Fortalezenses aumentam consumo de massas e de água durante pandemia, diz pesquisa da UFC

Análise realizada por pesquisadores do curso de Gastronomia da Instituição aponta também que, durante a quarentena, os moradores da Capital também relataram aumento no apetite

Cozinha
Legenda: Segundo levantamento, 69,6% dos entrevistados relataram aumento no consumo de massas
Foto: Agência Diário

Uma pesquisa realizada virtualmente por pesquisadores do curso de Gastronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC) indicou que fortalezenses modificaram a rotina alimentar por conta do isolamento social. De acordo com o estudo ‘A Covid-19 e os impactos na rotina alimentar de residentes em Fortaleza’, a principal mudança sentida pelos participantes foi na hidratação: 74% dos 837 moradores que responderam o levantamento relataram aumento na ingestão de água e outros líquidos

O consumo de massas também ficou mais intenso durante a pandemia. Conforme o levantamento, 69,9% dos entrevistados aumentaram a ingestão de pães, macarrão e bolos ao longo do isolamento social. Opções mais saudáveis de alimentação também ficaram mais presentes na mesa. Segundo a pesquisa, 51,6% dos entrevistados consomem mais frutas, legumes e hortaliças.

A primeira foi realizada em março, no início da pandemia, e a segunda realizada em junho. Métodos científicos foram usados para uma maior confiabilidade da amostragem. “A gente usou uma calculadora científica para calcular o tamanho da amostra a partir do total da população de Fortaleza. Eram necessárias 500 pessoas e mais de 800 participaram”, explica a gastrônoma Fernanda Clara Moreira Soares, uma das contribuintes do estudo que contou com orientação do professor Paulo Henrique Machado de Sousa. 

A pesquisadora percebe nos dados um indicativo de mudança na mentalidade das pessoas sobre alimentação. “O que a gente percebeu nessa pesquisa é que as pessoas aprenderam os hábitos e não mudaram. Foi uma mudança de mentalidade, do relacionamento com a comida”, ressalta. 

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Apetite 

O mesmo levantamento aponta que o apetite do fortalezense também foi modificado. Segundo o compilado de dados da pesquisa, 56,4% dos entrevistados perceberam um aumento na vontade de comer. Enquanto isso, 32,5% não alteraram o consumo de alimentos. Por outro lado, 14,1% dos entrevistados perceberam redução no apetite.

Relatos sobre ganho de peso se tornaram mais frequentes durante a quarentena. A endocrinologista Ana Flávia Torquatto atribui a mudança na balança às adaptações na rotina ao longo do isolamento. “A gente tem visto aumento no índice de pessoas comentando ganho de peso. Isso deve ter acontecido porque as pessoas estão passando mais tempo em casa, tendo acesso a mais comida, mais acesso ao beliscar. Além disso, aflorou-se as emoções, como ansiedade, problemas depressivos e quebra da rotina. Isso aumenta o que a gente chama de 'comer emocional'”, avalia Ana.

Por conta do aumento nas medidas, preocupações com a obesidade se tornaram mais frequentes. Apesar de nenhum estudo ter apontado relação entre a pandemia e o aumento das taxas de obesidade, a endocrinologista recomenda manter uma rotina saudável de alimentação para evitar o ganho de peso durante o isolamento. “A primeira coisa é tentar manter uma rotina alimentar. Manter as refeições em horários regulares e preferir alimentos saudáveis. Evitar beliscar alimentos ricos em açúcar e industrializados e tentar controlar o estresse, se é que é possível”, complementa a profissional. 

Buscar ajuda especializada também é um passo para o cuidado pessoal. “Tratar uma ansiedade, uma depressão que tenha surgido, tentar dormir bem. E por último procurar um profissional da saúde para pedir ajuda. Obesidade tem tratamento”, salienta Ana.

Bem-estar

Manter a vida saudável foi essencial para que a fabricante de roupas Lorena Teixeira, de 31 anos, cuidasse de si no isolamento. Adepta do crossfit, ela relata ter perdido 10 quilos durante a quarentena. “Eu continuei com a alimentação do mesmo jeito. O meu coach do crossfit passava treinos diários para eu fazer em casa. Levei alguns equipamentos e adaptava. Todos os dias, de tarde e de noite, eu fazia”, relembrar Lorena. 

Antes da quarentena, a fabricante perdeu 13kg para controlar uma obesidade. O processo de emagrecimento começou há um ano. “Me olhava no espelho, gostava de uma roupa e não cabia em mim. Voltava para casa frustrada. Pensei ‘preciso fazer alguma coisa para mudar’. Comecei a dieta e me matriculei na academia”, conta. Ver os resultados no dia a dia motivaram a fabricante de roupas a mudar os hábitos. “Quando você começa a ver resultado, se sente motivada a continuar. Agora eu já perdi bastante peso. agora, meu foco é ganhar massa magra”, projeta. 

Novos hábitos na cozinha

Outras mudanças foram sentidas na alimentação feita em casa: 69,9% dos participantes indicaram ter começado a cozinhar durante o isolamento social. Já 65,5% relatam ter percebido que outras pessoas da família participaram mais da preparação dos alimentos. Medidas para fortalecer a imunidade também modificaram o dia a dia das famílias. Conforme o estudo, 56,8% dos fortalezenses optaram por alimentos com maior valor nutricional para melhorar a saúde. 

A pesquisa também abordou o uso de aplicativos de entrega. O fortalezense estaria dividido quanto ao uso da ferramenta. Embora a maioria dos entrevistados (38,1%) relatam aumento nas compras virtuais, 30,4% não percebeu diferença no uso dos apps ao longo do isolamento. Outros 13,4% afirmam que o hábito diminuiu e 18,1% relataram nunca ter usado nenhum aplicativo de entrega. 

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