Leucemia foi causa da morte de 31 crianças e jovens no Ceará em 2020

Tipo linfóide foi o que mais causou óbitos também em 2019, quando 39 crianças morreram de câncer.

Legenda: Leucemia causou a morte de 31 crianças e adolescentes em 2020
Foto: Helene Santos

Com o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, celebrado nesta segunda-feira (23), acende-se o alerta para temática envolvendo os vários tipos de neoplasias que podem afetar os pequenos. No Ceará, até outubro deste ano, 31 crianças e jovens, de 1 a 19 anos, morreram em decorrência da leucemia linfóide, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa). Em 2019, de janeiro a dezembro, o mesmo tipo de câncer foi responsável por 39 óbitos na mesma faixa etária.

Por definição, de acordo com a pediatra Selma Lessa de Castro, coordenadora do Centro Pediátrico do Câncer e onco-hematologista pediátrica do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), “o câncer infantil é quando um determinado órgão começa a proliferar a células anormais aquela estrutura. Pode ser no sangue, no fígado, no osso, na retina, no sistema nervoso central. Quando uma determinada célula começa a se proliferar de uma forma errada”.

Segundo a pediatra, em geral, a leucemia é o câncer mais comum na infância e na adolescência. Já entre os tumores, o mais comum é o surgimento no sistema nervoso central. “Se for na medula óssea, chamamos de leucemia, quando vão se proliferar células doentes. Leucemia, tumores cerebrais e linfomas são os mais comuns. Isso, no Brasil, de uma forma geral. A nossa maior quantidade é leucemia. Temos uma média de 200 novos casos por ano, nos últimos três anos (2017, 2018 e 2019). Destes 200, 80 são leucemia. Varia de 30 a 40%. Em seguida, vêm os tumores cerebrais e os linfomas”, explica.

Conforme a especialista comenta que os casos de câncer infantojuvenil, em geral, vão passar de 200 neste ano. “Na pandemia, a alteração é em relação à chegada mais tardia porque as famílias têm medo. Pode ter alterado a gravidade dos casos. Uma leucemia que poderia ter sido diagnosticada em março ou abril, foi diagnosticada agora. A criança precisou de mais medicamento, ficou mais grave”, pondera.

Contudo, a especialista afirma que o atendimento não parou, mesmo com a crise. “Nunca fechamos. Hoje temos também uma equipe que faz visitas aos municípios para treinar os profissionais de saúde para esses casos. A dúvida é tirada aqui conosco”, afirma.

O meio mais eficaz no combate ao câncer infantojuvenil é o diagnóstico precoce, conforme a coordenadora do CPC. “Diferente do adulto, que tem fator predisponente, a criança não tem isso. Não tem fator predisponente. A criança deve ser diagnosticada precocemente. Quanto mais rápido ela chega, maior o sucesso no tratamento. Vai usar menos drogas”, pontua.

“A criança que tem uma dor abdominal que não passa. Aquela criança pálida, com dor nos ossos, não come, que tem muitas manchas roxas no corpo. Essas mães devem procurar os postos de saúde, as UPAs e os profissionais de saúde da família. Os sinais são comuns a outras doenças comuns da infância. A criança não quer brincar, não quer ir para escola. Há algo errado com essa criança”, alerta.

O Ceará é considerado referência para Norte e Nordeste para câncer infantojuvenil, de acordo com a especialista. “Temos pacientes do Pará, do Maranhão... Temos um centro que cresceu muito aqui no Ceará. Então, hoje, o cenário de atendimento melhorou. Nós temos o ambulatório de portas abertas no centro pediátrico do câncer, para onde são encaminhadas todas as crianças e adolescentes com suspeita de câncer. Temos o ambulatório. Não precisa marcar consulta”.

“As políticas públicas já evoluíram muito. [O Dia do Combate] é um dia de reflexão e movimento nesse sentido: para melhorar os nossos índices de atendimento. Temos que cada vez chegar mais a excelência”.

Luta

De Pedra Branca, no interior do Estado, as gêmeas Maria Alice e Maria Clara Almeida Moreira, de cinco anos, iniciaram o combate à leucemia quando ainda eram bebês, em 2016. Mãe das gêmeas, Rita Maciel, de 28 anos, viu sua realidade mudar completamente depois dos diagnósticos, que ocorreram com diferença de cerca de dois meses de uma filha para outra.

“Primeiro foi a Maria Alice. Fui pra Fortaleza com ela para iniciar o tratamento. Logo depois, a Maria Clara também foi diagnosticada, depois de passar uma semana com uma febre que não cessava. Então, eu e o pai delas tivemos que alugar uma casa em Fortaleza e, a partir da mudança, nos dedicamos somente ao tratamento delas. Foi bem difícil, principalmente porque nossa família toda estava no interior”, relata.

Depois de quase três anos de quimioterapia no Peter Pan, no Hias, em outubro de 2019, as gêmeas receberam alta do tratamento. “Nós fizemos o mielograma e deu que a medula das duas estava sem a doença. Agora, a gente só leva elas pro ambulatório oncológico para fazer exame de sangue e está tudo bem. Foi uma graça muito grande. Todos os dias nós agradecemos a Deus por esse livramento”, conta.

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Redação 19 de Janeiro de 2021