Mais de 140 mil atendimentos sobre coronavírus foram realizados no TeleSaúde em dois meses

Serviço por telefone diminui demanda das unidades de saúde e telemedicina pode ter aplicação depois da pandemia de Covid-19

Esta é uma foto que mostra médicos usando atendimento virtual
Legenda: Tecnologia permite a realização de consultas médicas ou serviço de tira dúvidas por meio virtual
Foto: Marcelino Jr.

O TeleSaúde, criado para orientar os cearenses durante a pandemia do novo coronavírus, realizou 141.529 atendimentos no período de 18 de março e 24 de maio. O serviço administrado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) dispõe de 150 atendentes e 24 supervisores, como médicos e psicólogos, funciona ininterruptamente por meio do 08002751475.

Entre os usuários do TeleSaúde, 67.453 (47,66%) conseguiram informações sobre a doença no atendimento por telefone e 54.432 (38,46%) pessoas foram orientadas a buscar unidade de saúde após a avaliação. São verificados sintomas e classificação por grupo de risco durante as ligações. O público mais atendido no serviço são mulheres (66,17%) e pessoas entre 31 e 40 anos (22,41%)

Olívia Bessa, diretora de pós-graduação em Saúde da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), explica que as equipes são treinadas de forma técnica, mas com abordagem humanizada. “Normalmente, os usuários perguntam muito sobre a própria doença, os principais sintomas, e pedem orientações de isolamento quando tem paciente com Covid-19 em casa”, acrescenta.

Com os atendimentos por telefone é possível diminuir a demanda nas unidades de saúde, como ressalta Olívia Bessa. “Informação, na verdade, é uma estratégia de enfrentamento às doenças e as pessoas buscam o serviço para ajudar, principalmente, porque é uma doença nova”. A taxa de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) está em 89,48% e as enfermarias estão com 62,52% em uso, como registra a plataforma IntegraSUS, nesta segunda-feira (1º).

Os atendimentos de saúde não relacionados ao novo coronavírus também podem ser realizados por ligações e videochamadas. O médico ortopedista, Rodrigo Astolfi, avalia que as ferramentas ajudam para dar continuidade ao acompanhamento dos pacientes e evitar o contágio pela Covid-19, mas pondera que a comunicação ainda é desafio. “Tem pacientes com menos habilidades para as plataformas eletrônicas, dificuldade com a internet, a fala tem de ser devagar e o atendimento fica até mais lento que o presencial”, explica.

O especialista acrescenta que a tecnologia pode ter aplicação futura, por exemplo, “em pacientes de outros estados, e do interior, a gente pode fazer uma triagem, agilizar um pouco a vida do paciente”. “Havia uma resistência dos médicos, até a pandemia eu não fazia (esse tipo de atendimento), então foi uma tecnologia que a gente teve de se adaptar em uma semana”, conta.

Plataformas

A Prefeitura de Fortaleza também criou um serviço virtual, o Doutor Saúde, para atendimento dos usuários com dúvidas sobre o novo coronavírus. Foram realizadas 3.509 sessões desde o lançamento da plataforma drsaude.fortaleza.ce.gov.br em abril.

O Ministério da Saúde disponibiliza atendimento pelo Disque Saúde 136 e serviço virtual no site da Pasta. Em nota, o Ministério informou que “no Ceará, 2,3 milhões de pessoas já utilizaram os serviços do TeleSUS, o que inclui a ligação para o 136, chatbot, aplicativo e busca ativa. Deste total, 747,4 mil concluíram o atendimento e 187,1 mil estão ou estiveram em acompanhamento pelo Ministério da Saúde”.



Redação 03 de Julho de 2020