Diário vence 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo

A série investigativa "Matança da PM em Milagres e a invenção da resistência" conquistou mais um prêmio nacional de jornalismo. Troféu será entregue em Porto Alegre (RS), durante a cerimônia comemorativa pelos 71 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

O rigor da investigação e o esforço em trazer as histórias reais rendeu ao Diário do Nordeste mais um reconhecimento nacional pela série investigativa sobre crimes policiais no município de Milagres. Após ganhar em outubro o Prêmio Vladimir Herzog, considerado o mais importante do País, investigação liderada pelo repórter Melquíades Júnior conquista o 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, categoria Reportagem, em que concorreu com os finalistas "Tragédia em Minas", do jornal Estado de S. Paulo (2º lugar), e "Entre bíblias e fuzis", da revista Época (3º lugar).

Também integram a equipe vencedora os jornalistas Kílvia Muniz, Messias Borges, Emerson Rodrigues e Pity Maria, com fotografias de Thiago Gadelha e João Lucas Rosa, além das ilustrações de Benes e Lincoln Sousa.

Foram seis meses de publicações da série de matérias trazendo com exclusividade em apuração própria detalhes da operação em que a tropa de elite da PM cearense frustraria ataque a dois bancos, mas encerraria ação com saldo de 14 óbitos, sendo seis reféns. Foram ouvidas mais de 30 pessoas, entre testemunhas, vítimas e investigadores.

Série premiada

"É mais um prêmio de reconhecimento do jornalismo sério, em cujo conteúdo resolvemos apostar", destaca Ildefonso Rodrigues, diretor de Operações do Sistema Verdes Mares. A série é uma das consequências da busca do Diário do Nordeste pela excelência do jornalismo investigativo, o que tem rendido ao jornal prêmios dentro e fora do País nos últimos anos.

"Quando os órgãos de Segurança, de forma seletiva, decidiram silenciar por meses sobre a ocorrência, tivemos o apoio necessário para uma investigação jornalística que trouxe profundas revelações", afirma Melquíades Júnior. Dentre elas estava a confirmação de que todos foram mortos pela PM, além de apontar incongruências entre investigação da Polícia Civil e a primeira denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado, defendendo, com fragilidade, tese de latrocínio. Depois, a segunda denúncia oferecida pelo MPCE responsabilizava 19 militares e o vice-prefeito de Milagres, Abraão Sampaio.

A série revelou que Abraão levou na caçamba de seu veículo os corpos de cinco reféns até o hospital, embora todos já estivessem, conforme médico de plantão, mortos. De acordo com a Polícia Civil, esta e outras ações ocorreram para alterar a cena do crime. Vice-prefeito alega que atendia pedido da PM para socorrer vítimas.

Premiação

O Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo é dividido em dez categorias: rádio, acadêmico, televisão, reportagem, livro-reportagem, documentário, fotografia, crônica, on line e categoria especial. É promovido pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) secção Rio Grande do Sul. Instituído em 1984, o prêmio visa a estimular o trabalho dos profissionais na denúncia das violações e na vigilância aos Direitos Humanos.

Foram elementos para a escolha do júri a qualidade do texto, investigação original, profundidade da informação, tema socialmente relevante e valores éticos profissionais refletidos no trabalho. O prêmio será entregue no dia 10 de dezembro em Porto Alegre.

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