Icaraí: acidente com surfista poderia ter sido ainda pior

Após surfar, três amigos voltavam do mar e pisaram em um fio elétrico solto na rua. Dois deles conseguiram se desvencilhar da fiação, mas Daniel Barbosa Viana ainda estava molhado e não conseguiu se livrar do choque.

Legenda: É preciso ter muito cuidado com fios caídos, especialmente nas praias.
Foto: Foto: Kid Jr

Dúvidas, revolta, tristeza, luto. Os sentimentos se misturam quando se finda a vida. Especialmente a de um menino de 15 anos, em uma situação que poderia ter sido evitada. Ontem (17), família, amigos, e comunidade se reuniram para vivenciar o último momento com Daniel Barbosa Viana, que faleceu após pisar em um fio elétrico que estava solto na rua.

O jovem surfista faleceu na Praia do Icaraí, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. Ele voltava do mar com os amigos, e a tragédia poderia ter sido maior. "A gente estava voltando da praia, caminhando normalmente por aqui. Aí a gente pisou no fio, só que eu e o Antônio (outro amigo) conseguimos pular para sair do choque, mas o Daniel estava no meio, e ele estava molhado porque tinha acabado de tomar banho no chuveiro", rememora o triste momento, Leonardo da Silva Reuhmann, 14, amigo de Daniel.

Mesmo com o baque do acidente, os amigos de Daniel conseguiram reagir e acionar a Polícia que passava no local. "Quando a Polícia chegou, eles pediram para a gente se afastar. Aí, jogaram um pneu no fio para tirar dele. Depois, eles fizeram massagem cardíaca para ele voltar a respirar. Mas não dava para fazer mais nada", completa Matheus Moura Nascimento, 12, também amigo de Daniel.

Negligência
Moradores da região relataram que, desde a última terça-feira (15), os fios estavam no chão e que entraram em contato com a Enel Distribuidora várias vezes, mas o problema não foi resolvido. "Eu venho do trabalho, passo à noite por aqui, e vi. Mas antes, o fio estava pregado no muro, só que começou a cair até que ficou no chão. Eu cheguei em casa e avisei a minha tia. Ela ligou para a Enel. Eles disseram que vinham ajeitar mas eles não apareceram", revela Marcelo Henrique Rodrigues.

Por meio de nota, a Enel respondeu apenas que "o fio que ocasionou o acidente seria de baixa tensão".

Dúvidas
"Como vamos ficar? Como fica a mãe?", questionou, durante o velório, o professor Valber Abreu, da escola onde Daniel estudava. O menino não teve sequer a chance de começar o Ensino Médio.

"É uma perda irreparável para a mãe e para a comunidade, principalmente, para os alunos que tinham costume de conviver com ele. Uma questão de queda de fio em uma avenida que transita pessoas era pra ter tido uma solução imediata", afirma, com tristeza, o professor.

Durante o velório, a boa convivência de Daniel foi reverberada por Luciene Sampaio, mãe de um amiga do surfista. "O Daniel era muito querido pelos pais e pelas crianças. É lamentável e está mexendo com todo mundo da comunidade. Muito triste", lamenta.

A reportagem do Sistema Verdes Mares questionou a Enel se a empresa já sabia do problema no local, bem como se já havia recebido alguma reclamação da fiação.

A Companhia se reservou apenas a informar que "lamenta profundamente o acidente ocorrido no Município de Caucaia. A distribuidora informa que entrou em contato com a família para oferecer assistência necessária e contribuirá com as autoridades na apuração das causas do acidente".

Em relação à causa da soltura dos fios, e se foi enviada alguma equipe após o acidente, a Enel não respondeu.

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