Moradores do Titanzinho reclamam da invasão de areia em suas casas em temporada de ventos fortes

A Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos informa que a prefeitura tem realizado projetos na àrea para minimizar os impactos a comunidade

Areias invadindo as casas no Titanzinho virou um problema constante, segundo moradores
Legenda: Areias invadindo as casas no Titanzinho virou um problema constante, segundo moradores
Foto: Reprodução TVD

A temporada de ventos fortes no Ceará, que é típica do segundo semestre, traz consigo um transtorno que os moradores da comunidade do Titanzinho, no bairro Serviluz, têm convivido anualmente: a invasão da areia da praia a suas casas. De acordo com alguns residentes, a intervenção para obra de uma Areninha, na localidade, e a falta de retirada constante da areia, por orgãos responsáveis, agravou a situação. 

Entre os meses de agosto e dezembro, em Fortaleza, os ventos podem chegar a mais de 50km/h, e suas consequências tem tirado a tranquilidade da moradora do Titanzinho, Maria Monteiro de 56 anos. Segundo a costureira o problema tem piorado. “Eu moro aqui a mais ou menos uns 25 anos, mas há alguns anos, algumas gestões não deixavam essa areia invadir assim”, relata. “Na semana passada, não passava carro aqui, porque a areia simplesmente invadiu”, relembra.

De acordo com Maria, logo que denuncia era feita “imediatamente vinha um trator com muitas caçambas" para fazer a limpeza, o que não tem acontecido ultimamente. Além disso, a moradora aponta que no passado eram feitos serviços paliativos para conter a areia, mas destaca que nunca tiveram algo que resolvesse a situação definitivamente. “Plantaram salsa, uma época, depois fizeram uns paredãozinhos de palha de coqueiro. Então, quer dizer, por um ano a gente aliviava e aí depois voltava o problema, e a gente sempre lutando por um projeto que aliviasse esse problema de uma vez por todas”, pontua Maria.  

"A tendência [agora] é essa, a areia invadir cada vez mais. Porque eu não sei quem está responsável por limpar isso aqui, mas seja quem for o responsável, por favor, limpem", pede Maria Monteiro.

A marisqueira de 39 anos, Maria de Fátima Lourenço, destaca que o dia a dia no local fica muito difícil, pois além do trabalho para trazer sustento para casa, o trabalho doméstico dobra e o trânsito na região é afetado. “Fica muito difícil, por conta da areia que o vento traz para dentro de nossas casas. Chega a atrapalhar até o trânsito porque fica areia no meio das passagens”, comenta. “Aqui o problema não tem como resolver. É diariamente a limpeza. É muita areia mesmo”, completa. 

Os moradores da comunidade também acreditam que a construção da Areninha, além de ter proporcionado uma maior invasão da areia as suas casas porque quebraram a mureta de contenção anterior para realizar as obras, pode não ter o resultado esperado por causa desse problema anual. “Essa Areninha que estão fazendo ali, se eles não fizeram um serviço para conter a areia, é um dinheiro jogado fora. E esse dinheiro é nosso, esse dinheiro é do povo”, frisa a costureira. 

Ações de contenção 

Ao ser questionada sobre a situação pela reportagem, a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) informou, por nota, que a retirada da areia da pista é feita semanalmente, sendo devolvida para a duna, já que trata-se de uma Área de Proteção Permanente (APP). Também destacou que em janeiro de 2017, a Prefeitura de Fortaleza construiu a nova Avenida Pontamar que “foi alargada, pavimentada e que hoje permite o tráfego pela orla marítima do Titanzinho”.
 
Outra intervenção que acontece na região tem como objetivo a urbanização de mais um trecho da orla, contemplando as avenidas Leite Barbosa e Pontamar. O projeto, que irá beneficiar, aproximadamente, 2 km de extensão, contempla a contenção da faixa de areia que, devido à força dos ventos, invade a pista e as casas dos moradores. 

As medidas adotadas para a retenção da areia são: o plantio de vegetação nativa e a execução de cercas guias de corrente eólica feitas com palha de coqueiro e barrotes de eucalipto, que irão direcionar os ventos de forma que a areia não seja levada para a via. As obras têm conclusão prevista para julho de 2021. 

 

 

  

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