Comunicado: Um crime lembrado nas ruas

Vereadores de Fortaleza aprovaram projeto que denomina uma rua no bairro Bom Jardim com o nome da travesti Dandara Ketley, que foi brutalmente assassinada em 2017. O crime chocou o País e teve repercussão internacional. Dandara acabou se tornando símbolo de resistência contra a matança de pessoas trans no Brasil. A medida, de iniciativa do vereador Ronivaldo Maia (PT), segundo o autor, busca valorizar as pessoas vulneráveis de nossa população, vítimas de uma estrutura racista, LGBTfóbica, misógina e patriarcal. O crime bárbaro precisa ser lembrado para que a sociedade encontre mecanismos de preservação da vida.

CENÁRIO

Apesar da dimensão que o caso Dandara se tornou, os crimes continuam aumentando diariamente. O Ceará está entre os cinco estados com mais mortes de pessoas trans entre um de janeiro e 31 de outubro de 2020. O Estado é o segundo mais, com 19 casos. O triste ranking é da Associação Nacional de Travestis e Transexuais. É uma realidade que precisa mudar o mais rápido possível. A intolerância, o desrespeito e o crime de gênero precisam sair do radar dos tempos que vivemos.

MANIFESTAÇÃO

A memória de travestis e transexuais do Ceará foi lembrada ontem através de mensagens em outdoors espalhados pela cidade de Fortaleza. "Procura-sy travestis vivas vivas vivas no estado do Ceará. O tempo e o tecido conjuntivo da vida, nos permitam viver", dizia um dos painéis expostos em Fortaleza. A manifestação, que tem como objetivo lembrar os casos de homicídios de pessoas trans no Ceará, faz parte de projeto que contempla o edital Cidadania Cultural e Diversidade, da Lei Aldir Blanc, lançado em setembro de 2019 pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult).

LEGISLATIVO

Uma rápida procura no portal da Câmara dos Deputados por projetos em benefício das pessoas trans é perceptível que há ainda poucas iniciativas parlamentares, em termos nacionais, para esse tipo de enfrentamento. Deputados federais que são muito bem remunerados, e estão lá para servir o povo, precisam ter mais sensibilidade e entendimento de Brasil quando pensarem em projetos de lei para mudar a vida das pessoas. É perceptível também que as poucas iniciativas rondam sempre os mesmos parlamentares. Uma pena para um País tão grande como o nosso.

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