Em dia mundial contra o câncer, histórias de superação de cearenses inspiram luta contra a doença

Uma costureira, uma professora e um aposentado com algo em comum: a história de superação contra a doença, que é a segunda maior causa de morte no Brasil. Dia Mundial da Luta contra o Câncer é comemorado em 8 de abril

Legenda: Além da cura, Nina recebeu outro presente que desejava: uma gravidez saudável. Débora nasceu em 2014.
Foto: Foto: Facebook

O câncer é uma batalha complicada de vencer, seja na hora de prevenir ou na hora de curar. A doença, que pode ser silenciosa ou causar gritos de dores, é a segunda causa de mortes no Brasil (atrás apenas das doenças no coração). Após vencer essa batalha, e levantar o mais valioso troféu - a vida - a costureira Nina Erika, o aposentado Airton Correia e a professora Maria de Melo inspiram perseverança, especialmente nesta segunda-feira, 8 de abril, Dia Mundial de Luta contra o Câncer.

Eu falo para que as pessoas tenham fé, que creiam. Deus deu sabedoria ao homem para que ele possa nos ajudar. Digo que elas se entreguem ao tratamento e não se envergonhem”.

Porém, antes de chegar a esse ponto, Nina enfrentou momentos complicados, que começaram em 2015. “A minha ‘regra’ não vinha. Eu fui começando a ficar muito fraca, sem apetite. Aí depois de uns dois meses veio (a menstruação). Só que veio continuamente, não parava. Não aguentava me movimentar muito. Não aguentava trabalhar. Se eu andasse até dentro de casa, cansava-me de ir da sala para o quarto”, relata Nina, que era educadora infantil, à época.

A então educadora ficou tão debilitada e perdeu tanto peso (a ponto de ver “os ossos das costela”), que um dia, após se deitar por conta do cansaço, percebeu “um caroço muito grande no ‘pé da barriga’”, rememora a costureira. O caroço que chamou a atenção de Nina era o sinal do diagnóstico que seria confirmado após alguns exame: câncer no colo do útero.

A solução? Oito meses de quimioterapia. “Eu ia na quarta-feira, passava o dia todo, começava a sessão 8h da manhã e terminava às 18h da noite. E na quinta-feira, começava 8h e terminava meio-dia. Dia de segunda-feira, eu fazia só exame de sangue”, relembra a costureira.

O lenço na cabeça (por conta da queda dos fios de cabelo, resultado da quimioterapia) e a máscara hospitalar que Nina usava eram, ao mesmo tempo, uma armadura para a saúde dela, e armas para o preconceito alheio.

“Quando a gente está de lenço na cabeça, de máscara, nós não estamos protegendo os outros, estamos nos protegendo. As pessoas têm medo da gente, desprezam e até são inconvenientes. Eu queria que as pessoas entendessem que não é transmissível”, incentiva Nina.

Em 2015, a costureira venceu outra batalha. Por conta do câncer, as chances de Nina engravidar eram, praticamente, nulas. Em uma das últimas consultas, a médica que a acompanhava sugeriu adoção, “que seria mais fácil”, revela Nina. Porém, seis meses após esse conselho, Nina teve de retornar à oncologista pois estava grávida de Débora, a primeira (e única) filha de Nina, com o atual esposo, Gleison.

Diagnóstico de câncer não é sentença de morte

A mesma força e esperança de Nina, ajudaram Airton Correia, procurador federal aposentado, após ser diagnosticado com câncer de próstata, em 2009. “Eu não me entreguei. Não fiquei pensando ‘ai, eu estou “lascado”… vou morrer… será que esse tratamento vai dar certo?’ Hoje eu conto a minha história para que as pessoas tirem da cabeça a ideia que diagnóstico de câncer é sentença de morte”, afirma o aposentado.

Legenda: O aposentado Airton Correia é um exemplo que a prevenção é uma das principais aliadas na luta contra o câncer.
Foto: Foto: arquivo pessoal

“Eu levo uma vida totalmente normal, sinto-me totalmente saudável. Faço atividades físicas porque o médico recomendou. A medicação que eu tomo pode transformar a massa muscular em gordura, então é bom se exercitar”, complementa Airton vai constantemente à academia de musculação. O aposentado descobriu uma anormalidade na próstata após um exame rotineiro de toque renal.

A atividade física é uma das formas de prevenir o câncer, de acordo com o médico oncologista, Aurillo Rocha. “Dieta, alimentação saudável, atividade física, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo. São medidas já bem conhecidas”, completa. “O que a gente tem de novo? Chegando das pesquisas clínicas, mas no Brasil não é tão comum, são as pesquisas genéticas”, sinalizando pesquisas emergentes que surgem no campo da medicina.

Procedimentos

“Quando a gente tem na família, por exemplo, uma ou duas pessoas com câncer de mama, como forma de prevenção, as outras pessoas da família começam uma ‘busca precoce, um rastreamento’. Então, a gente tem o que é tradicional, e o que vem por aí. E a gente tem os painéis genéticos, que são feitos para dizer o risco da pessoa ter câncer, de acordo com o perfil genético dela — alto ou baixo risco”

O exemplo utilizado pelo oncologista foi caso real na vida da professora Maria de Melo, 57. Em 2010, ela foi diagnosticada com câncer de mama, e relembra cada passo até receber alta em 2019.

“Foi marcado que eu faria oito sessões de quimioterapia, e depois faria radioterapia. Antes disso (radioterapia), fiz a cirurgia, mastectomia radical com esvaziamento da axila. Depois fiz a radioterapia, seguida de muita fisioterapia. E depois, durante oito anos, parei agora, fiz a hormonoterapia”. Esse último é um processo que consiste em tomar medicamentos durante, no mínimo sete anos e meio, até dez anos.

Legenda: A professora que se curou de um câncer de mama aconselha a fé, o amor e o carinho como complementos dos tratamentos tradicionais.
Foto: Foto: arquivo da família de Maria

Complementos

Todos esses processos (radio, quimio, fisioterapia) são tradicionais e firmados no tratamento do câncer. Contudo, o oncologista comenta os avanços recentes no que diz relação à etapa terapêutica do câncer.

“O primeiro avanço é a humanização. Trabalha-se muito a questão de uma equipe multidisciplinar, humanização do tratamento, introdução de terapias complementares. Em uma sociedade conservadora, isso é avanço. No avanço do tratamentos, temos terapias direcionadas, que a gente chama de ‘terapias personalizadas’”, complementa Aurillo.

De acordo com Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2018, o Ceará teve uma taxa de 501,53 casos de câncer (a cada 100 mil habitantes, entre homens e mulheres), considerando todas as neoplasias.

Entre elas, algumas das mais comuns são o câncer de próstata, de mama e do colo do útero. Considerando apenas esses três tipos, o estado registrou 130,19 casos da doença, por 100 mil habitantes, no ano passado.

Além do tratamento, a professora Maria destaca componentes fundamentais durante todo o processo de tratamento da doença.

Primeiramente, fé em Deus. Depois, procurar os médicos, fazer o tratamento, cercar-se de gente da família, procurar amor e carinho. Mas principalmente, ter muita fé em Deus”.

“Eu vou continuar fazendo as visitas aos médicos porque a gente precisa. Vou em cada um, no mínimo, de seis em seis meses; mamografia e ultrassom, no mínimo, uma vez por ano. Esse tipo de cuidado a gente tem que ter sempre, independente de estar curada ou não. Vou continuar me cuidando para o resto da vida”, revela Maria de Melo. Ela não nega que ainda tem medo em relação à recidiva. “Mas eu estou bem”, tranquiliza.

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