Funcionários do Hospital Batista afirmam não receber salários há dois meses

Unidade não recebe mais pacientes com Covid-19 e só atende 4 pessoas

Legenda: 131 leitos do Hospital foram contratados para o tratamento de pacientes com Covid-19 pelo governo do Estado
Foto: Fabiane de Paula

Funcionários do Hospital Batista, que teve 131 leitos contratados para o tratamento de pacientes com Covid-19 pelo Governo do Estado, afirmam estar há dois meses sem receber salários. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), “a gestão do serviço é de responsabilidade do hospital contratado”. A secretaria explica também que o processo de auditoria do relatório de produção da unidade de saúde está sendo feito e disse que o pagamento será feito na próxima semana. 

O enfermeiro Jefferson Crispin, 38, é um dos trabalhadores que está sem receber os valores correspondentes aos plantões trabalhados no Hospital Batista nos últimos dois meses. Segundo ele, a Secretaria da Saúde não está pagando o hospital. Com isso, a unidade de saúde não consegue pagar cooperativas responsáveis pelos funcionários.  

 

“Na hora que o pico estava instalado precisou dos nossos serviços para combater o vírus e agora que tá amenizando vão esquecer o que os funcionários fizeram?”, questiona. Segundo ele, a secretaria se recusa a passar informações sobre o pagamento para o hospital e “joga a culpa” em documentações não enviadas pela unidade. Jefferson explica que os documentos já foram conferidos pelo hospital, que afirma não faltar nada para receber os valores. 

Além de enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos também estariam sem receber pelos plantões trabalhados. De acordo com Jefferson, a ansiedade dos trabalhadores aumenta com a aproximação do fim do contrato do Governo com o Hospital com data acordada para esta segunda-feira (13).  

Desde abril, quando passou a disponibilizar leitos para o tratamento da Covid-19, a unidade atendeu centenas de pacientes. Apenas quatro pessoas são tratadas no local atualmente e, segundo Kleiton, não recebem mais infectados desde o dia 23 de junho. A maioria dos pacientes são enviados para os hospitais de campanha Leonardo da Vinci e Presidente Vargas. “Muita gente foi dispensada por conta da quantidade de pacientes, só tem 3 enfermeiros da cooperativa”.  

A Sesa não respondeu os questionamentos da reportagem sobre o fim do contrato. 

De acordo com o coordenador da unidade de saúde, Kleiton Andrade, a Sesa fez apenas um repasse financeiro ao Hospital desde o início do contrato, no dia 13 abril. “Quando foi assinado o contrato de emergência, ficou acordado que tínhamos de fazer a prestação de contas a cada dia 15 do mês e enviar o relatório de fluxo de atendimentos. A Sesa só fez o repasse referente aos primeiros 15 dias de serviço, os de maio e junho ainda não foram feitos”.  

Em contato com a Secretaria, Kleiton conta que o prazo para o pagamento dado pela pasta foi até a outra semana. “O hospital não tem condição de fazer o repasse aos funcionários. Segundo informações do próprio setor de auditoria, o processo seria finalizado na outra semana”, diz. O coordenador também afirma ter enviado todos os documentos necessários para a Sesa. 

Em nota oficial enviada pela Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), a cooperativa explica que os “processos encontram-se validados pelo hospital e aguardando empenho de pagamento por parte da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa)”. A partir do momento que receber o pagamento, a cooperativa afirma que irá repassar os valores aos cooperados. A Coaph não informou quantas pessoas estão esperando pagamento. 

Kleiton afirma que no início do contrato eram cerca de 212 funcionários atuando exclusivamente para o atendimento de pacientes com a Covid-19. Com a redução do fluxo, o número caiu para 39 profissionais.  



Redação 02 de Agosto de 2020