Lágrimas podem ser vetores de infecção pelo coronavírus, apontam estudos

Aqui no Ceará, casos de conjuntivite analisados por oftalmologistas levam em consideração os outros sintomas de Covid-19

Legenda: O ambiente de trabalho com ar condicionado e o tempo seco podem contribuir para a evaporação mais rápida da lágrima
Foto: Foto: Giulia Marotta/ Pixabay

A trasmissão de Covid-19 por meio das lágrimas é possível, segundo apontam estudos da Academia Americana de Oftalmologia (AAO) e do Instituto Nacional para Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani, da Itália. Aqui no Ceará, de acordo com profissionais de saúde, a possibilidade já é levada em consideração ao se analisar os fluidos lacrimais de pacientes infectados com a doença.

"O vírus fica sim presente na lágrima, mas traz uma carga viral muito menor do que a presente no sistema respiratório", aponta a oftalmologista Juliana Nunes. Segundo a médica, outra característica comum é a de que a possibilidade de transmitir o vírus dessa forma diminua com o avanço da Covid-19. "Existe essa possibilidade e ela é gradativa, ou seja, a chance de repassar a doença por meio desse líquido vai diminuindo de acordo com os dias de infecção".

De acordo com Juliana, tudo isso acontece porque o coronavírus é capaz de se espalhar por diferentes órgãos do corpo humano. "A Covid é como qualquer infecção viral e tem várias apresentações, acometendo vários órgãos, como é o caso do olho. Desde então, se tem visto a manifestação da conjuntivite nesses pacientes, por exemplo", relata. Essa é outra análise feita pelos profissionais médicos. 

Juliana Nunes aponta que, nos últimos meses, alguns casos de conjuntivite mostraram ligação com o coronavírus.  "É uma apresentação da doença que não é possível distinguir de uma conjuntivite viral, aquela mais comum, justamente porque ela não tem características específicas causadas somente em pacientes com coronavírus", revela.

Assim, a identificação da doença se dá justamente por conta dos aspectos virais, observados na presença dos folículos na conjuntiva do paciente, a parte mais esbranquiçada do olho. Ela conta que no momento de apontar as causas da conjutivite são levados em consideração os sintomas como febre ou tosse. Dessa forma, por conta da falta de mais testes, é possível saber se existe a possibilidade da ligação entre a doença e a inflamação. 

Sintomas

Outra questão até o momento, ela também aponta, é a de que essa conjuntivite pode, inclusive, aparecer dias após o fim dos sintomas de infecção pelo coronavírus. "Pacientes que já estão sem sintomas podem acabar manifestando. É um dado de estudos feitos internacionalmente.  Não necessariamente essa conjuntivite vem junto logo com os sintomas comuns do coronavírus, ela pode aparecer até mesmo quando todos os outros sintomas já foram embora”, relata. 

Para a médica, exatamente por essas questões é extremamente importante ressaltar a necessidade de manter os protocolos divulgados de higiene. Tanto para evitar a transmissão pelos fluidos lacrimais como para não espalhar casos de conjuntivite. "Esse cuidado de lavar as mãos, não compartilhar os objetos, proteção com o óculos é sempre necessário. Bom lembrar que não é recomendado compartilhar itens como maquiagem e estar sempre limpando lentes e armações de óculos”, alerta. 

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