Cearenses no exterior relatam a nova rotina de volta às aulas dos filhos em meio à pandemia

Retorno presencial é marcado por medidas de segurança para evitar contágios da Covid-19 nos Estados Unidos e na Inglaterra; na cidade de Borlänge, Suécia, as atividades escolares seguiram sem mudança para ensino remoto

Legenda: Na Inglaterra, o governo britânico adotou medidas rígidas de combate ao coronavírus; Magnum Façanha, 35, e Juliana Lôbo, 38, adaptaram a rotina para a realização das atividades escolares remotas de seus dois filhos, Bernardo e Liz
Foto: Arquivo pessoal

A volta das aulas presenciais se tornou uma realidade já presente em alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra. Cearenses vivendo nesses locais relatam que a permissão de retorno foi acompanhada por uma série de medidas de prevenção. Mesmo com as diferenças, uma das principais recomendações é a de permanecer com a criança no lar, em casos suspeitos da Covid-19

Na Inglaterra, quando o retorno das aulas foi permitido pelo governo britânico, cada escola teve uma data distinta de início, não sendo permitida a volta de todas as séries simultaneamente. A gerente de marketing Juliana Lôbo, 38 anos, precisou adaptar a realidade da família para o retorno no dia 15 de junho. Ela tem dois filhos: Bernardo e Liz Lôbo Façanha, com, respectivamente, 7 e 5 anos. Apenas a mais nova voltou às aulas. O mais velho deve retornar somente em setembro.

As aulas permaneceram ocorrendo por cerca de um mês, até 16 de julho, encerrando devido ao início das férias de verão. Dentre uma das mudanças com o retorno presencial, Juliana aponta a redução da carga horária e a divisão das crianças em turnos. Morando em Londres com a família desde setembro de 2018, estava acostumada com as aulas ocorrendo entre 9h até 15h45.

Entretanto, após a pandemia, a filha passou a permanecer somente metade do turno e precisou começar a ir para a escola já alimentada. 

“As recomendações foram muitas. Recebemos dezenas de e-mails com explicações sobre o retorno, instruções sobre como lavar as mãos corretamente e, acima de tudo, orientações sobre como deveríamos proceder caso qualquer um de nós apresentássemos qualquer sintoma da doença”, compartilha. 

Em casos de suspeita da Covid-19, o governo recomenda informar à escola e permanecer em casa com a criança. A família pode ficar em quarentena ou realizar o teste para confirmar negativo antes de retornarem às atividades normalmente. “Como o teste aqui é muito rápido, muito simples, rapidamente a gente tem esse resultado”, coloca. 

Apesar de no começo ter se sentido um pouco insegura com a volta das aulas presenciais, Juliana permitiu que a filha regressasse logo que o governo autorizou a medida. “Percebi que muitos pais estavam com muito receio no início, mas acabaram concordando em levar os filhos também”, acrescenta. 

Apoio

Legenda: Na Suécia, as duas filhas de Roberta, 38, e Markus Sjöholm, 39, seguiram com aulas presenciais; os pais precisaram somente ficar atentos em caso de aparecimento de sintomas da Covid-19
Foto: Arquivo pessoal

Para a assistente social Roberta Mesquita Sjöholm, 38 anos, a experiência da pandemia foi marcada por mudanças e adaptações. Morando há 12 anos no país, acompanhou a série de recomendações realizadas pelo governo, como o pedido para a população evitar aglomerações e o uso de transportes públicos. “Nada foi obrigado, tudo foi uma recomendação”, aponta. 

Em sua cidade, Borlänge, as restrições foram menores por estarem há duas horas de distância da capital, Estocolmo. Em relação às aulas, Roberta comenta que não houve interrupções nas atividades das filhas As filhas, Letícia e Melissa Sjöholm, de 7 e 3 anos.

“As duas tiveram continuidade com a escola e com a creche, a gente não parou nenhum dia”, declara. E, apesar das crianças terem tido 10 semanas de férias escolares, a escola ainda permaneceu aberta para os pais que trabalhavam nesse período deixarem os filhos. 

Mesmo com medidas mais leves, como a não obrigatoriedade do uso de máscaras, as famílias são recomendadas a verificar se a criança apresenta algum tipo de sintoma da Covid-19. Quando Melissa ficou com nariz escorrendo, Roberta permaneceu em casa com a filha. “Ela retornou à creche quando estava sem sintomas, mas ninguém na creche ficou contaminado até hoje”, afirma. 

No caso de um dos pais precisarem se ausentar do trabalho para cuidar do filho, o sistema sueco garante o direito de recebimento de 80% do salário do funcionário no dia tirado para estar em casa, sendo necessário somente notificar a escola e o ambiente profissional.

Retorno opcional

Legenda: Mesmo com a possibilidade de retorno presencial, Micaelle e Rafael optaram pela permanência do ensino remoto para a sua filha Júlia, 12 anos
Foto: Arquivo pessoal

No caso da publicitária Micaelle Machado, 34 anos, que vive nos Estados Unidos desde agosto de 2018 com o esposo Rafael Girão, 37 anos e a filha Ana Júlia, 12 anos, o retorno presencial para as aulas foi dado como opcional. Em Orlando, ainda no começo da pandemia, a escola comunicou aos pais que não haveria a volta das aulas presenciais.

Julia estudou remotamente entre os meses de março a maio, tendo o ensino suspenso apenas pela chegada das férias de verão. No dia 21 de agosto, as escolas retomam as atividades, mas as famílias foram convidadas a participarem de uma pesquisa e a escolherem se preferem continuar em modelo de ensino remoto ou regressar ao presencial.

“Por conta da insegurança que eu decidi que ela vai voltar para o modelo online. Aqui em casa a gente decidiu que, até o final do ano, é interessante ela ficar nessas aulas a distância para a gente ver como vai desenrolar tudo”, comenta.

Para aqueles que optaram pela volta presencial, a escola tem adotado alguns cuidados, como o uso de máscara, o distanciamento das carteiras e a limpeza das mãos com álcool em gel. “Eles mandam muitas mensagens sobre os cuidados que estão tendo. Tiveram várias reuniões de conselhos e fizeram algumas transmissão dessas reuniões”. 

Durante o período das aulas remotas, a instituição organizava pacotes com lanches para as famílias em situações de mais vulnerabilidade poderem pegar e levar aos filhos. Ocorria toda segunda, quarta e sexta-feira. “A escola tem um cuidado muito grande com a comunidade, então isso é bem interessante”, finaliza.

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Redação 23 de Setembro de 2020