IJF reforça atendimento no fim do ano com servidores e plano de ação

Maior hospital de urgência e emergência do Ceará contará com mais 353 profissionais de saúde para a cobertura de ocorrências entre o Natal e o Réveillon. Instituto divulgou ontem (19) um plano de contingência

Legenda: Crianças e idosos estão entre as principais vítimas de acidentes no período de festas
Foto: FOTO: SAULO ROBERTO

Sem cuidados com a saúde, o período de confraternizações de fim de ano pode se transformar em uma dor de cabeça nos meses seguintes. No ano passado, 1.977 acolhimentos emergenciais foram registrados no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza entre o Natal e o Réveillon. Com atenção às datas, a unidade hospitalar terá um reforço de 353 novos servidores e montou um plano de contingência para garantir estrutura e agilidade nos atendimentos.

Em média, são acolhidos até 300 pacientes em um plantão de 24 horas. A demanda, entretanto, aumenta na reta final do ano, com o período de férias escolares e a ingestão de bebida alcoólica aliada ao trânsito, entre outros fatores.

O plano de ação montado pelo IJF foi iniciado no último dia 15 e só deve ser encerrado no dia 5 de janeiro. Segundo a superintendente do hospital, Riane Azevedo, não haverá prejuízo no atendimento por falta de profissionais.

"As equipes são checadas diariamente para garantir o contingente necessário. Também não concedemos férias à equipe médica nesse período, para estar em plena atividade. No dia 22, teremos 353 novos servidores já escalados para o plantão de emergência", garante a superintendente. A unidade também se prepara para receber vítimas de afogamentos, envenenamento, contato com animais peçonhentos e perfurações por armas branca ou de fogo.

Nesse período, o IJF realizará apenas cirurgias de urgência e emergência, bem como de pacientes já internados. As eletivas externas foram postergadas para depois do dia 6 de janeiro. Uma sala cirúrgica ficará livre 24h para qualquer intercorrência, como acidentes e traumas. O estoque de materiais e medicamentos, de acordo com Riane, está sendo levantado "para que não haja falta", principalmente no setor de queimados.

Ocorrências

Dos 1.977 acolhimentos feitos pelo IJF no ano passado, 971 ocorreram no intervalo do Natal e mais 1.006 no Ano-Novo. Segundo a unidade de saúde, a maioria dos casos se refere a acidentes com motocicletas e a quedas, seguidos por queimaduras - em grande parte, por causa de fogos de artifício.

No caso dos acidentes, foram 147 ocorrências somente nos dias 24, 25 e 31 de dezembro de 2018 e 1º de janeiro de 2019. Foi uma pequena oscilação abaixo das 157 registradas no período anterior. Já em relação às quedas, houve um aumento de quase 20%: se, de 2017 para 2018 houve 98 casos, na transição de 2018 para 2019, foram 117. Na questão das queimaduras, o número caiu de 61 para 50.

Cybele Leontsinis, da enfermagem do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), reforça que, nesta época, é necessário ter mais atenção na cozinha e em churrascos, especialmente os que são acesos com álcool. Outro ponto importante são os choques elétricos por conta das decorações natalinas, que podem se tornar especialmente perigosas para crianças.

Caso seja inevitável, a orientação da especialista é lavar a queimadura com água corrente e tomar alguma medicação para dor. Em seguida, procurar o serviço especializado. "Nada de passar pasta de dente, manteiga ou outro produto. Aqui, a gente avalia a lesão, por menor que seja, e conduz pra internação ou pro curativo", explica.

Crianças exigem acompanhamento constante, como alerta o chefe do serviço de traumatologia do hospital, Fernando Façanha. "Geralmente os traumas ocorrem por queda, já que a maioria está de férias, brincando, subindo em escada, árvore, skate, bicicleta", detalha. Os casos mais comuns são nos membros superiores porque elas apoiam o peso do corpo no próprio braço e costumam fraturar o punho, o antebraço e o cotovelo.

Na outra ponta, conta o médico, estão os idosos. Segundo Façanha, a demanda em relação a traumas por quedas domiciliares tem aumentado como "epidemia" porque a população mais velha tem aumentado. "Eles escorregam, tropeçam e caem, geralmente com fraturas no punho e no quadril que necessitam de cirurgia. Elas têm potencial de complicações", expõe, prevenindo que, em termos estatísticos, 50% dos idosos podem falecer nos primeiros 12 meses após a fratura.

Previsão

O plantão de fim de ano não deve contar com o funcionamento total do IJF2, que segue em construção. Conforme a superintendente Riane Azevedo, há uma previsão de que o novo centro cirúrgico da unidade seja aberto ainda neste ano. Ela também não informou quando devem ser inaugurados o quarto andar, com mais 44 leitos, e o setor de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), com mais 30 leitos.

Segundo Azevedo, a abertura gradual leva em conta a complexidade dos serviços e dos aparelhos a serem instalados. Alguns precisam ser testados pelas empresas responsáveis para evitar defeitos. "Vamos inaugurar e, aos poucos, colocar para funcionar".


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