Creche no João XXIII suspende cobrança de mensalidades para evitar evasão escolar

Renda comprometida dos pais durante período de isolamento foi um dos fatores que levou à decisão

Sem a possibilidade de aulas presenciais e com o objetivo de evitar o cancelamento de matrículas durante a pandemia, a creche Tio Jaime, no bairro João XXIII, não cobrará mais mensalidades até que as atividades possam ser retomadas. A partir de maio, os alunos continuarão recebendo aulas e exercícios online sem pagar nada. A decisão foi pensada como uma forma de ajudar os pais que perderam as fontes de renda durante a quarentena e não prejudicar o ensino das crianças.

Em seu primeiro ano de funcionamento, a creche conseguiu manter o calendário normalmente por apenas três meses, até o início do isolamento. “O que eu tiro dessa situação é que é pra gente voltar mais fortificado. Nenhuma crise vai ser igual a essa, então qualquer uma que vier nós vamos tirar de letra”, diz o proprietário e diretor Jairo Coelho Peixoto. O educador afirma que grande parte dos pais de alunos tiveram a renda comprometida durante a pandemia e sempre perguntavam de quanto seria o desconto na mensalidade.

A decisão ajudou na economia da família de Ana Cláudia Lima de Sousa, 31, mãe da aluna Yasmin, de 5 anos. Neste mês, quando ficou doente após ser infectada pelo coronavírus, o dinheiro que seria gasto com a escola da filha foi empregado quase totalmente na compra de remédios. “Meu marido trabalha, mas a gente já vem numa crise financeira há muito tempo. Ajudou muito não precisar pagar”, relata. No início do isolamento, quando soube que a filha não poderia mais frequentar a escola, Ana Cláudia pensou até em suspender a matrícula de Yasmin.

Todos os dias os alunos têm acesso a aulas online, com atividades diferentes voltadas para cada série, do infantil I ao 1º ano do ensino fundamental. Nas sextas-feiras, a aula de artes é compartilhada com todas as turmas. Jairo ainda pede que os pais busquem na escola atividades impressas que são entregues três vezes por semana. Joana Paula Moura de Menezes, 39, mãe da aluna Valentina, 3, relata que, com mais despesas por causa da quarentena, a suspensão da cobrança veio em boa hora. “Em casa o tempo todo a gente gasta mais com água, luz. Economiza de um lado para gastar mais do outro”.

Funcionários

Jairo explica que as quatro professoras entraram em acordo para receber apenas 60% do salário, já que conseguiram aprovação do auxílio emergencial do Governo Federal. “Elas entenderam que a escola, por ter três meses de funcionamento, não teve tempo juntar dinheiro para uma situação dessa. Até escola grande não está tendo como pagar”. Apesar da incerteza de até quando irá durar as restrições de funcionamento de instituições de ensino, Jairo tem recebido procura de pais novatos todos os dias. Ele acredita que muitos desistiram de escolas maiores e buscarão alternativas mais baratas quando a quarentena acabar.

Lei concede descontos em mensalidades
 
O governo do Ceará sancionou no dia 11 de maio uma lei que concede descontos de até 30% em mensalidades de escolas da rede privada de ensino. De creches a estabelecimentos de ensino superior, as instituições também não podem cobrar juros ou multas de pagamentos atrasados. No entanto, uma ação movida no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) tenta derrubar a decisão.


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