AMC alerta sobre os riscos de acidentes com moto durante isolamento social

Com maior circulação de motociclistas nas ruas, aumenta a preocupação com uso do capacete. As ocorrências envolvendo motociclistas são uma realidade diária nos hospitais de Fortaleza.

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Legenda: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), com o uso do capacete, a probabilidade de morte diminui em 40% e de lesão grave, em 70%.
Foto: Banco de imagens

O isolamento social impulsionou o mercado de delivery e e-commerce, gerando milhares de oportunidades de empregos para entregadores. Por outro lado, esses trabalhadores, que têm a motocicleta como instrumento de trabalho, estão mais vulneráveis a acidentes de trânsito. “Nesse período, houve um acentuado aumento de demanda de entregadores motociclistas, através de aplicativos. São usuários com maior nível de exposição”, afirma André Luis Barcelos, assessor técnico da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC).

A preocupação das autoridades é que os motociclistas se protejam não apenas da contaminação do novo coronavírus, mas também que cuidem da própria segurança no trânsito, já que o não uso ou uso inadequado do capacete está entre as infrações mais cometidas entre os condutores de moto, associadas ao excesso de velocidade, avanço de sinal, alcoolemia, dentre outras. “O uso inadequado se refere ao não afivelamento correto do capacete, à utilização do mesmo sem a viseira de proteção, ou sem a cinta jugular, e capacetes modulares com a queixeira levantada”, explica André Luis Barcelos.

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Legenda: Para garantir a eficácia do capacete, ele precisa apresentar selo de segurança do Inmetro, estar dentro do prazo de validade (até 3 anos) e não ter sofrido impacto por colisão.
Foto: Divulgação/AMC

O uso do equipamento não só é obrigatório pelo Código de Trânsito Brasileiro, como salva vidas e diminui os riscos de danos mais graves à saúde do usuário. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), com o uso do capacete devidamente preso à cabeça, a probabilidade de morte diminui em 40% e de lesão grave, em 70%. Vale lembrar que para garantir a eficácia do equipamento, ele precisa apresentar selo de segurança do Inmetro, estar dentro do prazo de validade (até 3 anos) e não ter sofrido impacto por colisão.

Realidade nos hospitais
De acordo com a AMC, de 20 de março a 31 de maio deste ano, o número de acidentes no trânsito reduziu cerca de 70% em relação ao observado no mesmo período do ano passado. Mas, mesmo com a diminuição dos acidentes de trânsito durante o isolamento social, as ocorrências envolvendo motociclistas são uma realidade diária nos hospitais de Fortaleza, como observa o médico Daniel Lima, cirurgião da emergência do Instituto Dr. José Frota. “A gente costuma dizer na Emergência que, quando alguém dá um plantão, certamente, vai atender pelo menos um baleado e uma vítima de acidente de moto”, diz, sinalizando quais as principais ocorrências dos plantonistas do hospital.

Nos acidentes envolvendo motociclistas, o cirurgião observa que, além do não uso do capacete, muitas vítimas de acidentes não usam calçados ou vestimentas adequadas, agravando ainda mais as lesões no corpo. “Pode-se observar a quantidade de motociclistas que deixam os chinelos no guidom da moto e ficam descalços. É comum encontrarmos pacientes com lesões de extremidades mais complexas”, avalia.

Na visão do médico, o que leva os motociclistas a continuarem se descuidando da própria proteção, mesmo sabendo dos riscos, é reflexo de uma fraca conscientização por parte dos usuários. O descuido chega a ser cultural. “Muitos acidentes acontecem próximo das residências. A pessoa sai sem capacete, sem calçado, pensando que vai estar pertinho de casa. Por ser um deslocamento curto, em um tempo menor, ela acha que não vai acontecer nada”, observa Daniel Lima. O lamentável, pontua, é que a maioria das vítimas são pessoas jovens. “Além do risco de morte, podem perder membros ou ficar com danos irreparáveis que mudam completamente a vida da pessoa. A mensagem que a gente deixa é: proteja-se, previna-se”, conclui.

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