Estátua de Iracema volta a guardar orla

Escrito por Redação,

Metro
Durante dois meses, a Iracema Guardiã passou por restauração devido à ação do tempo e a atos de vandalismo

A índia de José de Alencar que vigia e protege Fortaleza está de volta. Depois de dois meses, o pôr do sol está completo em um dos principais cartões postais da cidade. Restaurada, a estátua da Iracema Guardiã retorna ao seu pedestal de origem.

A recuperação da escultura, produzida pelo artista plástico Zenon Barreto e inaugurada em 1996, foi motivada por conta da grave depredação sofrida pela obra durante os últimos anos. Além da ação do tempo, o monumento foi alvo de atos de vandalismo, como a retirada das mãos e do arco, este fundamental para o equilíbrio da estátua, tendo em vista que a mesma foi feita conforme a dinâmica dos ventos.

Segundo a titular da Secretaria Executiva Regional (SER) II, Rocicleide Ferreira da Silva, as adequações realizadas seguiram o projeto original da obra, tendo permanecido o material utilizado na construção - fibra de vidro, estrutura de ferro e tela-, e as suas formas. Ao todo, a recuperação custou R$ 60 mil, o investimento foi feito pela empresa privada EcoFor Ambiental. O Município, segundo a SER II, não arcou com a despesa.

"Fizemos uma análise criteriosa do monumento, desde a sua história até o seu nível de degradação. A família do Zenon nos ajudou bastante, autorizando o restauro e enviando os documentos e projetos originais da estátua, contribuindo, assim, diretamente para a restauração perfeita da obra", explica.

Patrimônio simbólico

Elaborada na década de 1960, em alusão aos 100 anos do livro Iracema, de José de Alencar, e aos 25 anos da Praia de Iracema, a escultura representa mais que uma simples obra de arte que embeleza a cidade. Ela se tornou o símbolo principal de Fortaleza. "A Iracema Guardiã frequenta o nosso universo simbólico, ela é algo inseparável de Fortaleza. Segundo Zenon, de frente para o mar, Iracema estaria dando adeus ao seu grande amor", reflete a secretária.

Os significados de Iracema são os mais diversos. Com o passar dos anos, o monumento pode, ainda, conquistar outros sentidos. Para o historiador Erick Assis, a estátua, além da dimensão literária e romancista, é um importante ícone da feminilidade, da maternidade. "A Iracema é como se fosse uma mãe que protege Fortaleza. Não com a arma do nosso Forte, que representa o masculino, mas com o charme e a delicadeza", afirma.

O historiador comenta que a apropriação da imagem de Iracema acompanha o desenvolvimento da sociedade, dos seus pensamentos e achismos. "A estátua de Iracema pertenceu a vários significados construídos ao longo tempo. Ela pode ter ficado, em determinado período, presa à literatura ou, em outro, à questão da origem indígena".

JÉSSICA PETRUCCI
REPÓRTER