Espigões da orla de Fortaleza mostram sinais de deterioração

Pichações, lixo e sensação de insegurança provocada pela falta de iluminação estão entre problemas que preocupam frequentadores do Espigão da Rua João Cordeiro. Edital de concessão do equipamento deve ser lançado neste mês

Legenda: Apesar da degradação, visitantes circulam pelos espigões, na Praia de Iracema
Foto: FOTO: NATINHO RODRIGUES

Lixo, pichações e madeiras quebradas são alguns dos traços que marcam os espigões da Avenida Rui Barbosa e Rua João Cordeiro, pontos turísticos de grande visitação na Capital. Por anos, guardam a contradição de serem espaços privilegiados de encontros e contemplação do mar, ao mesmo tempo em que são alvos contínuos de vandalismo e degradação.

O equipamento da Rui Barbosa recebe uma maior quantidade de visitantes. No local, é comum ver a atividade de pesca, pessoas passeando ou mesmo tomando sol nas pedras. Com frequência um pouco menor, o espigão da Rua João Cordeiro está com parte de sua estrutura de proteção quebrada, motivo de receio para quem passa pelo local. Enquanto esteve por lá, a reportagem também encontrou lixo e ratos.

"É a primeira vez que venho aqui. Estava vindo de um passeio ciclístico com minha família quando vimos este lugar. Resolvemos dar uma parada porque tem sempre gente circulando aqui e nós andamos sem medo, mas não tive coragem de vir à noite ainda", diz a professora Jocélia Ribeiro, de 34 anos.

Preservação

O professor de arte Alexandre Martins, 41, que visita os espigões em passeios com a família, acredita que os próprios frequentadores não contribuem para a preservação do lugar. "Jogam lixo no chão, têm os vândalos que picham e quebram as coisas. Para melhorar a conservação daqui o poder público precisa trabalhar. E tem, ainda, a questão da segurança. Tem que melhorar o policiamento e a iluminação do lugar à noite", afirma.

Admirador da orla cearense, o professor João Bosco Ferreira Barros, 45, também lamenta as condições do espigão. "Tem muita caixa de isopor, saco plástico e os próprios usuários do local não querem ajudar: urinam em qualquer lugar, enfim, não tem aquela educação ambiental. Não valorizam o que têm. Para ser um lugar turístico, precisa de uma atenção maior por parte das pessoas e do poder público. Gosto de caminhar de um espigão a outro, mas a sujeira é visível", relata.

Poder público

A Prefeitura de Fortaleza informa que realiza, diariamente, trabalhos de manutenção nos espigões ao longo da Avenida Beira Mar, com serviços de varrição, coleta de resíduos sólidos e, periodicamente, intervenções de manutenção dos espaços com pintura, reposição do piso, além da revisão da iluminação pública.

Concessão

Em nota, a Secretaria Regional II informou que os editais de licitação para a concessão dos espigões da Avenida Beira Mar (Rui Barbosa e Desembargador Moreira) ainda serão publicados, com previsão até o fim de janeiro. Dentre os critérios, estão a expertise da empresa, além do retorno social, financeiro e turístico.

As obras devem ser iniciadas até o fim do primeiro trimestre e concluídas ainda em 2020. As concessões não trarão custo para o Município e, ao longo de 18 anos, os espigões deverão render algo em torno de R$ 4 milhões aos cofres municipais.

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