Barco-hospital atenderá 1.100 comunidades no Norte do País

Obra levou um ano e cinco meses para ficar pronta e foi construída em estaleiro na Praia de Iracema; o hospital flutuante atenderá quem vive às margens do Rio Amazonas e tem o acesso à saúde dificultado

Legenda: Barco-Hospital Papa Francisco é fruto de parceria entre Indústria Naval e entidade religiosa
Foto: FOTO: JOSÉ LEOMAR

Levar assistência em saúde a localidades carentes. É isso que o Barco-Hospital Papa Francisco oferecerá a cerca de 1.100 comunidades que vivem às margens de Rio Amazonas. O navio parte hoje (8) para o Pará, onde serão iniciados os atendimentos. A embarcação foi construída em Fortaleza, no estaleiro da Indústria Naval do Ceará (Inace), na Praia de Iracema, em parceria com a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, uma entidade religiosa que possui hospitais em todo o País.

O hospital flutuante dispõe de dois andares, o principal deles de ala hospitalar. De acordo com Frei Tiago Malta, da Associação São Francisco de Assis, são cerca de 30 salas destinadas à triagem, consultórios, enfermaria, centro cirúrgico, sala de recuperação e salas de exames como Raio-X, mamografia e ultrassom para prevenção de câncer.

"É o primeiro hospital flutuante desse porte no mundo inteiro. Temos toda a estrutura de um grande hospital e vamos poder atender bem essas comunidades", afirma.

A solenidade de inauguração foi realizada ontem (7) na sede da Inace. Uma convidada especial e que conhece bem a realidade dos ribeirinhos estava no momento. A paraense Delma de Carvalho, 47, é natural do município de Alenquer, onde estão mais de 100 comunidades ribeirinhas.

Ela está em missão religiosa em Fortaleza há cerca de um ano e meio e não conteve a emoção. "Esse barco tem uma grande importância para nossa região. A saúde em todos os locais é difícil de acessar, mas no Norte se torna muito mais complicado por conta da acessibilidade. Agora, nossa comunidade vai ter para onde recorrer. Vai resolver ou pelo menos minimizar o sofrimento. É um marco para a nossa comunidade", destaca a ribeirinha.

Quem vive às margens do Rio Amazonas e antes precisava enfrentar dias de viagem de barco agora terá saúde mais perto de casa.

A terra-natal de Delma, juntamente com os municípios de Juriti e Óbidos, servirão de base médica para o navio. É dessas localidades que partirão médicos que vão atender à população. "A associação formou uma grande regional de saúde para conseguir atender às comunidades", pontua Frei Tiago. A cada mês, o hospital flutuante passará dez dias percorrendo rios e atendendo quem precisa. "O restante do mês será de reabastecimento e descontaminação, porque o navio não vai descartar lixo no rio. É totalmente ecológico", acrescenta o Frei.

Obra inovadora

Flávia Barros, diretora industrial da Inace, estaleiro naval responsável pela obra do navio, destaca que a união de conhecimentos da equipe do Inace e da Associação São Francisco de Assis foi essencial. "É muito gratificante entregar esse projeto, que foi uma novidade para todos nós. A Fraternidade São Francisco entendia de hospitais, e nós de construção naval. Em um barco, tudo tem que ser menor, então foi um desafio para adequar todas as necessidades deles para o espaço", afirma.

Para o sucesso da construção, um ano e cinco meses de obras e mais de 100 pessoas envolvidas, segundo informa Francisco Felipe, coordenador de produção da Inace.

"São várias normas de construção civil que se aplicariam a um hospital, mas tiveram de ser compactadas para caber dentro de um barco. O hospital tem capacidade para atender 30 pessoas nas instalações", explica.

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