e decidimos interná-la. Nesse dia, nosso pai também foi internado”, relatou a jovem.
 
A jovem afirma que o teste rápido feito em Djanira e Ednardo deram, a princípio, negativo, mas, após exames mais detalhados, os médicos comprovaram que o quadro clínico que mãe e filho apresentavam era da Covid-19.
 
Iniciava-se, assim, para Eduarda, um dos momentos mais difíceis de sua vida. Com o pai internado em um hospital municipal de Maranguape e a avó em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na mesma cidade, a jovem tinha a companhia diária do medo e da tensão. 

Ednaldo Vieira do Nascimento, 54, também se recuperou da doença
Legenda: Ednaldo Vieira do Nascimento, 54, também se recuperou da doença

 
“O medo era minha maior companhia. Foi o momento mais difícil por causa da idade da minha avó. Foi de doer o coração. Eu passei noites em claro e quando dormia, eu sonhava com o pior. Como se tratava da minha avó, as pessoas insinuavam para eu me preparar para a perda. Falavam que seria feita a vontade de Deus. O sentimento de impotência foi grande. Eu sentia a dor do meu pai e dela”, disse Eduarda.
 
A jovem relata ainda a angústia de presenciar a doença na própria família e o terror da enfermidade se tornar realidade entre os entes queridos. “São mais de 28.000 mortes. Os pacientes são tratados como um número. Mas quando passamos por essa situação, sabemos que não é mais apenas um número. Me desesperei, tinha medo de dormir e acordar com a pior notícia. Tinha medo de tudo”.
 
Apesar do sofrimento, Eduarda relata que encontrou na força da própria avó a esperança de cura do pai e de Djanira. “Conhecendo a minha avó e a luta dela nesses 92 anos, eu tive esperança. A história dela é de garra, de força. Eu sei que um dia ela vai partir, mas eu não queria que fosse dessa maneira, não queria que fosse uma partida solitária”.
 
Com a chamada “força solidária”, a estudante afirma que a recuperação do pai e da avó foi um conjunto de ações realizadas profissionais da saúde e das preces dos amigos e da família.

Dona Djanira já está em casa e feliz
Legenda: Dona Djanira já está em casa e feliz

 
“Ela foi muito amada por todos profissionais que cuidaram dela. Os médicos, enfermeiros, maqueiros. Todo mundo criou um elo de amizade e carinho. E essa é minha maior gratidão a todos os profissionais, que amaram ela como nós amamos. Minha avó foi muito amada e cuidada”, desabafou Eduarda.
 
“A gente venceu. Eu tive medo que a história das pessoas que eu amo se encerrasse com a doença, mas não, a gente venceu. Eu nunca aceitei que esse era o fim. E agora eles estão em casa. Agora, minha avó está aqui. Ela voltou. Corada, conversando e com saudade da casa dela”, concluiu.



Redação 08 de Julho de 2020