Chuva deixa 60 famílias desalojadas em Iguatu

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Três casas caíram, uma na Vila do Barro Alto e duas no Sítio Tonante. As perdas agrícolas ainda não foram contabilizadas

Iguatu. A Lagoa do Barro Alto, localizada na zona rural deste município, transbordou e inundou 80 casas, deixando 60 famílias desalojadas na vila de mesmo nome. Uma casa caiu. Outras duas também desabaram no Sítio Tonante. A cheia foi provocada pelas chuvas que banharam a região nos últimos dois dias. Ontem à tarde, o nível da água continuava subindo, deixando os moradores e a Coordenadoria Municipal da Defesa Civil (Comdec) preocupados.

Essa, segundo moradores, é a maior inundação dos últimos 24 anos que atingiu a Vila do Barro Alto. A região é uma das maiores produtoras de arroz e de banana do município. Os técnicos da Comdec ainda têm estimativas das perdas agrícolas. Os prejuízos devem atingir centenas de produtores rurais.

A maioria das famílias desalojadas está abrigada provisoriamente na Escola de Ensino Fundamental São Sebastião, na casa paroquial e em casas de amigos e parentes na Vila do Cangati. Ontem, o dia foi de intensa movimentação. Caminhões e tratores foram usados para a retirada de móveis e utensílios domésticos das famílias atingidas pela cheia.

A Prefeitura distribuiu cestas básicas, colchonetes e um sopão para as famílias desalojadas. “Estamos trabalhando direto na transferência e no apoio às famílias vítimas da cheia”, disse o líder comunitário e vereador, Nelho Bezerra. “A nossa preocupação é com o aumento do nível das águas, que pode inundar mais casas”.

Apesar do risco da elevação do nível das águas, algumas famílias permanecem no local. “Se a água continuar subindo eu saio, mas por enquanto vou esperar”, disse a dona-de-casa Antônia Alves Bezerra, mais conhecida por dona Branca. “Confio em Deus”.

Prejuízo

O trabalhador rural Antônio Gomes de Lima Neto saiu às pressas na madrugada de ontem. A casa onde que ele morava com a família desabou. “Deu tempo de tirar as coisas, mas a casa caiu por volta das 2 horas da madrugada”. Na mesma rua, outras oito casas ficaram inundadas. A maioria é construção de taipa.

“Essa é a primeira vez que a cheia vem da lagoa, porque as outras foram provocadas pelo aumento das águas do Rio Jaguaribe”, disse o agricultor aposentado, José Trajano. Também agricultor, José Alves Teixeira tentou tirar espigas de milho do plantio feito em janeiro passado com o uso de uma canoa. A plantação ficou submersa. “Estou tentando recuperar alguma coisa, mas ficou tudo dentro d’água”, disse, acrescentando que “o plantio estava bom e iria dar uma boa safra”.

A dona-de-casa Ediva de Souza Bezerra, com a ajuda de um reboque e um trator, fez a mudança na manhã de ontem. “Estou indo para a casa de uma filha, que mora na cidade de Cariús”, contou. “Deixei a casa fechada com água dentro, a um metro de altura”.

Honório Barbosa
Repórter

ENQUETE
Casas inundadas e plantações perdidas

José Alves Teixeira
Agricultor

"Perdi quase toda a plantação de milho que ficou dentro d´água. Essa é a maior cheia que já vi nessa lagoa"

Ediva de Souza Bezerra
Dona-de-casa

"Pensava que a água ficaria só na calçada, mas ela veio de uma vez e inundou toda a minha casa. Foi um susto"

Antônio Gomes de Lima Neto
Agricultor

"A água chegou de uma vez na madrugada, só deu tempo de tirar as coisas e a casa caiu. Ficamos desabrigados"

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