Falta material para produção de máscaras em impressoras 3D para profissionais de saúde

Iniciativas buscam suprir as demandas dos hospitais por equipamentos de segurança e a falta de material no mercado dificulta a produção, como no caso de professores da UFC

Legenda: As máscaras foram analisadas nesta quinta-feira (26) para a escolha do formato mais adequado às necessidades dos profissionais da saúde

Voluntários mobilizados na produção de equipamentos de proteção hospitalar estão com dificuldades para encontrar um material importante para a fabricação de máscaras de segurança: folhas de acetato. O produto é usado para fazer, por meio de uma impressora 3D, a parte externa desses dispositivos que funciona como um escudo para o rosto. A demanda crescente tem como motivo o alto risco de contato de profissionais de unidades de saúde com o coronavírus.

Na Universidade Federal do Ceará (UFC), um grupo de professores busca empresas que vendem o material, mas várias estão fechadas devido à suspensão das atividades do comércio para evitar a propagação do vírus no Estado. Os pesquisadores fazem parte de um grupo de tecnologia assistiva formado por profissionais da saúde, engenharia, arte e educação, entre outras áreas, que realizam projetos integrados para o desenvolvimento de protótipos na UFC.

“Imprimimos três modelos de proteção facial, que é urgente, de ontem (25) para hoje (26)”, conta o professor Roberto Vieira do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Design da Instituição. Além disso, está sendo avaliada a produção de materiais como adaptadores para respiradores com a tecnologia.

As máscaras foram analisadas nesta quinta-feira (26) para a escolha do formato mais adequado às necessidades dos profissionais da saúde. “No momento que fizer a escolha, nós vamos fazer a produção para atender o caso e depois a gente deve se juntar aos outros (grupos) que estão distribuindo em diversos hospitais”, acrescenta Roberto Vieira. Entre as vantagens, está a facilidade de esterilização e o conforto para quem usa.

“Movimento compartilhado” é como o professor define as iniciativas que surgem no País e contam com conhecimento internacional. Os arquivos utilizados para a construção das peças são compartilhadas por vários usuários, alguns modelos foram testados na Itália, e um grupo de pessoas está utilizando máquinas próprias para contribuir com a produção.

“É uma peça transparente que a gente liga na peça impressa em 3D para que proteja todo o rosto, mas está tudo fechado. O país está parado, então você comprar esses equipamentos de segurança nesse momento está bem complicado. As pessoas localmente, recebendo esses arquivos, produzindo em casa e distribuindo tem sido uma solução. É isso que estou vendo desse movimento”, destaca Roberto Vieira.
 

Será produzido o máximo de protetores com os recursos de um outro projeto dos pesquisadores devido a urgência da demanda. Empresas que fornecem acetato estão sendo contactadas para abastecer os voluntários. As peças estão sendo produzidas nas residências dos professores como medida preventiva ao contágio pelo coronavírus.

Os professores da UFC dispõem de duas impressoras, uma da Instituição e uma particular. São necessárias cerca de duas horas para a produção de cada peça que compõe as máscaras. A velocidade da produção é menor por questões estruturais, como relata Roberto. “Começaram a surgir alternativas de protetores semelhantes cortados em máquinas a laser. Nós temos uma máquina de corte a laser grande, nosso problema é que a fonte dela tá queimada”.

O professor Roberto Vieira está disponível para discutir doações de folhas de acetato de até 0,5 mm de espessura. Quem quiser contribuir pode ligar para o número (85) 99401-1101.

Hospital Universitário
Nesta fase de produção, os pesquisadores realizam testes para suprir a necessidade desses equipamentos no Hospital Geral Waldemar de Alcântara (HGWA). Apesar do HGWA ainda não tratar nenhum paciente com Covid-19, as máscaras com escudo de acetato seriam distribuídas para profissionais que trabalham diretamente com pessoas de grupos de risco da doença. 

De acordo com a diretora do Serviço de Assistência Domiciliar (SAD) do hospital, Úrsula Wille Campos, 50 dos atendidos pela equipe utilizam equipamentos ventiladores respiratórios e são mais suscetíveis a infecções. Portanto, é necessário que os profissionais que lidam com eles utilizem a máscara para evitar da melhor forma a possível transmissão do coronavírus. 

“No momento o Waldemar Alcântara não é um hospital de referência para atendimento de Covid-19, mas a gente sabe que [o paciente] pode chegar com outro diagnóstico e apresentar a doença aqui. Por isso, precisamos nos preparar mesmo que no momento não tenha”, diz Úrsula. Outra vantagem das máscaras com acetato, segundo ela, é o fato do material ser reutilizável. Com o agravamento da transmissão do coronavírus no Ceará, equipamentos de segurança descartáveis usados por profissionais da área da saúde podem ficar em falta.

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