Novo software que reconhece uso de máscaras e distanciamento social é desenvolvido por pesquisadores

Negociações com restaurantes de Fortaleza já foram iniciadas e dois estabelecimentos já tem experimentado os adventos da pesquisa

Software em ação em cozinha de restaurante
Legenda: Software em ação em cozinha de restaurante

No Ceará, pesquisadores, entre médicos, alunos e professores, do Laboratório De Processamento De Imagens, Sinais e Computação Aplicada (LAPISCO), do Instituto Federal do Ceará (IFCE), com participação de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), desenvolveram o Inspetor Sanitário Inteligente (ISI), software com capacidade de reconhecer o uso de máscaras e toucas, assim como de checar se o distanciamento social está sendo seguido pelos garçons e demais pessoas do estabelecimento. Conforme o doutor em engenharia teleinformática, Pedro Pedrosa Rebouças, a iniciativa busca contribuir no combate e prevenção ao novo coronavírus. 

Com o início da quarentena, as pesquisas foram iniciadas para construir ferramentas que apresentassem soluções e facilitações para o período da pandemia. Ao final do mês de março, segundo o pesquisador, um cenário de análise de dados do coronavírus foi desenvolvido com o que intitularam de “Monitor Covid-19”. 

 

“Então, depois disso, fomos ver o que conseguiríamos fazer com análise de imagens para aplicações em geral. Em abril já tínhamos os analíticos de máscara, touca”, explica o professor associado do IFCE e também coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens, Sinais e Computação Aplicada (LAPISCO).

Após conseguir desenvolver as ferramentas tecnológicas capaz de reconhecer os uso de máscaras e toucas, iniciaram, em maio, o processo de avaliação do método e do sistema ao implantar o software na cozinha de alguns restaurantes. 

Para o médico e pesquisador, Rodrigo Astolfi, um dos idealizadores do programa, a análise dos indicativos da Covid-19 é importante porque alerta para a possibilidade da existência de vírus e bactérias nos alimentos que estão sendo consumidos, principalmente nessa fase de abertura da economia no Ceará. 

“É um software único no Brasil, raríssimo, feito por pesquisadores brasileiros e em breve vocês vão ver isso em vários restaurantes, podendo saber o quão seguro é aquilo que estão comendo”, afirma Rodrigo. 

Relevância

Para Pedro, o principal motivo que o levou a participar do teste foi a perspectiva de retorno para a sociedade. Acostumado a realizar experimentos, estudos e análises, compreende que a contribuição pode ser ainda maior quando a ideia consegue ser transformada em prática.  

“A gente busca sempre colocar o conhecimento científico na prática para ajudar diversos setores, como a gente fez com restaurantes agora e como já tínhamos feito com o ‘Monitor Covid-19’, de análise de dados com maior exatidão”, afirma. 

Mortes por Covid-19 em Fortaleza

Segundo explica, os pesquisadores foram percebendo que o software poderia ter um impacto no cotidiano e na nova rotina após o coronavírus. “O Rodrigo propôs que a gente fizesse esse projeto, que daria uma segurança e relevância, podendo proteger as pessoas. Dessa forma, elas saberiam que o estabelecimento tem uma vigilância sanitária real”, acrescenta.

Crescimento

Na perspectiva da estudante de medicina Raiane Carneiro, do grupo de iniciação científica do departamento de cirurgia da UFC, a possibilidade de estar acompanhando o desenvolvimento desse projeto é essencial para seu amadurecimento enquanto pessoa, acadêmica e futura profissional. 

O contato com as burocracias envolvendo a pesquisa, a compreensão dos protocolos e das etapas  realizadas, a faz conseguir visualizar as descobertas científicas com um olhar mais amplo. “Falando como estudante, participar dessa pesquisa é algo muito importante e engrandecedor. Nos ajuda a perceber até como todas as outras pesquisas que estão acontecendo no mundo nesse período”, afirma.