Frequentadores de academias adotam novas rotinas com retomada de atividades físicas presenciais

Retorno possibilitou a volta do convívio com treinadores durante as práticas de exercícios, mas usuários seguem respeitando as medidas de prevenção ao coronavírus a fim de evitar o repico da doença

Legenda: Máscaras se tornaram obrigatórias durante a prática de exercícios físicos no Ceará.
Foto: Thiago Gadelha

Com a reabertura das academias em Fortaleza, há uma semana, frequentadores voltaram a treinar no espaço físico e precisaram se adaptar ao uso das novas medidas de segurança contra a Covid-19, como a utilização de máscaras e a higienização frequente dos equipamentos com álcool gel.

O professor de dança Roger Amorim, 29 anos, percebe essa primeira semana como um período de adaptação, tanto para se acostumar com as novas medidas de segurança quanto para o corpo gradualmente retornar aos exercícios antigos. 

“Eu não tinha parado total de fazer exercício em casa, então, estava fazendo, mas não era com a mesma frequência que eu fazia, nem com a mesma intensidade e carga. Está sendo como se começasse novamente”, explica. Em atividade desde segunda-feira (27), ele tem seguido o distanciamento necessário de um aluno para o outro no treino e higienizado os equipamentos. 

“A maior dificuldade em treinar é por conta do uso da máscara. Às vezes, parece meio que impossível de respirar. Está bem ruim, bem ruim mesmo”, declara Roger. 

Da mesma maneira que Roger, o assistente comercial Lucas Castro, 26 anos, também sentiu o impacto de precisar interromper as atividades em seu box de Crossfit. No começo, ainda tentou adaptar o ritmo para dentro de casa, assistindo às aulas remotas dos treinadores. Porém, conforme relata, a experiência do treino foi complicada.

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“Para mim, a prática era importantíssima, por questões de saúde mesmo, porque o meu foco nunca foi estética. O meu corpo sente falta e eu acabo tendo picos de estresse. Até na minha energia, no dia a dia, para eu acordar, fazer minhas tarefas do dia, fez uma diferença gritante”, comenta. 

Durante o isolamento social, Lucas sentia falta da rotina, das brincadeiras no treino e das companhias. Agora, com o retorno, tenta regressar lentamente à condição física anterior, seguindo treinos que não exijam tanto do desempenho muscular.  

Cuidados

Com a reabertura das academias, o profissional de Educação Física, Alexandre Bayma, acredita ser necessário orientar os alunos a diminuir a intensidade e carga dos exercícios, porque o excesso pode levar a uma redução na imunidade.

“É preciso orientar que, após esse período afastado, mesmo tendo praticado atividade física em casa, é prudente não iniciar logo com uma carga de atividade muito extenuante”, recomenda.

O professor, também administrador de uma academia no bairro Luciano Cavalcante, indica a prática de exercícios entre leves e moderados, assim como focar em exercícios aeróbios. Em casos de utilização de peso, é importante respeitar sempre a intensidade. 

Legenda: Parte dos praticantes se queixa de dificuldades na respiração em atividades mais intensas.
Foto: Thiago Gadelha

Convívio

Para Roger Amorim, a falta de convívio com colegas da academia e do Crossfit foi o que lhe trouxe mais saudade. Inicialmente, ele se preocupou com a perda do ritmo dos exercícios e da estrutura física conquistada. “Mas então eu comecei a perceber que a maior importância mesmo era a parte da socialização e a parte da saúde mental mesmo. Ficar distante foi o pior, eu acho”, pontua.

Apesar do receio de retornar à academia, a estudante de Odontologia, Maria Clara Cardoso, 19 anos, gostou de voltar aos exercícios. Sem conseguir se adaptar aos treinos remotos, a jovem se sentiu desestimulada e frustrada durante a pandemia. Na rotina antiga, conseguia ter energia e disposição para realizar suas atividades, porém, sem a prática física diária, seu ritmo e rotina foram bastante desregulados.  

“Antes eu me alimentava melhor, tinha mais energia, meu sono estava mais regulado. Também me sentia mais produtiva na atividade da faculdade e do dia-a-dia”, afirma Maria. 

O retorno foi mais confortável devido às medidas de segurança. Ao regressar, recebeu equipamentos como vidro de álcool gel, toalha para higienizar as máquinas e uma máscara para usar. Havia também linhas dividindo os aparelhos. 

Dentre as dificuldades enfrentadas no retorno, o uso da máscara foi apontado. Porém, Maria Clara acredita que irá se adaptar com o tempo. “Nada que com a rotina você não vá se acostumando. Às vezes eu esquecia que estava com a máscara. Com calma, vai melhorando”, acrescenta.

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