Camilo Santana e Roberto Cláudio pedem à população que fiquem em casa durante a Semana Santa

Governador lembrou que as missas podem ser ouvidas ou assistidas pelos meios de comunicação. Prefeito de Fortaleza alertou para o grande número de casos do Covid-19 na Capital

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), reforçaram a importância dos cearenses ficarem em casa, durante as celebrações da Semana Santa. Em pronunciamento pela internet nesta quinta-feira (9), Camilo Santana disse que as pessoas podem celebrar a data por meio dos veículos de comunicação. 

"Diante da gravidade do coronavírus, evite viajar nesta Semana Santa. Orações e celebrações serão transmitidas pela TV, Rádio e internet, conforme anunciou o Arcebispo Dom José Antônio. Fique em casa. É muito importante neste momento", afirmou o governador.

Já Roberto Cláudio reforçou que a Semana Santa é importante, porém a vida e a saúde são sagradas. 

“A Semana é Santa, mas a vida e a nossa saúde são sagradas. O coronavírus está em alta dispersão. Mais de 80 bairros da Cidade já têm casos confirmados. Nosso objetivo é segurar o ritmo de transmissão da doença”, disse Roberto Cláudio.

A iniciativa, segundo o prefeito, pressupõe a permanência das pessoas em suas residências, exceto diante de necessidades primordiais. “Qualquer mobilidade entre bairros e, principalmente, entre cidades pode acelerar a curva de transmissão. Nós queremos evitar casos de contaminação simultânea”, alertou.

Casos do Covid-19 no Ceará aumenta

Em 24 horas, o Estado do Ceará atualizou o número de mortes em decorrência da Covid-19 – doença causada pela infeccção do novo coronavírus – de 40 para 53; o aumento percentual foi de 32,5%. O acréscimo na confirmação desses 13 óbitos garante ao dia 8 de abril o status de recorde, o qual nenhum sistema de saúde se orgulha de obter.

Dos 13 falecimentos confirmados, 12 ocorreram em Fortaleza e o outro na cidade de Caucaia. Assim, as letalidades já se espalham por, pelo menos, nove municípios, além dos dois supracitados. São eles: Aracati, Cariús, Farias Brito, Iguatu, Itaitinga, Jaguaribe, Maracanaú, Santa Quitéria e Tianguá. Cada um dispõe de um registro. A taxa de letalidade no Ceará é de 3,85%.

De acordo com a secretária executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa-CE), Magda Almeida, parte dos óbitos confirmados estava em investigação anteriormente como suspeitos e aguardam o diagnóstico. “A gente tem uma lista de priorização dos exames, que são dos pacientes que estão internados, os pacientes em UTI e também a investigação do óbito”, elenca.

Interior

Conforme Magda, o Ceará ainda apresenta um nível baixo de taxa de mortalidade em relação a outros estados do País. Contudo, dados do Ministério da Saúde apontam que a taxa de mortalidade para cada 100 mil habitantes está em 0,5. Nesse quesito, o Ceará amarga a quinta colocação em todo o Brasil, ficando atrás de estados como São Paulo, Amazonas, Rio de Janeiro e Pernambuco.

A secretária chama atenção, todavia, para os números crescentes além da Capital. “A gente está preocupado porque tem visto um aumento dos óbitos em cidades do interior. A gente reforça a questão do isolamento das pessoas mesmo nos distritos rurais, que tem casos confirmados, principalmente daqueles pacientes que estiveram em contato com pessoas vindas de outros estados ou com egressos do sistema hospitalar de Fortaleza”, indica a gestora.

Colaboração

Para o titular da Sesa, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, as próximas semanas deste mês não são de afrouxamento, mas de “união” e “colaboração mútua”. “É hora de a gente não questionar os protocolos, de a gente confirmar o compromisso social e cívico de todos os cidadãos cearenses”, ressaltou o secretário, lembrando da preocupação com a iminência da Semana Santa.

“Não quero aqui ser alarmante, quero apenas chamar atenção da população pra fazer um esforço conjunto. É preciso serenidade, e o Estado tem procurado fazê-lo de uma maneira muito transparente”, acrescentou o secretário Dr. Cabeto.

Balanço

Os casos confirmados de Covid-19 no Estado do Ceará também subiram nas últimas 24 horas. Na terça-feira (7), a Sesa contabilizava 1.188 registros, ontem (8), o número passou para 1.376, até a última atualização da plataforma digital IntegraSUS, às 19h. Foram 188 novos registros da infecção pelo novo coronavírus.

Do total de casos confirmados no Ceará, o epicentro continua sendo a Capital. Fortaleza concentra 1.217 registros, ou seja, 88% do todo. Em seguida, vêm os municípios de Aquiraz (28), Maracanaú (19), Caucaia (16) e Sobral (14). Os casos suspeitos, conforme a plataforma digital, somam 9.447, dos quais 5.564 estão em Fortaleza.

Da Vinci

De acordo com o acompanhamento de internações do Hospital Leonardo da Vinci (montado pelo Governo do Estado como o principal para pacientes com Covid-19), havia 47 leitos ocupados até às 21h47 da noite dessa quarta-feira (8). Dezenove pessoas estavam em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 28 em leitos de enfermaria. Conforme o boletim digital, o tempo médio de internação dos pacientes é de 4,82 dias. Além disso, foram registradas na unidade cinco óbitos e 17 altas hospitalares.

País alcança maior taxa de letalidade

O Brasil atingiu, ontem, a maior taxa de letalidade do novo coronavírus da série histórica: 5%. Isso significa que de cada 100 casos confirmados da doença no País, 5 resultam em óbito. A título de comparação, a taxa de mortalidade da gripe é de 0,1% no mundo.

Até ontem, o número de óbitos pela Covid-19 chegou a 800 no Brasil, divulgou o Ministério da Saúde. O resultado marca um aumento de 20% em relação ao dia anterior (667 óbitos). Já o número de pacientes infectados pelo novo coronavírus chegou a 15.927, um aumento de 16% em relação a terça (3.717 pessoas infectadas).

Quanto às complicações associadas à morte, 336 tinham cardiopatia, 240 eram diabéticos, 82 tinham alguma pneumopatia e 55 experimentavam algum tipo de condição neurológica.

São Paulo concentra o maior número de mortes pela Covid-19, 428. O Estado é seguido por Rio de Janeiro (106). Ontem, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, falou dos desafios para enfrentar a pandemia. Ele relatou que um dos processos de compra feitos pela Pasta não será cumprido. Uma empresa chinesa que estaria responsável pela entrega de 15 mil unidades de respiradores mecânicos - equipamento crucial para tratar infectados com o sintoma mais grave da Covid-19, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) - não deu garantias de entrega. Para solucionar o desfalque do material, ele citou um projeto para ampliar a capacidade de produção de respiradores por fábricas brasileiras. Uma firma fechou acordo para entregar 6,5 mil unidades em três meses.



Redação 12 de Julho de 2020