Covid-19 já matou 32 crianças e adolescentes no CE; em Fortaleza, bairros periféricos têm mais casos

Segundo especialista, a baixa prevenção ao vírus em regiões com maior vulnerabilidade social é uma das justificativas

Escrito por Redação,

Metro

O Ceará já registra 32 mortes de crianças e adolescentes até 19 anos causadas pela Covid-19 desde o início da pandemia no Estado. O óbitos foram contatados em 20 municípios cearenses, sendo a Capital a cidade mais afetada, com 11 óbitos distribuídos principalmente em bairros periféricos, como Vila Velha e Bom Jardim. 

Os dados são da última atualização do IntegraSUS, às 18h26 desta terça-feira (16), e foram obtidos a partir do Núcleo de Dados do Sistema Verdes Mares.

 

 

Além de Fortaleza, com 11 óbitos, Sobral teve três óbitos, e os demais uma morte cada: Aracoiaba, Barro, Beberibe, Cascavel, Granja, Caucaia, Crateús, Frecheirinha, Guaraciaba do Norte, Iguatu, Itapipoca, Maracanaú, Moraíma, Monsenhor Tabosa, Parambu, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante e Viçosa do Ceará.
 
Já os 11 óbitos registrados em Fortaleza se deram nos bairros Quintino Cunha, Manuel Sátiro, Boa Vista, Bom Jardim, Joaquim Távora, Lagoa Redonda, Centro, Vila Velha, Presidente Kennedy, Jardim Guanabara e José de Alencar.
 

Óbitos

De acordo com o infectologista e pesquisador Keny Colares, uma das possibilidades para os óbitos em Fortaleza se darem em bairros com maior vulnerabilidade social é o fator de prevenção ao vírus. “Nós sabemos que a adesão aos cuidados nesses bairros são menores. Há dificuldade de acesso à informação, também. O vírus pode se manifestar de diversas formas quando se tem muitas pessoas morando na mesma casa”, exemplifica.

Conforme o especialista, as comorbidades também podem ser motivação para os óbitos em uma faixa etária pouco acometida fatalmente, como as crianças e adolescentes.  “É preciso ter cuidado com essas especificações, como diabetes e obesidade. Muita gente acha que, por serem mais jovens, não podem desenvolver quadros graves. Mas fica o alerta: cada caso é um caso. Principalmente em quem está inserido nos outros fatores de risco”, pontua.

Existe ainda outra doença que pode ser desenvolvida após a Covid-19 nos mais jovens, segundo Colares. “A Síndrome de Kawasaki tem sido percebida em crianças, principalmente, que são assintomáticas na Covid. Acontece que essas crianças têm sintomas leves e mais futuramente desenvolvem essa outra síndrome, que pode ser mais grave. Seria um tipo de resposta imunológica à Covid. Já há alguns casos na cidade, mas ainda é pouco estudada. Não sabemos essa relação profundamente ainda”, aponta.

Procurada para detalhar ações dentro dos bairros, a Prefeitura de Fortaleza comunicou, por nota, que desenvolve diversas ações de prevenção e combate a Covid-19, contemplado as sete Regionais da cidade e todas as faixas etárias.

1. Agentes Comunitários de Saúde (ACS), com visitas domiciliares;
2. Distribuição de máscaras para todos (Projeto Todos com Máscara);
3. Fiscalizações e monitoramento de diversos espaços da cidade;
4. Orientação com Agentes de Cidadania reforçando a importância do isolamento social e também com distribuição de máscara;
5. Caminhões pulverizadores em bairros com altos índices;
6. Novo protocolo farmacológico para casos leves nos postos de saúde;
7. Limpeza diária dos transportes públicos;
8. Suspensão das aulas;
9. Cursos e Palestras Online para Jovens,por meio da Rede Cuca;
10. Escuta psicológica gratuita, por meio da Secretaria Regional I e grupo voluntário.

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