Casa vira ponto turístico na Capital

Residência onde iniciou-se o túnel até o cofre do banco continua atraindo visitantes oito anos após o crime

Maior ação já orquestrada por criminosos na história do Brasil, o furto ao Banco Central de Fortaleza acaba de completar oito anos. A ousadia dos bandidos até hoje chama atenção e transformou um ponto do Centro numa atração turística pouco tradicional, que, volta e meia, é procurada por viajantes.

Os turistas procuram enquadrar, na mesma foto, o imóvel e parte do prédio do banco Foto: Érika Fonseca

O que muitos chamam jocosamente de "atração turístico-policial fortalezense" é a residência de número 1071 da Rua 25 de Março. A casa simples, usada por uma empresa de fachada, em 2005, foi o ponto de partida de um túnel de 78 metros até o cofre do Banco Central, na confluência das avenidas Dom Manuel e Heráclito Graça.

O imóvel permanece fechado por decisão judicial. Entretanto, ainda desperta a curiosidade de muitos. O que se vê na Rua 25 de Março é apenas uma residência comum fechada. "Mas, até hoje, pessoas aparecem por aqui para tirar fotos da casa", conta um comerciante da via que prefere não se identificar.

Num determinado ponto da Rua 25 de Março, é possível "colocar" na mesma foto o imóvel residencial e parte do prédio do Banco Central, por trás. "Essa é a foto que todo mundo quer fazer", completa o comerciante. Ele aproveita a presença dos turistas para lucrar com a venda de bebidas e lanches.

Moradores da 25 de Março preferem esquecer o episódio policial, que, de certa forma, tirou a tranquilidade da rua por algum tempo. "A gente lembra do roubo quando aparece alguém aqui perguntando algo e tirando fotos. Mas, isso é coisa do passado. Os moradores da 25 de Março, como eu, retomamos a rotina", diz o aposentado Joaquim Silva.

Para chegar na instituição financeira, após cavarem o túnel, os ladrões perfuraram um piso de 1,10 metro de espessura de concreto revestido com uma malha de aço. No cofre, havia sensores de movimento e câmeras, que não foram acionados. O assalto foi comandado por três quadrilhas, duas de São Paulo e uma do Ceará. Ao todo, eram 20 bandidos. O grupo levou R$ 164,7 milhões entre os dias 6 e 7 de agosto de 2005. Nem todo o valor foi recuperado.
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