Covid-19: 55 óbitos foram registrados em abrigos para idosos no CE; 35 na Capital

Os dados são da última atualização feita pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), em 19 de junho

Idosos do Lar Torres de Melo
Legenda: Idosos do Lar Torres de Melo
Foto: Helene Santos

Em um cenário de pandemia existem vários grupos vulneráveis a situação, no caso do novo coronavírus os idosos estão no topo dessa lista. No Ceará, 55 idosos abrigados em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) morreram vítimas da Covid-19. Deste número, 35 foram registrados em Fortaleza. Os dados foram coletados até o último dia 19 através do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

 

O registro de óbitos mais que dobrou desde a última divulgação feita em 25 de maio, quando o Estado tinha 26 mortes em ILPIs. Em relação ao número de casos da doença pandêmica, 500 diagnósticos foram feitos em todo o Ceará, sendo 269 apenas em Fortaleza. Do total de casos, porém, 394 já foram recuperados.

Segundo o MPCE, os números são aproximados, tendo em vista que, das 66 ILPIs presentes em todo o Estado, 53 responderam ao questionário de acompanhamento sobre o assunto. Já na Capital, 16 das 25 ILPIs enviaram as informações. Conforme a atualização, o Ceará tem 1.607 idosos institucionalizados. 

Inspeções

Em Fortaleza, os abrigos passam por fiscalização da 15ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, com atribuição na Tutela Coletiva da Pessoa Idosa. Depois dos casos dentro dos lares de idosos seguirem a linha do pico de casos da cidade, o MPCE cobrou medidas mais efetivas para a contenção do vírus nas instituições e passou a realizar inspeções. 

De acordo com o promotor de Justiça Hugo Porto, que coordena a área do idoso do Grupo Especial de Combate à Pandemia do Novo Coronavírus do MPCE, as inspeções ocorrem de duas maneiras: remotamente e semipresencial, com a ajuda de uma pessoa do Serviço Social do MPCE.

“A gente desenvolveu alguns canais e algumas ferramentas para fazer essas inspeções remotamente, como dois checklists virtuais; acompanhamento das câmeras, guardando a privacidade dos idosos; e acompanhando como é feito quando um idoso que precisa ir ao hospital ou instituição financeira, como é esse transporte, além de como está acontecendo o contato seguro entre os familiares, já que as visitações estão suspensas desde março”, detalha. 

Apesar dos números atuais, a situação nas ILPIs têm mostrado uma melhora. “Houve uma melhoria dos índices, mas eu falo em Fortaleza, devido a própria dinâmica do vírus. Mas hoje, por exemplo, na Casa de Nazaré (abrigo de idosos) tivemos a feliz notícia que não tem nenhuma contaminado, nenhum com isolamento e nenhum com suspeita [de Covid-19]. Então a gente percebe uma evolução sim”, pontua. 

As inspeções começaram em 10 de junho e até o momento foram inspecionadas o Recanto Bom Viver, Lar Torres de Melo, Unidade de Abrigo Estadual Olavo Bilac, Lar de Amparo ao Idoso Aconchego de Santa Terezinha e a Casa de Nazaré, que recebeu hoje (29) a inspeção, o local desde o início da pandemia registrou 2 óbitos.

Para o promotor Hugo Porto, a grande evolução positiva desses abrigos vem do trabalho em rede. “Eu friso isso, porque é nosso diferencial, nós estamos conectados com a Sesa (Secretaria de Saúde do Estado do Ceará), com a saúde do município, com assistência do município, Ministério Público, conselhos municipais da pessoa idoso, o conselho estadual (Conselho Estadual do Idoso-CEDI). Essa articulação dar uma agilidade na solução das questões”, destaca.

Contato

Os idosos que vivem nas instituições de longa permanência tinham uma rotina agitada antes da pandemia: recebiam voluntários, visitas de escolas e de seus familiares, mas logo no início da crise sanitária essa rotina mudou completamente. Desde março, as visitas estão proibidas nas ILPIs e sem prazo de retorno ao convívio normal, de antes da pandemia, segundo informações do MPCE. Essa falta de contato está sendo suprida com auxílio da tecnologia. “Quem ainda tem laços familiares, estão fazendo esse contato via WhatsApp, por videochamada, tem dado um resultado muito bom ”, informa o promotor José Aurélio Silva, que participa das inspeções.

“No último lar que visitamos [Casa de Nazaré], eles encontraram uma alternativa interessante. O parente ou amigo pode ir até a portaria e eles levam o idoso a uma distância segura para eles se verem. É importante também esse ver fisico, para não perder esse vínculo, para que esse abalo não seja tão forte”, destaca Aurélio.

Além desse contato, o promotor Hugo Ponte ressalta que é importante agora o trabalho voltado para a saúde mental dessas pessoas idosas, porque além de estarem longe de seus familiares também sofreram perdas de amigos, em seu convívio. “Agora pensamos em viabilizar um canal para que esses idosos, virtual mesmo, de acolhimento psicológico. Porque sabemos que tem idosos que estão ali, perderam seu amigo, compõe o grupo de risco, a fragilidade é maior e isso trás uma carga de estresse elevada para eles. Precisamos lidar com a saúde mental dos residentes”, conclui.  

    

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza


Redação 18 de Outubro de 2020