Coronavírus no trabalho: relaxamento aumenta risco de transmissão em ambientes internos

Médico do trabalho alerta empresas e trabalhadores sobre o foco na prevenção

Legenda: Manutenção dos protocolos no ambiente de trabalho reduz as chances de transmissão coletiva.
Foto: Banco de Imagem

O relaxamento nos cuidados em relação à Covid-19 tem custado milhares de vidas. Não manter o distanciamento recomendado ou estar desprotegido, sem máscara, pode suscitar uma contaminação em cadeia. E isso pode acontecer, inclusive, nos ambientes de trabalho. 

Quem não pode trabalhar de casa e precisa estar presencialmente no local de trabalho não pode relaxar nos protocolos. Mas, de acordo com o médico do trabalho Claudio Ponte, Diretor Médico da Labor Life, o cumprimento das medidas de prevenção tem diminuído nos ambientes internos corporativos.  

"Percebemos que os colaboradores não estão mais mantendo a aderência aos protocolos preventivos estabelecidos no início da pandemia”, observa o profissional.  “Os protocolos de distanciamento e a não utilização de máscaras em ambientes internos corporativos são frequentes. Em geral, os colaboradores perderam o receio de transmissão e as organizações não estão mais focando na capacitação continuada de protocolos de prevenção", analisa Claudio Ponte. 

Para o médico, o aumento de casos está relacionado diretamente ao “relaxamento de indivíduos e organizações das medidas de prevenção predeterminadas. Como observa, dois fatores  impactam diretamente no contágio em ambientes laborais: “os colaboradores estão condicionados e fixados em suas tarefas com foco em resultados operacionais, pondo inconscientemente, os protocolos de prevenção ao contágio em segundo plano, em virtude das rotinas de trabalho já existentes”, argumenta. Em segundo lugar, se um indivíduo portando o vírus estiver no ambiente laboral, a transmissão coletiva será inevitável. 

 “O foco deve ser dado para a prevenção dentro e fora da empresa, pois boa parte das transmissões ocorrem no ambiente familiar e posteriormente chega ao local de trabalho”, destaca o médico do trabalho. Além do óbvio uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos, o médico recomenda que empresas adotem ações como o acompanhamento da sintomatologia da doença de forma antecipada, ou seja, logo que o indivíduo apresentar os primeiros sintomas, a empresa já deve buscar o afastamento para evitar a transmissão coletiva. Outra importante ferramenta, aponta, é a testagem dos colaboradores e aplicação de questionário de sintomatologia.  

 “Ressalto que todas as medidas de prevenção da doença devem permanecer em plena aderência de pessoas e empresas sem prazo definido para finalização. As medidas de controle só deverão ser abandonadas mediante a vacinação de toda a população, prazo este que não podemos estimar. A única ‘arma’ que nós temos são os protocolos de prevenção estabelecidos”, finaliza Claudio Ponte.  

 

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