Ampliação da Atenção Primária nos últimos 8 anos foi essencial para manter atendimentos na pandemia

Em Fortaleza, a entrega de novos postos de saúde e UPAs municipais aumentou as portas de entradas para pacientes durante pico de casos da Covid-19

Legenda: Fortaleza tem 116 postos de saúde para atender a moradores dos 121 bairros
Foto: Foto: Camila LIma

A Atenção Primária é a principal porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS). E foi justamente esta etapa do atendimento à população que foi ampliada nos últimos oito anos em Fortaleza. Foi o investimento nas Unidades Básicas de Saúde - responsável por consultas de enfermagem, médicas e de saúde bucal; distribuição e administração de medicamentos; vacinas; curativos; visitas domiciliares - que permitiram que os atendimentos na Capital suportassem a grande demanda durante a crise sanitária provocada pela Covid-19.

Hoje, a Capital conta com 116 postos de saúde, quase o equivalente a uma unidade por bairro - considerando os 121 existentes na cidade. Desde 2012, 29 novos postos foram entregues, o que representou um aumento de aproximadamente 33%. Nas unidades já existentes, foram executadas mais de 80 reformas durante o mesmo período.

"A gente reestruturou toda a parte física dessas unidades, além de fornecer equipamentos novos. Obviamente, a estrutura dá uma melhor condição de trabalho aos profissionais, mas ela por si só não basta. A gente precisou ampliar equipes, investir em recursos humanos", detalha a secretária municipal da Saúde, Joana Maciel. Ela reconhece o foco dado à Atenção Primária desde os primeiros anos da gestão. "Foi para lá que foi direcionado o maior esforço, no sentido de dar acesso à população, melhorar a condição de trabalho dos profissionais. Tivemos que rever muito da estrutura física das nossas unidades", admite.

A secretária traça um paralelo com a Saúde suplementar. "A gente manteve os nossos postos de saúde em pleno funcionamento, até nos fins de semana durante o auge da pandemia, em abril, maio e junho. A Atenção Primária teve um papel muito relevante no enfrentamento dessa pandemia", avalia.

Foi nesse período que a autônoma Maria Auxiliadora Cesário, 59, viu a necessidade de visitar a mesma unidade que frequenta há quase 10 anos, o posto de saúde Dr. Licínio Nunes de Miranda. Em abril deste ano, ela foi até o local para fazer um exame, e embora tenha se deparado com um cenário diferente do habitual - com uso de máscaras e controle na entrada de pacientes - o atendimento correu normalmente.

"Para lá vamos eu e todo mundo da família, somos seis. O posto já passou por reforma nesse tempo. Eles atendem bem 'direitinho', ainda mais para crianças e idosos. Meus netos sempre se vacinam lá", relata Auxiliadora.

Além disso, na Capital, agentes comunitários de saúde realizaram visitas às casas de pessoas que integram grupo de risco, e quando sintomáticos, esses pacientes eram direcionados para os postos.

A estruturação para atendimentos na pandemia se valeu ainda da capacidade das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que também foi ampliada na cidade. Dos 12 equipamentos situados em Fortaleza, seis pertencem à rede municipal e foram inaugurados nos últimos oito anos. De acordo com Joana Maciel, cada uma faz uma média de 10 mil atendimentos por mês em pediatria e clínica médica.

Necessidade

"Nas seis UPAs municipais, temos 96 leitos de observação. Durante a pandemia, aumentamos em 170 leitos, ou seja, um acréscimo de 177%. Em determinado momento, elas ficaram muito lotadas, ou seja, se não tivéssemos feito essa ampliação, a gente teria tido muita dificuldade em dar o primeiro atendimento aos pacientes mais graves, tendo a UPA como porta de entrada. Os profissionais foram heróis", avalia a secretária.

Na perspectiva de Ana Karine Macedo, médica e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), a pandemia escancarou uma necessidade que antes era "científica". "Popularmente, não se reconhecia a necessidade do SUS. A crise tornou visível essa necessidade de ter um SUS forte, com foco na Atenção Primária, para que possa ser resolutivo. Sem organização e estrutura, isso não é possível", pondera.

A ampliação da Saúde pública não se limitou, contudo, às demandas da atenção básica. A rede hospitalar da Capital deu um novo passo com a inauguração do Instituto Doutor José Frota (IJF) 2. Foi lá, que durante o ápice dos casos da Covid-19 na Capital, pacientes foram atendidos em uma ala especial adaptada para tratar o coronavírus. Após a diminuição das internações, a ampliação passou a focar nos atendimentos clássicos do IJF.

O equipamento representa um acréscimo de 203 leitos em relação ao IJF, além da expansão no centro cirúrgico e nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Enquanto o centro do IJF conta com 11 salas cirúrgicas e 33 leitos de UTI, o IJF 2 agrega nove salas e 30 leitos. Essas duas capacidades representavam o maior gargalo do hospital, segundo Joana Maciel. "O IJF 2 era uma necessidade. A gente convivia com muitos pacientes nos corredores, já que o IJF faz um atendimento para todo o Estado. Ele vinha precisando de ampliação principalmente no seu centro cirúrgico, que é o 'coração' do Hospital", diz.

 

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