Irmãs enclausuradas que produzem hóstias recebem dia de visitação em Fortaleza

A data que celebra a fundadora da Ordem, Santa Beatriz, é um dos três dias do ano em que elas recebem visitação externa

Legenda: Irmã Maria da Eucaristia vive enclausurada no mosteiro há 47 anos.
Foto: Foto: Helene Santos

O aperto de mão precisa vencer as grades do locutório, único local do mosteiro onde as irmãs enclausuradas da Ordem da Imaculada Conceição de Fortaleza, no bairro Joaquim Távora, podem entrar em contato com outras pessoas. O dia 17 de agosto, que marca a celebração a Santa Beatriz, fundadora da Ordem, é uma das três ocasiões do ano - além do Domingo de Páscoa e do Natal - em que as religiosas recebem visitas de amigos, de familiares e de quem busca aconselhamento espiritual.

Atualmente, o mosteiro abriga 18 mulheres, que se dividem nos cuidados da casa, de ofícios específicos - como a produção de partículas que mais tarde serão transubstanciadas em hóstias nas missas - e da assistência às mais idosas, mas se reúnem sete vezes por dia para uma rotina de orações e vida contemplativa. Uma das mais experientes, Irmã Ângela Maria da Eucaristia já dedicou 47 dos 87 anos de vida à Ordem.

A religiosa é natural de Tauá, município do Sertão dos Inhamuns a 344 km de Fortaleza. Na infância, lembra, “às vezes tinha missa uma vez por ano”. A relação com o catolicismo era mais forte pela união da família, com pai, mãe e mais 13 irmãos. “O ambiente onde fui criada ajudou”, conta.

Rotina de oração

Quando vieram morar em Fortaleza, ela se aproximou da Ordem das salesianas e, mais tarde, das irmãs concepcionistas do Mosteiro. Ela faz parte das enclausuradas antes mesmo da transferência para a sede atual, e já passou pelos diversos ofícios do local, da portaria à chácara. Hoje, já idosa, se diz “responsável só por mim mesma”.

“Meu trabalho é ficar sentada rezando. Uma vida contemplativa sem silêncio e oração não vale. Guardamos tudo aquilo que prometemos a Deus”, explica ela, que pede mais oração e mais obediência dos filhos aos pais.

Outra integrante da casa é a irmã Maria Angélica, de 26 anos, há quatro na clausura - uma das mais jovens da Ordem. A vontade da vida religiosa surgiu pela participação de festivais como o Halleluya e de experiências na paróquia. Por curiosidade, visitou o convento e se encantou. Depois de dois anos no acompanhamento vocacional, entrou na Ordem no dia 17 de janeiro de 2016. A carreira de futura farmacêutica ficava para trás.

Renúncia 

“No primeiro dia tem aquele impacto de um ambiente totalmente novo, mas é uma sensação boa. Com o passar dos dias, a certeza vai crescendo. É uma caminhada e um sim cotidiano”, afirma a “vigarita”, responsável por limpar o espaço onde ocorrem as orações,  que começam às 4h45 e se prolongam pelo dia. 

Nesses momentos, a irmã mentaliza “a humanidade que sofre”. “Nossa vida é como se fosse uma hóstia, que simboliza o sacrifício. Nossa própria vida já é uma oração, é um consumir-se pelo outro. Quantas pessoas por aí não conhecem a Deus? Peço que nosso louvor suba a Ele como um incenso”, espera.