Movimento na Av. Beira Mar pede o fim da violência contra os idosos

Atividade foi articulada pela Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Ceará e contou com a participação de aproximadamente 500 pessoas na manhã deste sábado (15)

Legenda: Idosos estiveram reunidos na Avenida Beira Mar, em Fortaleza, em prol da conscientização da sociedade
Foto: FOTO: NATÁLIA ROCHA

Ainda era cedo da manhã quando os primeiros simpatizantes começaram a concentração na Avenida Beira Mar para uma caminhada no Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa (15/06). Até as 9h, cerca de 500 participantes se somaram a causa, incluindo representantes do interior do Estado, com destaque para os municípios de Itaitinga e Palmácia.  

A atividade, primeira neste formato articulada pela Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Ceará, é promovida dentro de um contexto difícil para esse público. O nosso Estado é o primeiro do Nordeste em denúncias de violências contra idosos. Nos seis primeiros meses de 2018, o canal Disque 100 registrou 725 denúncias daqui. Foram identificados 3.065 casos de violência praticados. A Bahia, segunda colocada, aparece com 691 denúncias. 

Adalgiza Souza Serafim, 87 anos, era uma das presentes na ação. Aposentada, ela se orgulha dos 20 anos dedicados ao trabalho de lavadeira, com o qual sustentou e investiu na educação de três filhos. “Eu sou analfabeta, meu ex-marido nos abandonou quando eu era muito jovem, mas eu cuidei deles e hoje graças a Deus vivo muito bem e ainda ajudo meus netos”, relata. 

Ela frequenta as reuniões de idosos, toda segunda e quarta, no Lar Torres de Melo, há 23 anos. É uma forma de entreter-se nessa fase da vida. “Estou aqui, na verdade, para evitar que meus amigos passem por situações dolorosas”, declara. 

Lineu Nascimento (nome fictício), 61 anos, sofreu abuso financeiro há 2 anos e participou da atividade para reivindicar seus direitos. “Fui vítima da minha família. Eu pensei que eles me amavam, mas só queriam o que eu tinha. Sofri um AVC em 2017 e passei três semanas no hospital. Quando eu voltei, não tinha mais nada no meu comércio. Alugaram uma casa e me deixaram lá. Minha vizinha descobriu e agora estou no abrigo”, desabafa. 

Diálogo 

O pouco investimento governamental em instituições de acolhimento que atendam esse público é “o grande calo não só do Ceará, como de todo o Brasil”, afirma o presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB Ceará, Raphael Castelo Branco, responsável pela articulação desta primeira caminhada. 

“Temos tentado aprimorar o diálogo junto a Secretaria de Proteção Social do Estado e da Secretaria de Planejamento e Gestão, no sentido de entusiasmar o Ceará a realmente direcionar maiores investimentos nessa categoria. Temos 1 milhão e 300 mil idosos só aqui. É um público crescente. Se não tomarmos iniciativa, num futuro bem próximo, a situação tende a ter maiores dificuldades”, avalia. 

O presidente da OAB no Ceará, Erinaldo Dantas, também se fez presente na ação e reforçou a pauta como prioridade da gestão. “Talvez seja a pauta mais importante da Comissão do idoso. Muitas vezes as pessoas pensam que o idoso é um problema de ordem financeira, mas muitos deles são o sustento da casa e mesmo assim sofrem todo tipo de violência. Precisamos garantir que eles tenham o mínimo de dignidade já no fim da vida”, concluiu. 


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Redação 03 de Julho de 2020