Manifestantes realizam ato para reivindicar contra truculências policiais

O tratamento que é dado aos moradores de periferias em abordagens policiais e as práticas de tortura aos internos dos sistemas penitenciário e socioeducativo são, de acordo com o grupo, problemas que precisam ser solucionados urgentemente

Legenda: Na estampa de algumas blusas, fotos de entes que se foram. Com o nome de vários destes escritos, cruzes e uma bandeira do Brasil manchada com uma tinta vermelha, que fazia menção ao sangue, foram levados para representar a dor sentida pelos amigos e familiares dos que se foram
Foto: Foto: Kid Júnior

Reunidos com o intuito de chamar a atenção dos órgãos públicos quanto ao tratamento que é dado aos moradores de periferias em abordagens policiais e aos indícios de práticas de tortura aos internos dos sistemas penitenciário e socioeducativo, familiares de pessoas que foram vítimas de algum tipo de violência realizaram, na tarde desta sexta-feira (10), um protesto no bairro Centro, em Fortaleza.

O principal motivo da reunião foi o Dia das Mães, que será celebrado neste domingo (12). "O que temos a comemorar?", questionavam as mães que estiveram presentes na ocasião. Na estampa das blusas, fotos dos entes que se foram. Com o nome de vários destes escritos, cruzes e uma bandeira do Brasil manchada com uma tinta vermelha que fazia menção ao sangue, foram levados à manifestação, no intuito de representar a dor sentida pelos amigos e familiares dos que se foram.

A pedagoga e representante do Fórum Popular de Segurança Pública, Alessandra Félix, diz que o tratamento que é dado pela polícia nas periferias não é o mesmo nos bairros ricos, por isso pede que o governador Camilo Santana reveja a política de segurança pública atual, que, na visão dela, reprime a sociedade. 

"Temos a ciência que os presos devem pagar pelos crimes, mas não devem ser torturados, como foi constatado pelo Mecanismo de Tortura. Muitas vezes nossos filhos não podem atravessar de uma praça para outra, devido ao contexto faccional. Então, a gente ousa fazer o ato para mostrar que a realidade que a gente quer é outra: que o Governo do Estado garanta e promova o direito de ir e vir de todos", pontua. 

Negligência

Há um ano e três meses, o filho da servidora pública Carmem Pereira foi assassinado próximo de casa. A motivação do crime, afirma, nunca foi explicada, o que, para ela, representa uma negligência muito grande da Polícia Civil. Emocionada, ela conta que este será o segundo Dia das Mães sem o filho. E sem respostas quanto às investigações. 

"Assim como eu, muitas mães estão na mesma situação. Independente de eles terem cometido delitos, merece, sim, uma apuração. Isso pode acontecer com outros jovens também. As pessoas pensam que essas pessoas que morreram não tinham recebido educação, amor, cuidado e não tinham uma boa estrutura familiar, mas não é verdade", externa Carmem Pereira.