Número de testes para o novo coronavírus no Ceará pode triplicar em até dois meses

São adquiridos insumos para realização do diagnóstico, além da ampliação da rede capacitada para coleta e análise de infecção pela Covid-19

Legenda: Testes clínicos vão ser feitos nos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e na Universidade de São Paulo
Foto: Foto: Ministério da Saúde

Com a aquisição de 20 mil testes convencionais e outros 500 mil kits do tipo rápido para o diagnóstico do novo coronavírus, a capacidade de identificação da doença no Ceará deve triplicar em até dois meses, segundo a Secretaria de Saúde do Ceará. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), em Fortaleza, e a Universidade Federal do Cariri (UFCA), em Juazeiro do Norte, devem integrar a rede de diagnóstico.

No Hemoce já existe um ambiente adequado com uma cabine NBII, de segurança biológica, cedida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de dispositivos para a coleta e realização do exame. Também deve ser enviado um novo equipamento pela Fiocruz para o Estado até a próxima semana.

Os profissionais da rede pública do Cariri devem utilizar um laboratório de diagnósticos nível 3 de segurança na Faculdade de Medicina da UFCA. Já existem equipamentos necessários para o diagnóstico da Covid-19, mas a Universidade deve apenas ceder o espaço.

Já os insumos para o diagnóstico do novo coronavírus levam de 30 a 60 dias, em média, para chegar ao Ceará, de acordo com a Sesa, quando a capacidade de realização dos exames deve triplicar em comparação com o cenário atual. Os 500 mil testes rápidos, que analisam a reação do organismo ao contágio pelo vírus, foram obtidos pela Secretaria e devem ser recebidos nos próximos 15 dias. Os kits serão encaminhados para as unidades de saúde estaduais da Capital e do interior.

Os materiais reagentes para a realização dos exames, enviados somente pela Fiocruz, devem chegar em remessas nos dias 4, 16 e 20 de abril, totalizando 20 mil testes do tipo. Eles analisam a presença do vírus no corpo do paciente com suspeita de coronavírus. Também são pleiteados kits para a detecção da Covid-19 e extração manual de amostras com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos).

Os pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermarias, além dos profissionais da saúde, são priorizados para a realização dos exames devido a demanda intensa. São testados também os casos de óbitos com suspeita da doença.

Desde os primeiros registros do novo coronavírus no Ceará, no dia 15 de março, foram identificadas 359 pacientes com a doença e cinco pessoas morreram em devido ao vírus, de acordo com o boletim divulgado no último domingo (29) pela Sesa. 

Procedimento

No exame convencional, são feitos testes de biologia molecular que identificam a carga genética do vetor da doença para o diagnóstico do novo coronavírus. As amostras testadas são colhidas de secreções das vias respiratórias, como nariz e garganta, dos casos suspeitos. Esse procedimento é feito por meio de sonda ou pelo swab, haste de plástico com algodão nas pontas.

Essas coletas são feitas em unidades de saúde, públicas e privadas, e encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen). Algumas unidades particulares encaminham materiais para análise em laboratórios de São Paulo. Ao todo, cerca de 10% dos testes precisam ser refeitos para comprovar o contágio da doença.

As demandas se intensificaram no Lacen que passou de até 100 exames realizados por dia, no início de março, para cerca de 500 testes diários, logo após as primeiras confirmações da doença. A capacidade de diagnóstico também aumentou, em 320 exames por dia, com o empréstimo de dois equipamentos dos laboratórios da Universidade Federal do Ceará. A produção de kits de swap aumentou de 10 kits para 1.300 diariamente.

No Estado, o primeiro paciente com coronavírus foi confirmado no dia 15 de março e, cinco dias depois, a Sesa oficializou que o Estado chegou a transmissão comunitária, quando não é possível saber a origem da infecção.

Quem são as vítimas

No Ceará, os três primeiros óbitos por coronavírus ocorreram de 4 a 11 dias após primeiros sintomas, de acordo com informações da Sesa. As vítimas foram duas mulheres, de 84 e 85 anos, e um homem de 74 anos. Os três tinham doenças crônicas pré-existentes e moravam em Fortaleza.

De acordo com a Sesa, a mulher de 85 anos morreu quatro dias após apresentar os primeiros sintomas e não passou por internação em unidade hospitalar. Já o homem de 74 anos permaneceu 11 dias com a doença e ficou 5 dias internado. O caso da idosa de 84 anos evoluiu durante nove dias, dos quais dois ela passou em internação. As informações são do sistema oficial de notificação do Ministério da Saúde (Redcap).

Camilo prorroga decreto

Para tentar frear a transmissão da doença, dentre outras medidas, o governador Camilo Santana emitiu um decreto no dia 19 de março restringindo a abertura de espaços como bares, comércios, igrejas e escolas e autorizando somente a manutenção dos serviços essenciais como farmácias, supermercados e hospitais. Neste domingo (29), ele prorrogou o Decreto por mais uma semana, até o dia 5 de abril.

Além disso, o Estado segue recomendando o isolamento social como forma de barrar a transmissão do coronavírus que no Estado vem apresentando, apesar das variações, uma curva de contaminação muito alta, com muitos casos confirmados em um curto intervalo de tempo.



Redação 05 de Junho de 2020