Causa da morte de peixes no Cocó foi fenômeno chamado seiche, aponta Semace

Isso acontece quando há um descolamento do material acumulado no fundo do rio que dissolve na água reduzindo a proporção de oxigênio necessária à manutenção da vida no meio

Legenda: Peixes mortos foram avistados nas proximidades da rua Cônego Januário, no bairro Boa Vista
Foto: Foto: Halisson Ferreira

Um relatório realizado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), a pedido da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), aponta o fenômeno conhecido como seiche para a recente mortandade de peixes no Rio Cocó. Trata-se de uma espécie de descolamento do material acumulado no fundo do rio que dissolve na água reduzindo a proporção de oxigênio necessária à manutenção da vida no meio.

Segundo o documento, "através de uma análise interdisciplinar, pode se levantar a hipótese de que a causa mortis foi decorrente de um fenômeno muito comum em lagos e açudes (ambientes lênticos), chamado na literatura limnológica de seiche, causado por forças de diversas origens, como pressão atmosférica, ventos, chuvas repentinas, abalos sísmicos, rajadas de ventos, entre outros”. 

Quatro amostras foram coletadas para a análise, sendo duas do local onde os peixes foram avistados - nas proximidades da rua Cônego Januário, no bairro Boa Vista - e uma do material descolado do fundo do rio. A quarta amostra foi retirada da barragem do rio Cocó, localizada no Conjunto Palmeiras, que não apresentava sinais de poluição. De acordo com o estudo, os peixes morreram entre os dias 6 e 8 de julho.

Ainda de acordo com a Semace, os animais teriam morrido por problemas na condição de respirar, a partir da constatação de que o Oxigênio Dissolvido (OD) encontrado no local da amostragem estava em 0,54 mg/L 02, o que indica uma situação crítica em relação as condições de anaerobiose.

Amostras dos peixe foram levadas para exame no Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC). O objetivo foi ampliar o esclarecimento da análise laboratorial da água. No entanto, “não foi possível a análise do pescado amostrado, devido ao auto grau de putrefação das amostras coletadas, indicando que a mortandade de peixes aconteceu antes de 48 horas de sua coleta, conforme informações repassadas pelo Labomar”, afirma o órgão.