Medo ainda causa resistência contra vacina; Conheça mais sobre a imunização

Fatores psicológicas geralmente estão associados à rejeição ou receio em tomar injeção, segundo a coordenadora de imunizações da SMS. Campanha contra a influenza tem início nesta quarta-feira (10), em todo o estado.

Legenda: Fortaleza conta com 113 postos de saúde e 26 escolas municipais onde a vacina contra a gripe pode ser encontrada
Foto: Foto: Divulgação

Passado pouco mais de um século da chamada Revolta da Vacina, esse método de imunização conquistou avanços tanto na ciência quanto na consciência popular, embora ainda encontre resistências. A busca por um corpo mais saudável requer uma série de vacinas ao longo da vida, assim como orienta o Calendário Nacional de Vacinação, do Ministério da Saúde

A pequena Maria Luiza ainda não nasceu, mas já conta com essa proteção, através da mãe. Grávida de sete meses, Thalita de Oliveira, 29, está seguindo as orientações de vacinação à risca. A enfermeira já tomou todas as três doses específicas para gestantes (Hepatite B, DT e dTpa) e aguardava o início da campanha contra a Influenza, que teve o início antecipado para este dia 10. "Eu acho que a gente tem um dos melhores sistemas de vacinas do mundo e elas são para proteger. Tudo que eu puder fazer pra proteger minha filha de qualquer tipo de doença eu vou fazer”, relata.

Assim como fez dona de casa Hirisdênia Gomes Lima Facundo, 35, mãe de Iago e Vinícius Lima Facundo. As crianças de 12 e 4 anos, respectivamente, sempre foram vacinadas no posto de saúde, com exceção de duas vacinas para Iago que precisaram ser pagas, como uma de meningite. Segundo a mãe, a dose específica ainda não era fornecida pelo sistema público. Ela e Thalita afirmam ter tido facilidade em encontrar o método de proteção nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Para a coordenadora de imunizações da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), Vanessa Soldatelli, a atitude das mães  é comum a maioria dos brasileiros. “As pessoas hoje têm mais consciência da importância da vacinação e do que a vacina causa no organismo, que é a proteção contra doenças imunopreveníveis”, declara. Ela explica que a preocupação maior deixou de ser apenas as crianças, como antigamente, tornando adultos e adolescentes mais interessados e acessíveis a ideia dessa proteção imunobiológica. “Apesar dessas ondas antivacina, a gente ainda está conseguindo progredir nesse assunto”, diz.

Resistência

Mesmo a contragosto, Thalita de Oliveira reconhece a importância da vacinação. “Não vou mentir, não gosto de tomar vacina porque dói e às vezes tem alguma reação mas, se é para evitar que minha filha fique doente e eu também, vou estar aplicando". A grávida ressalta que é preciso "pensar na saúde e no bem-estar das pessoas que ama", além de buscar informação sobre o assunto.

Segundo Hirisdênia Gomes Lima Facundo, alguns pais ainda receiam vacinar os filhos, estendendo a discussão, inclusive, em grupos em que participa nas redes sociais. "Pela incerteza e por não conhecer, algumas pessoas têm medo de dar a vacina. Já eu dou pelo fato de que prefiro prevenir. Sou a favor da vacina, sim. Inclusive, mesmo que paga, para quem tem condições, pois o que mais vale é a vida dos nossos filhos", afirma.

O medo da dor da injeção é um dos maiores receios de quem evita a vacinação, segundo Vanessa Soldatelli. "É um medo que está associado ao fator psicológico que pode interferir no momento. Uma dor muito grande, de uma pessoa muito tensa na hora de fazer a vacina, pode levar a uma síncope, um desmaio, pânico, espasmo. Então temos um cuidado para evitar danos maiores, porque realmente existem pessoas que têm medo da injeção.” 

Em entrevista para o Sistema Verdes Mares, a coordenadora de imunizações da SMS, Vanessa Soldatelli, tira dúvidas comuns sobre a vacinação. Confira:

O que são as vacinas?

A gente tem uma proteção passiva e temporária, que a criança recebe da mãe através do aleitamento materno ou com a própria doença, e nós temos essa proteção ativa que são as vacinas, que conseguem uma proteção mais prolongada. Então, são produtos capazes de conferir ao organismo proteção contra determinadas doenças causadas por vírus, bactérias com uma ação mais prolongada que, aliás, é o meio mais seguro de proteção contra as doenças imunopreveníveis.

Qual a importância de se vacinar?

Como elas conferem uma proteção permanente ou prolongada - a maioria das vacinas é permanente, para vida toda, já outras você tem que tomar um esquema vacinal com várias doses -, a importância é proteger o organismo de doenças imunopreveníveis, que algumas já foram até erradicadas e estão sendo controladas, evitando o adoecimento, a morbidade e a mortalidade por essas doenças. A intenção é manter a população inteira protegida, direta ou indiretamente, de doenças que são evitáveis. 

Como avalia os casos de pessoas que ainda são resistentes à vacinação?

Já tem bem menos do que antigamente. Eu acho que com o trabalho que a gente vem fazendo, pois há praticamente 200 anos já se tem vacinas no mundo inteiro, principalmente aqui no Brasil, onde já conseguimos erradicar algumas doenças e eliminar outras, como a varíola, e estamos em processo de eliminação da poliomielite, do sarampo e da rubéola, eu acho que isso mudou muito apesar de terem pessoas que são resistentes ainda. As pessoas, hoje em dia, têm mais consciência da importância da vacinação e do que a vacina causa no organismo, que é a proteção contra essas doenças.

Recentemente, tivemos um caso de uma pessoa que, nessa luta antivacina, acabou contraindo catapora na fase adulta, quando a doença é mais grave - ainda mais que na infância. Então, eu acredito que isso mude muita coisa porque uma pessoa que não acredita em vacina, nunca se vacinou e adoeceu por uma doença imunoprevenível, que podia ser prevenida pela vacinação, possa ter uma mudança bem significativa a partir de agora em relação a essa questão. Mas a população em geral já mudou muito essa relação com a vacina que tinha antes. Antigamente a preocupação maior era imunizar e proteger as crianças, hoje em dia não, os adultos procuram pela vacinação, os adolescentes já estão procurando mais pela vacinação e aceitam muito mais quando a gente vai nas escolas fazer campanha de vacina contra HPV, contra meningite. Apesar dessas ondas antivacina, a gente ainda está conseguindo progredir nesse assunto.

Quais os cuidados que se precisa ter na hora da vacinação?

A gente observa se a pessoa não está com nenhum quadro infeccioso no momento, principalmente a febre. A pessoa com tosse, coriza, alergia e qualquer problema desses pode ser vacinada sem nenhum risco. Mas a febre a gente tem uma precaução maior porque a pessoa pode confundir aquela febre com um evento adverso causado pela vacina, então evitamos vacinar qualquer pessoa com febre. Alguns cuidados específicos em relação a vacinação são para quem tem alergia, que não tem, quem pode e quem não pode se vacinar.

Fora isso, temos um cuidado principalmente com os adolescentes porque eles dificilmente procuram um posto de saúde, normalmente são mais saudáveis, estão na escola e no mercado de trabalho, então são os que mais tem medo de vacina. A gente tenta ter o cuidado de não colocar muitos adolescentes no mesmo ambiente de vacinação, de colocar cadeira para eles sentarem antes de receber a vacina, observar durante um período após a vacinação porque eles podem ter uma síncope... Esses cuidados estão mais relacionados ao medo psicológico do que ao próprio imunobiológico que estão recebendo.

Também passamos por momentos complicados quando determinados casos de óbito por doença imunoprevenível acontecem, pois as pessoas se apavoram um pouquinho e querem logo ser vacinadas. Temos esse cuidado de explicar quem pode, quem não pode se vacinar, para quem aquela vacina está disponível e os cuidados de prevenção para quem não pode se vacinar ou não precisa daquela vacina naquele momento.
 



Redação 07 de Julho de 2020