Morre criança que estava na fila de espera por transplante de coração

"Paulinho", como era conhecido pela equipe médica, estava internado há 52 dias, segundo a família

Acabou na noite da última sexta-feira (11) a luta pela vida do menino Paulo Roberto Vieira Bezerra, que tinha apenas 1 ano e 5 meses. Ele estava na fila de espera por um transplante de coração há 52 dias, no Hospital do Coração Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em Messejana. “Paulinho”, como era conhecido pela equipe do hospital, convivia desde os três meses de idade com uma doença congênita no órgão.

Em outubro, o Diário do Nordeste havia mostrado a história de Paulinho, à época há 30 dias no hospital, sobrevivendo com a ajuda de uma bomba artificial que exercia a função do coração. Segundo a tia da criança, Marlene Freitas, até havia surgido um coração para o menino - que era prioridade na espera - no fim do mês passado, mas por problemas de compatibilidade entre Paulinho e o órgão, não foi possível realizar o transplante.

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“Ele foi um guerreiro mesmo, passou muito tempo resistindo e chegou um momento no qual os outros órgãos já não conseguiam ter o mesmo desempenho”, lamenta Marlene. Paulinho faleceu em Fortaleza, por volta das 22h10 de ontem. Natural da cidade de Canindé, a 110 km da Capital cearense, ele era uma das 735 pessoas que estão atualmente na fila de espera por um órgão, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa).

Segundo a Central de Transplantes da Sesa, até o dia 14 de outubro deste ano, foram realizados 1.371 cirurgias entre transplantes de coração, fígado, rim, pâncreas, pulmão e córnea. Durante todo o ano de 2015, foram realizados 1.433 procedimentos. No mês passado, na unidade em que o menino Paulinho estava internado, cinco crianças aguardavam um novo coração.

Ceará lidera

Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Ceará é o maior doador de órgãos do Nordeste e o quinto do Brasil. O levantamento fez um comparativo entre os meses de janeiro e setembro deste ano ante igual período de 2015, levando em conta o número de doadores por milhão de população (pmp).

Entre os estados com mais de 25 doadores por milhão de população, o Ceará apresentou crescimento de 21,1% no período, avanço acima da média nacional (3,6%). Segundo a Sesa, a meta é diminuir ainda mais a média de espera por transplantes e considera essencial a solidariedade das famílias de doadores de órgãos em ajudar possíveis receptores.

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