Com dificuldade, Casa da Esperança atende 460 pessoas com autismo

Há quatro meses sem conseguir renovar o convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), a Instituição trabalha contornando desafios financeiros diariamente, com a oferta de atendimentos terapêuticos em vários âmbitos

Legenda: A Casa da Esperança atende a 460 pessoas diagnosticadas com Transtornos do Espectro Autista (TEA), com idades que variam de um a 50 anos
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

Desde 1993, ano em que foi fundada a Casa da Esperança, no bairro Luciano Cavalcante, a proposta de oferecer uma vida plena e outros direitos inerentes a quem é diagnosticado com Transtornos do Espectro Autista (TEA) vem sendo mantida, apesar de muitos desafios. Hoje, a Casa atende 460 pessoas, com idades variando entre um e 50 anos.

Na Instituição, são oferecidos serviços de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, fisioterapia, enfermagem, assistência social, psiquiatria e pediatria. O funcionamento é garantido por 160 profissionais.

"Em torno de 50 são terapeutas, e cerca de 100 são cuidadores, agentes terapêuticos, funcionários da limpeza, manutenção e o próprio setor administrativo", explica Tatyana Austregésilo, diretora administrativa da Casa da Esperança. Segundo ela, além das 460 pessoas atendidas em regime de quatro horas, pela manhã ou à tarde, há ainda os pacientes ambulatoriais, que vão até a Casa para consultas com psicólogo ou psiquiatra.

Para conseguir atendimento, muitas mães se deslocam de bairros distantes, precisando de dois ou mais ônibus para chegar até a Instituição. Lá, enquanto esperam o fim das sessões dos filhos, as mulheres têm acesso a oficinas de bordado e palestras sobre autismo. "Elas fazem peças que ficam para a Casa da Esperança vender e reverter em recursos. Ao mesmo tempo, estão aprendendo e podem fazer isso em casa, para ter uma renda extra".

O bordado funciona mais como uma forma de lazer para a dona de casa Marta Barbosa, 46. Ela vem de Messejana diariamente com o filho Isaac, 14, que recebeu o diagnóstico de autismo na Casa da Esperança, aos 5 anos de idade.

Desafio

"Eu não sabia o que era autismo. Achava que ele tinha algum outro problema. Ele começou logo o tratamento e já melhorou muito", lembra Marta. Ela relata que seu filho não conseguia falar, e hoje já consegue se expressar.

"A única queixa maior que eu tenho dele é a compulsão por brinquedo. Todo dia ele quer mais, um novo. Se der tudo que ele quer, é uma maravilha, mas se não der, ultimamente ele está ficando agressivo, ainda mais quando é contrariado", ressalta Marta.

A fundadora da Casa, Fátima Dourado, ressalta que o principal desafio é de ordem financeira. "Nesse momento, a gente está se mantendo de fé. Recebíamos o mesmo recurso do Sistema Único de Saúde (SUS) há 15 anos. Nunca teve um aumento, e fomos colocando mais pessoas para dentro porque essa é a nossa missão. Mas a Casa está quebrada", lamenta Fátima.

"Atendemos pessoas que o teto financeiro do SUS não comporta mais. Então, acabamos acolhendo gratuitamente", ressalta Tatyana. A Instituição será uma das beneficiadas pelo Encontro de Mulheres Pague Menos, que acontece de 16 a 19 de maio e gera expectativa para as administradoras. "Nosso sonho é que dê para pagar pelo menos um mês, porque as pessoas estão sem receber. Desde janeiro, não conseguimos reaver a parceria com o SUS", diz Fátima.