Após 8 meses como padrinho, cearense adota adolescente e se torna pai solo

Thiago da Silva, de 38 anos, realizava atividades voluntárias em uma unidade de acolhimento para crianças e adolescentes quando vivenciou o encontro com o filho

Legenda: Pedro "adotou" Thiago quando o pai fazia trabalhos voluntários no abrigo em que o adolescente estava acolhido
Foto: Helene Santos

A chegada de um filho à vida do pai pode ser planejada ou não, aguardada ou não, desejada ou não. Em alguns casos, é o acaso que determina – foi assim para o cearense Thiago da Silva, 38, que nem idealizava a paternidade, mas após oito meses como padrinho afetivo de Pedro da Silva, 15, o adotou.

Thiago tornou-se pai do adolescente há dois anos, quando Pedro tinha 13. Na rotina de trabalhos voluntários em uma instituição de acolhimento no bairro Castelão, em Fortaleza, o funcionário público conviveu com dezenas de crianças e adolescentes – mas se reconheceu nos olhos de um só. 

“Ele era diferente comigo, apegado. Me cadastrei no programa de apadrinhamento afetivo e fiquei oito meses sendo padrinho dele. Até que vi que ele fazia parte da minha família, não fazia mais sentido passar o fim de semana com ele e depois levar de volta pro abrigo”, relembra.

No período em que era padrinho do menino, as atividades sempre foram de pai e filho. “Infelizmente, não podia levar ele pra casa todo fim de semana. Mas pegava sempre que dava, e nas férias também. A gente, como qualquer outra família, brincava, passeava, jogava futebol, conversava. Já era bem natural, foi um sentimento mútuo”, descreve Thiago.

No Ceará, conforme dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 700 mães e pais estão disponíveis para adotar um filho ou filha. O número de crianças e adolescentes cadastrados e aptos à adoção no Estado é de 128. Após ingressar como pretendente à adoção no CNA e passar por todos os trâmites, o “Thiago-pai” nasceu, saindo dessa fila oficialmente em janeiro de 2018. 

Legenda: Pai e filho vivem juntos há cerca de dois anos
Foto: Helene Santos

O Pedro me adotou primeiro. Eu já era a referência, a única família dele naquele momento, e isso era pouco pra ele. Queria dar ao meu filho uma avó, tios, primos. Quando peguei em mãos a certidão de nascimento toda OK, senti como se fosse a liberdade dele, que não precisaria mais voltar ao abrigo”, relata Thiago, que antes de conhecer Pedro nunca havia desejado a paternidade. “Foi o convívio com ele que fez nascer em mim esse sentimento, que foi mútuo. Hoje eu tenho mais certeza ainda que decidi ser pai por ele”.

Apesar de ser pai solo, o funcionário público sempre contou com o apoio da mãe e dos familiares na educação do adolescente. “Não existe pai perfeito nem filho perfeito, estamos convivendo com os defeitos um do outro. Temos que realmente curar as feridas que ele tem do período de antes, dos anos no abrigo. Nosso maior trabalho é curar essas sequelas”.

Todo o processo, que já dura cerca de dois anos, é envolto pelos sentimentos fundamentais da paternidade: amor, compreensão e afeto. “O importante é saber que ele é um ser humano como qualquer outro. Ser pai é ser exemplo, espelho, porto-seguro. É aquele que vai estar ali ao lado, mesmo que o filho esteja errado. Em momento algum vai apoiar os erros, mas orientar o caminho certo”, ensina Thiago.

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Redação 23 de Setembro de 2020