Covid-19: Ceará tem menor taxa de transmissão desde o início da pandemia

Durante o pico da doença, a taxa de transmissão estadual alcançou 2,0. Agora, o índice está em 0,64. Especialistas reforçam a necessidade de manter as medidas preventivas para barrar a disseminação do vírus da Covid-19

Legenda: Regras de distanciamento social ajudam a barrar a disseminação da doença. Em locais públicos, o uso de equipamentos de proteção individual reforçam os cuidados com a coletividade
Foto: Fabiane de Paula

A atual taxa de transmissão do novo coronavírus divulgada pela Secretaria Estadual da Saúde do Ceará (Sesa-CE) é a menor já vista desde o mês de março de 2020, quando os números relacionados à pandemia começaram a ser informados pela Pasta. Conforme dado mais recente disponibilizado por meio da plataforma IntegraSUS, o número de reprodução efetiva de casos (RT) no Estado é de 0,64.

Até o fim da tarde de ontem, 192.652 casos de Covid-19 eram confirmados no Ceará. 8.076 pessoas morreram e 164.954 se recuperaram da doença. A atual taxa de letalidade da doença é 4,19.%.

O RT mostra que para cada pessoa positivada com Covid-19 no Ceará, esta, não necessariamente transmite o vírus a outra. Atualmente, todas as regiões do Estado estão com RT abaixo de um. O maior índice é o observado no Sertão Central, com 0,94.

Há cinco meses, conforme a Secretaria, a taxa de transmissão era de 1,78. No dia 17 de março houve o pico da transmissibilidade do novo coronavírus, chegando a 2,0 em nível estadual e 2,02 na Capital.

Com a diminuição da taxa de transmissão, também cairam as taxas de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e das enfermarias.

De acordo com o boletim epidemiológico, ontem, a ocupação das UTIs estava em 59,23% e das enfermarias 34,08%. No último 17 de março os números eram 72,21% referente aos leitos das Unidades de Terapia Intensiva e 40,44% das enfermarias.

Prevenção necessária

A queda corrobora a eficácia das medidas adotadas pelo Governo, como o isolamento social e a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção.

Segundo especialistas, os números também destacam que o vírus permanece circulando e que a permanência do cumprimento destas ações será importante para que a taxa permaneça em queda, não havendo assim uma 'segunda onda' da doença.

Para o infectologista Keny Colares, a baixa do RT tem relação com o alto número de pessoas já infectadas, adoção de medidas farmacológicas e até mesmo a mudança de temperaturas climáticas.

"À medida que temos mais casos confirmados, temos menos pessoas suscetíveis à doença. A taxa de transmissão significa o número de pessoas, em média, que alguém infectado é capaz de contaminar", explica o especialista.

Colares lembra que quando a taxa fica acima de um significa que cada doente pode contaminar mais de uma pessoa. Já quando o RT se aproxima de 0,5, na teoria, a cada duas pessoas que se infectam uma só transmite o vírus a outro.

O infectologista Danilo Campos destaca que o fato de uma pessoa transmitir cada vez menos para outras também está atrelado ao isolamento. "Quando um doente transmite para menos de uma pessoa a taxa diminui. Existem algumas explicações, mas a que temos comprovadamente sobre a diminuição é que o distanciamento social é realmente eficaz. Ele dificulta essa transmissibilidade", diz o médico.

A retomada das atividades de forma gradual e lenta, atrelada à obrigatoriedade do uso de máscaras, impacta positivamente, reiteram os especialistas. "Se abolirmos as medidas de contenção, especialmente de uma hora para outra, podemos ter uma nova onda da doença. Ainda temos o vírus circulando e pessoas que ainda não tiveram a doença. Isso significa que temos os ingredientes necessários para uma possível piora", pontua Keny Colares.

Cenário na Capital

De acordo com dados do IntegraSUS, Fortaleza está com taxa de transmissão de 0,78. Há pouco mais de um mês o índice na capital era 0,92. Segundo a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Fortaleza, o atual número calculado pelo Município é ainda menor: 0,65. Os dados diferem devido ao cálculo específico de cada órgão.

O médico e gerente da sala de Vigilância, Antônio Lima, ressalta que a permanência do RT abaixo de um é essencial para a continuidade do avanço da flexibilização do isolamento social.

Segundo Lima, níveis abaixo de 0,7 indicam controle da transmissão do vírus e que a doença se encontra em um nível suportável. "Em Fortaleza, quando saímos do isolamento social rígido e começou o protocolo de flexibilização, a taxa já estava em menos de um. Desde então a taxa cai. É um 'R' bem confortável, de controle. Temos hoje uma transmissão em Fortaleza que consideramos como residual. A onda cresceu, atingiu um pico e agora não há mais transmissão sustentável como um todo", afirma Antônio Lima.

O gerente acrescenta ainda que, caso exista um "repique de casos" a taxa irá aumentar e o planejamento de retomada da economia precisará ser revisto, afetando a todos os setores da sociedade.

"Na Capital é um pouco mais difícil que a taxa volte a aumentar significativamente. Já estamos com algumas semanas de reduções seguidas. Monitoramos surtos localizados. Acredito que o que pode estar acontecendo em várias áreas do Estado do Ceará seja algo como a proximidade da chegada a um liminar da imunidade de rebanho", pondera.

A Capital permanece em primeiro lugar no ranking das cidades do Estado com mais infectados e mortos. Até o fim da tarde de ontem eram 44.519 casos confirmados e 3.750 óbitos desde o início da pandemia.

Proteção e autocuidado

A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou lei para multar quem não utilizar máscaras de proteção. Os valores previstos vão de R$ 100 a R$ 1.001, incluindo pessoas físicas e jurídicas. A lei aguarda sanção por parte do governador Camilo Santana (PT).

Quando colocada em prática, a fiscalização deve caber aos órgãos de segurança, como Polícias Civil e Militar e as Guardas Municipais. É mais uma tentativa de reforço contra o avanço da Covid-19.

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