Falta remédio para síndromes respiratórias, como H1N1, em postos de saúde e Hospital São José

O medicamento está sendo receitado também para pacientes com suspeita de Covid-19. Distribuído pelo Ministério da Saúde, a Sesa explica que deve chegar ao Ceará nesta semana

Legenda: O posto de saúde Irmã Hercília Aragão, no bairro São João do Tauape, é uma das unidades onde o medicamento estava em falta nesta segunda-feira (6).
Foto: Foto: Fabiane de Paula

Unidades de saúde em Fortaleza vêm registrando a falta do medicamento Tamiflu (fosfato de oseltamivir), antiviral indicado para o tratamento de gripe em adultos e crianças. A substância também tem sido utilizada em pessoas diagnosticadas com Covid-19

A medicação é prescrita somente para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) ou com Síndrome Gripal. Um composto do Tamiflu atua reduzindo a multiplicação do vírus da gripe no organismo, incluindo o causador da Influenza A, subtipo H1N1, e Influenza B.

A reportagem entrou em contato com 13 postos de saúde localizados em Fortaleza, e obteve resposta de seis. Destes, os postos Irmã Hercília Aragão, no bairro São João do Tauape; Mariusa Silva de Sousa, no bairro Bonsucesso; Oliveira Pombo, no Couto Fernandes; Luciano Torres de Melo, no bairro Manoel Sátiro; e Waldo Pessoa, no Barroso, não tinham o medicamento disponível nessa segunda-feira (6). 

No caso da unidade no bairro Couto Fernandes, a falta foi observada desde última sexta-feira (3). O posto de saúde Gothardo Peixoto F. Lima, no bairro Damas, tinha o medicamento na dosagem de 30 miligramas, enquanto a de 75 mg estava em falta. A reportagem também entrou em contato com o atendimento no Hospital São José no domingo (5), que informou que o estoque havia esgotado.  

Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) afirma que o Tamiflu é distribuído pelo Ministério da Saúde, e a previsão de chegada ao Ceará é ainda para esta semana. “Assim que receber, a Sesa repassará para regularização do estoque nas unidades de saúde”, acrescenta a Pasta. A Sesa afirma, ainda, que a prescrição do uso do antiviral deve ser avaliada inicialmente por um médico. A reportagem também questionou desde quando o medicamento está em falta, e qual era a quantidade abastecida no estoque anterior, mas não obteve resposta para essas demandas. 

A reportagem procurou o Ministério da Saúde para confirmar a data de envio da substância ao Ceará e qual quantidade será destinada ao Estado, e aguarda o retorno. 

Fase inicial

Medidas como distanciamento social e restrição da circulação de pessoas nas ruas ainda estão sendo analisadas pelos pesquisadores. Os resultados das ações de contingenciamento da doença, reforçadas pelo grupo, devem ser demonstrados nos próximos boletins que a Rede CoVida deve publicar semanalmente.

O governador Camilo Santana anunciou, no último sábado (4), a extensão do decreto que proíbe o funcionamento de estabelecimentos comerciais até o dia 20 de abril. As atividades estão paralisadas desde o dia 20 de março. Também foram suspensas as aulas presenciais em todas as modalidades de ensino até o início de maio pelo Governo do Estado. Tais medidas são baseadas em estudos científicos como forma de conter o avanço da doença no Ceará, como argumentou o governador.

Na análises dos pesquisadores da Bahia, no modelo SIR, os parâmetros e as comparações são feitas com experiências anteriores de propagação de doenças e avaliam os padrões observados nas populações. “No decorrer da epidemia e com os avanços dos conhecimentos sobre as suas características em nosso contexto, os parâmetros vão sendo melhor definidos e os modelos vão sendo qualificados, tornando-se mais robustos e incrementando a sua capacidade preditiva”, reforçam no artigo os especialistas.

As informações utilizadas para a projeção são colhidas nas secretarias estaduais da saúde devido às inconsistências observadas entre os dados divulgados por estes órgãos e pelo Ministério da Saúde. “Temos a convicção de que esforços estão sendo feitos para a correção destes problemas e que poderemos ter um sistema aperfeiçoado dos dados oficiais da epidemia”, pontuam.