Gestantes relatam mais ansiedade e medo durante a pandemia, aponta pesquisa da UFC

Em estudo com 1.041 grávidas de Fortaleza, a Universidade Federal do Ceará concluiu que 43% delas tiveram alterações nos níveis de estresse por conta da Covid-19

Um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificou que os níveis de estresse em grávidas de Fortaleza aumentaram durante o isolamento social. Cerca de 43% das 1.041 gestantes que participaram do levantamento demonstram ansiedade, medo e transtornos de comportamento por conta da pandemia de Covid-19.

Os resultados preliminares já divulgados pela instituição apontam que 84,3% sentem desconforto ao pensar na doença; 74,6% se mostram assustadas ao pensar no coronavírus; 18,7% não conseguem dormir; 75,3% apresentam nervosismo ao assistir o noticiário televisivo; 49,8% têm chorado mais do que o costume, e 57,9% demonstram tristeza. 

A pesquisa "Gravidez durante a Covid-19 em Fortaleza, Ceará: percepção materna sobre saúde, expectativas, medo e os cuidados prestados ao filho" foi realizada pela internet com questionários virtuais enviados por aplicativo de mensagens e também redes sociais.  

Das 1.041 grávidas, 335 possuem filhos de 1 a 5 anos completos. O estudo perguntou sobre como elas agiram com eles nos 15 dias anteriores ao preenchimento do questionário: 70,6% afirmaram ter gritado com o filho; 20,1% ter puxado a orelha, dado tapa ou batido na mão, e 18,8% confessaram ter batido no filho. 

A professora Márcia Machado, da Faculdade de Medicina da UFC e coordenadora da pesquisa, avalia que os números são considerados altos, quando comparados a outros levantamentos feitos em outros períodos "normais" que avaliam a saúde mental de grávidas. Os dados completos ainda serão divulgados, informa a UFC. 

Pensamentos

Com 20 semanas de gestação, Themis Briand, de 35 anos, reforça os efeitos negativos da pandemia na saúde mental. “A gente fica preocupada com medo de pegar, se vai ter alguma consequência grave, porque ninguém sabe como o corpo vai reagir ao vírus”, diz a o oficial de justiça, grávida de Lucca, seu segundo filho. 

Manter o equilíbrio em meio a propagação da coronavírus é um desafio, ela avalia. Para driblar as aflições causadas pela doença, Themis segue uma rotina de cuidados diários, que ajudam no enfrentamento dos sintomas. 

“Graças a Deus, eu consigo domar os pensamentos. É uma preocupação constante, mas que não me paralisa, não é algo que esteja afetando em outras áreas da minha vida. Eu continuo me alimentando bem,  tomando as vitaminas e exercícios até para evitar que a imunidade caia. 



Redação Há 21 minutos