Ceará chega a 21 mortes por Covid-19; veja divisão de casos na Capital

Número de mortes provocadas pelo novo coronavírus mais que dobrou no Estado. Fortaleza concentra 17 óbitos, distribuídos em 13 bairros distintos, enquanto os casos confirmados se espalham por mais de 50 comunidades

Legenda: Segundo especialistas, isolamento social tem ajudado, mas casos avançam em bairros da Capital
Foto: Foto: Camila Lima

O Ceará já soma a triste marca de 21 óbitos em decorrência da Covid-19. O número de confirmações de mortes por causa da infecção pelo Sars-Cov-2, o novo coronavírus, mais do que dobrou, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado; na noite dessa quarta-feira (1º), nove casos haviam evoluído para óbito. Ao passo que o número fatal vem subindo, o vírus também vai se propagando pelos bairros da Capital e por cidades do interior.

Em Fortaleza, desde 24 de março até ontem, foram contabilizadas 17 mortes em razão da Covid-19, em praticamente todas regionais, conforme o mapa ao lado. Há casos especialmente nos bairros da Regional II, como Meireles e Cocó (cada um com dois registros); e Regional IV, em comunidades como Fátima (2), Damas (1) e Serrinha (1). Apenas a Regional I ainda não contabilizou esse tipo de registro pela infecção viral. O último óbito não teve bairro divulgado.

"Se houve um óbito em um bairro x, muito provavelmente existem casos. Embora os casos ainda estejam concentrados nas áreas mais ricas da Capital, estamos num momento de dispersão, e as medidas de isolamento são fundamentais, cruciais para diminuir o fluxo", constata o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da Prefeitura de Fortaleza, Antônio Lima.

O relato corrobora com o mapa que mostra a dissipação do novo coronavírus na Capital, cujo território é o epicentro no Ceará. Conforme Antônio Lima, há dez dias, o vírus circulava em 23 bairros de Fortaleza; ontem, porém, a Secretaria da Saúde do Estado já havia confirmado casos da doença provocada por ele em mais de 50 comunidades de todas as regionais.

"Esta propagação está sendo lentificada pelas medidas de isolamento. Ela poderia ser muito maior se os governos estadual e municipal não tivessem tomado as medidas que tomaram", ressalta o gerente da Vigilância Epidemiológica. Posição também reiterada pela secretária da Saúde do Município, Joana Maciel. Segundo ela, o isolamento "é muito importante porque agora a doença tende a chegar nas áreas mais vulneráveis, que tem uma população que depende quase exclusivamente do Sistema Único de Saúde".

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa-CE) contabiliza 563 casos confirmados de Covid-19 em 17 municípios do Estado. Na quarta-feira (1º), eram 445, ou seja, em 24 horas, foram confirmados novos 118 casos. A concentração ocorre em Fortaleza, cujo território já possui 526 casos, além de Aquiraz (13), Sobral (5), Icó (2), Maracanaú (2), Maranguape (2), Quixadá (2), Tianguá (2), Beberibe (1), Caucaia (1), Eusébio (1), Itaitinga (1), Itapipoca (1), Jaguaribe (1), Juazeiro do Norte (1), Mauriti (1) e Santa Quitéria (1).

Com os novos dados, a taxa de letalidade da infecção viral no Ceará subiu de 2% para 3,7%. Mortes em razão da infecção já foram registradas, além de Fortaleza, em Eusébio, Santa Quitéria, Tianguá e Jaguaribe (uma em cada). Dos 21 óbitos, mais da metade tinha 70 anos ou mais; quatro vítimas tinham idades entre 50 e 69 anos; e cinco apresentavam faixa etária de 20 a 49 anos. Treze vítimas eram homens e oito, mulheres.

Quem faz sua parte

Desde o dia 15 de março, o arquiteto Gustavo Augusto, de 28 anos, está em isolamento social. Ele mora na Aldeota e, por ser uma das regiões que apresentam o maior número de testes positivos para o novo coronavírus, o cuidado é redobrado. Mas não apenas por isso. Ele também faz parte de um grupo de risco, pois, há dois anos, descobriu que possui diabetes.

Gustavo divide o lar com a mãe, o irmão, a irmã e o padrasto, este tem 67 anos e apresenta doença cardíaca. Mais uma razão para que a família como um todo se cuide ao entrar e sair de casa. "Na área de serviço, já tem os produtos para que a pessoa que entrou tire a roupa, coloque na água quente - que a gente ferve antes da pessoa entrar para tomar esse cuidado", relata. A mãe, por exemplo, sai uma vez na semana para ir ao supermercado e à farmácia, a fim de trazer mantimentos que durem por mais sete dias.

No quarto que divide agora com a irmã, após o irmão que está se formando em medicina estar em quarentena obrigatória, Gustavo divide o dia entre as atividades da empresa que continuaram parcialmente e os momentos de ócio. O trabalho de marketing está a todo vapor, até porque "as entregas dos projetos não foram afetadas, o que parou 100% foram as obras porque não tem como acontecer obra, nem é viável", analisa.

A cerca de 15 km distante dali, Tota Alencar também precisou mudar suas atividades para se adaptar ao necessário isolamento social em sua casa no Conjunto Ceará. O comerciante de 55 anos também está no grupo de risco da Covid-19 por ter problemas cardiovasculares e diabetes. "Por isso o cuidado redobrado. Procuro sempre ficar em casa com meu pai, minha mãe e minhas duas filhas", conta sobre as mudanças na sua rotina.

Antes, Tota e dois funcionários do seu comércio - que trabalha com a venda de produtos de limpeza - andavam de porta em porta do bairro a vender seus produtos. "Eu tiro os pedidos e eles saem pra fazer as entregas. Cada vez que eu saio de casa, é usando máscara pra me proteger e proteger os outros".

Apesar de considerar ter "um medo enorme" da propagação do coronavírus no seu bairro, o comerciante acredita que a população do Conjunto Ceará está fazendo a sua parte. "Tem muita gente retraída em casa, todo mundo saindo o necessário e obedecendo mais ou menos", defende.

Leitura similar tem o arquiteto Gustavo Augusto sobre o que ainda consegue ver das janelas e da varanda do apartamento, que fica no primeiro andar do seu prédio: "na minha região, a gente viu que diminui consideravelmente o número de pessoas na rua, gente só passeando com cachorros ou fazendo exercícios. Mas é sempre aquela sensação de que todo dia é domingo".

Camilo estuda prorrogar decreto

A possibilidade de nova prorrogação do decreto que reforça a orientação de reclusão e distanciamento social por conta da Covid-19 já está sendo analisada pelo governador Camilo Santana. A informação foi repassada por ele na noite de ontem, durante transmissão nas redes sociais. “Estamos avaliando para as pessoas ficarem em casa. É uma travessia longa e precisamos estar todos unidos”, considera.

Inicialmente, a mensagem que proíbe o fechamento de estabelecimentos comerciais e igrejas foi publicada no dia 19 de março com validade de 10 dias. Um dia antes do prazo, porém, o chefe do Executivo estadual voltou a estender o decreto por mais sete dias, isto é, até o próximo dia 5 de abril. Sendo assim, podem funcionar apenas hospitais, farmácias e clínicas veterinárias.



Redação Há 2 horas