Banhistas vão à Praia do Futuro apesar das condições impróprias para banho

Turistas e moradores de Fortaleza foram surpreendidos com as manchas de óleo na faixa de areia da região

Legenda: Apesar das condições impróprias para banho na Praia do Futuro, em Fortaleza, banhistas procuram lazer na região
Foto: FOTO: ZILDA QUEIROZ

O casal de turistas goianos Donizete Júnior, 29 anos, e Ana Cristina, 26, está de férias em Fortaleza desde a última terça-feira (1º) e foi pego de surpresa com a notícia de que a Praia do Futuro está totalmente imprópria para banho. A ocorrência de óleo na faixa de areia é a causa da reprovação de 10 dos 11 trechos analisados na região pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

“Essa é a segunda vez que a gente tá frequentando a Praia do Futuro essa semana. Até tínhamos lido algo sobre, mas não sabíamos que essa região também tinha sido afetada. Depois dessa informação, acho pouco provável continuar o banho”, disse a goiana Ana Cristina. Seu companheiro Donizete, também pareceu frustrado. “Tava até gostoso o mar, mas com isso é de se pensar se vale a pena”.

Ainda nesta sexta-feira (4), a Semace realizou um mutirão de limpeza na região. Oito quilômetros da orla foram percorridos, depois das denúncias do aparecimento das manchas no local. Elas têm aparecido em praias do Nordeste desde o início de setembro. Trata-se de petróleo cru, substância que já atingiu 124 localidades em 59 municípios de 8 estados. 

Uma investigação do Ibama aponta que todas as amostras têm a mesma origem, mas ainda não é possível afirmar de onde saíram. Em nota, a Petrobras afirmou que o material não é produzido pela companhia.

Ibama orienta que banhistas não toquem ou pisem no óleo

Além dos turistas, alguns moradores de Fortaleza também resolveram ir à Praia do Futuro neste sábado (5). Foi o caso do técnico em eletrônica Jonas Gomes da Silva, 52 anos, que levou a sobrinha para o lazer, mas se arrependeu. “Já desisti do banho, não vamos mais mergulhar”, desabafou.

Foto: FOTO: ZILDA QUEIROZ

A auxiliar administrativa Suelen Barbosa, 32 anos, levou a filha pequena para brincar na areia sem saber que as manchas também estão concentradas nessa área. “Sempre trago ela para cá, mas evito dar banho porque sei que o mar é poluído. Só levo na piscina. Agora isso da areia, eu não sabia. E agora, como é que a gente faz? As crianças não têm mais nem esse lazerzinho, né. Fazer o que? Vou pra casa”, decidiu.

O Ibama orienta que banhistas e pescadores não toquem ou pisem o óleo que se espalhou pelo Nordeste. "Caso seja identificado o produto no mar ou nas praias, o cidadão deve informar o local exato à prefeitura. O óleo recolhido deve ser destinado adequadamente, não sendo recomendado misturá-lo com o resíduo comum", explica o instituto.
 
Em caso de contato, a orientação é retirar primeiro com gelo ou com óleos de cozinha, devendo logo após lavar a pele com água e sabonete neutro.
 

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Redação 30 de Novembro de 2020